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13 Reasons Why – S01E11 – Tape 6, Side A

“Por que você não disse isso quando eu estava viva?”

E enfim chegamos na fita que, provavelmente, todos estavam mais ansiosos e curioso para ouvir: a fita do Clay.

Confesso pra vocês que após assistir o episódio “Shut Up and Dance” (3×03) de Black Mirror, eu passei a sempre ficar com o pé atrás quanto aos supostos “mocinhos” das séries/filmes que assisto. E por algum motivo (talvez o fato de andar de bike por aí e não ter muito jeito com as pessoas), o Clay me traz lembranças do Kenny. Logo, mesmo adorando o menino e toda sua doçura e a forma sensível que ele se importa com os outros, eu me mantive cética quanto ao seu caráter, pelo menos até ouvir sua fita. O que acabamos de fazer.

O Clay ouve as fitas num ritmo bem mais lento que os demais, mas é entendível. Para ele, tudo isso é mais sensível, ouvir a voz da Hannah, entrar em seus pensamentos, escutar a sua verdade. E para chegar em sua fita, ele precisou de toda uma “preparação” com o Tony. Sabe, toda aquela coisa de tomar coragem, preparar o terreno, entender a situação de forma global e reconhecer que, talvez, não fazer algo pode ser tão prejudicial quanto agir no impulso.

Eu discordo bastante de algumas visões e ações da Hannah e acho hipócrita por inúmeras vezes, mas entendo que cada pessoa lida de uma forma com o que sente. E às vezes, as menores coisas podem tomar proporções colossais, devido à cortes não cicatrizados do passado. É tipo colocar sal em uma ferida.

Mas dessa vez, o que Hannah viu, como se sentiu, como reagiu, no que resultou… Acho que foi uma das vezes em que eu mais me senti devastada e extremamente incomodada por estar passando por aquilo de forma tão vívida e detalhada.

A Hannah nos conta, nesta fita, o que precedeu sua terrível experiência de presenciar o estupro da Jéssica. E de certa forma, entendemos o motivo dela ter congelado e não conseguir reagir. Ela já estava sobrecarregada.

Na festa, Hannah conta como o Clay faz tudo parecer fácil e como sempre foi bom estar ao seu lado. Claramente, os dois sempre tiveram uma relação muito linda. E de forma bem natural, toda essa química os levaram à finalmente se beijarem. O que acaba resultando num “make out” bem rápido, também.

E por já termos visto flashbacks desse momento, eu sempre imaginei que foi ali que algo deu errado, que havia sido o que levou o Clay a ter uma fita, ser uma das razões.

No calor do momento, a Hannah começa a se sentir mal, pois passa a lembrar de todas as vezes que foi tocada de forma suja, por caras sendo bossais e escrotos. E mesmo gostando do Clay e sabendo que ele era totalmente diferente daqueles outros, ela não consegue desconectar seus sentimentos. Afinal, sejamos sinceros, todas as vezes que essa menina teve alguma experiência “sexual”, acabou em merda.

Por isso, ela desesperadamente e aos prantos disse para o Clay parar tudo e apenas ir embora. Obviamente, na hora ele não entendeu nada do que estava acontecendo e achava que tinha feito algo errado. Mas mesmo sem compreender a situação, ele apenas ouviu os gritos da Hannah e se foi. Deixando a menina chorando sozinha no quarto da Jéssica. O exato momento que precedeu a entrada de Jéssica e Justin no quarto, e posteriormente, o estupro cometido pelo Bryce.

Hannah explica que, em tese, o Clay não fez nada de errado. Mas para dar continuidade a sua história e suas razões, ela precisaria citá-lo e colocá-lo numa fita. O que me pareceu bastante cruel, ainda mais quando o Clay pergunta ao Tony se ele havia “matado” a Hannah e o rapaz responde que sim.

E olha, ele não matou a Hannah. Mas, a dor do não dito, o arrependimento de não ter reagido de uma outra forma, isso mata. Isso mata nossa alma, e como. Por isso achei tão cruel essa fita. Não é coisa boa partir e levar consigo a paz de alguém, que supostamente, é inocente, ainda mais quando se tinha tanto apreço envolvido.

A série trabalha de forma muito sensível e delicada esse tema tão forte e complexo que é o suicídio. Mas ainda assim, é bom ter cuidado com os gatilhos, que não são poucos. Eu só queria deixar dito que a vingança, nunca, nunca, nunca é o caminho a ser seguido. E causar dor no outro, não alivia a sua dor, nem em um milímetro

E como se esse episódio já não tivesse sendo trágico o suficiente, o Justin numa total descarga emocional impulsiva (o que nos leva para uma das minhas frases iniciais, “não fazer algo pode ser tão prejudicial quanto agir no impulso”) acaba contando a Jéssica, na frente de todos, inclusive do Bryce, que ela havia sido estuprada por seu (ex?) melhor amigo.

Já dava pra sentir que a Jéssica, mesmo tentando negar a si mesma, sempre sentiu que alguma coisa havia acontecido naquela noite. Inconscientemente, ela sabia da verdade. Mas a confirmação daquilo foi nada menos que devastador. Imagine você ouvir da boca do seu namorado que você foi estuprada por alguém próximo, e que ele não tomou nenhuma ação. Simplesmente te deixou lá. E pior, negou o acontecido por tantas vezes.

Eu precisei assistir esses últimos episódios dando muitas pausas. Não só porque a carga emocional estava muito pesada. Mas também porque eu precisava pensar mais profundamente sobre todas essas coisas. Não era nem tentar entender o lado de cada um, mas tentar entender o que EU faria diante de situações tão carregadas. Uma espécie de autoanálise mesmo.

E cheguei à termos, pelo menos por esse episódio. O que eu pude tirar de lição foi que não podemos mudar o passado, não podemos tentar proteger as pessoas da verdade, não podemos ter medo de pôr pra fora o que sentimos, mas também não podemos agir sob a total influência do impulso. E daí você pergunta: “ué, então estamos num beco sem saída?”. Acho que sim. Nós não somos seres exatos, somos humanos. Logo, somos falhos, cheios de exceções, cheios de incertezas. O que nos resta é somente tentar avaliar nossos conflitos da maneira mais global possível.

Enfim, esse foi um dos episódios mais pesados e reflexivos para mim. Mas sei que os seguintes só tendem a ser cada vez mais dolorosos. É um tema tão delicado, que às vezes não sei nem muito bem como posicionar minhas palavras. Mas óh, até aqui vem sendo uma ótima série. Espero que essa sequência final não desaponte.

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  • Almir César

    A melhor review até agora.

Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e – contraditoriamente – por fim, nasci de 7 meses.


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