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13 Reasons Why – S01E12 – Tape 6, Side B

Eu nunca quis estar na pele de Hannah Baker.

Sabe, eu demorei bastante pra chegar nesse episódio, mas acredito que foi melhor assim. Esse foi, sem dúvidas, o episódio que mais me incomodou. E é exatamente nesse incômodo que a série é muito bem construída. Ela é extremamente crua e real, e te deixar no limite o tempo inteiro.

Engraçado que o dia inteiro eu fiquei com “Safe & Sound” da Taylor Swift na cabeça. E o refrão diz mais ou menos: “apenas feche os olhos / o sol está se pondo / você ficará bem / ninguém pode te ferir agora / já está amanhecendo / nós estaremos sãos e salvos”. E às vezes, isso é tudo que alguém precisa ouvir. Talvez fosse o que Hannah Baker precisasse ouvir.

Mas enfim, deixando um pouco do impacto desse episódio em mim de lado, vamos realmente falar de tudo que aconteceu aqui, de como esse episódio foi o melhor/pior de todos.

Clay escutou, até então, a fita mais perturbadora da Hannah. E embora ele já tinha adquirido bastante fibra ao longo dessa escuta, o acontecimento dessa fita o deixou bem transtornado, assim como nós que assistiamos.

Hannah começou contando como o “pior dia de sua vida” teve início. Seus pais estavam sofrendo com débitos ao proprietário do lote da farmácia, sua mãe resolveu propor um acordo de parcelamento, mas também era o dia de fazer o depósito. Como ela não podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo, Hannah se comprometeu a ir ao banco e cuidar disso.

E foi bem aí que tudo começou. Além de ser bastante inquietante ver seus pais sofrendo com algo que parece que não tem saída e não poder fazer absolutamente nada para ajudar. Agregado à isso, Hannah acabou entrando numa situação em que parte da culpa recaia sob seus ombros. Ela perdeu o dinheiro do depósito.

Perdeu o dinheiro à caminho do cinema, onde iria buscar seu último salário (ela pediu demissão, já que seus pais precisavam de ajuda na farmácia) com o Clay. E ao chegar lá, deparou-se com um Clay frio e impessoal. O que, com certeza, foi contribuição para como ela se sentiu no fim desse dia.

Enquanto isso, já na parte “pós-Hannah”, alguns alunos foram intimados a depor. Basicamente aqueles que foram citados nas fitas. O que os levou a imaginar que Clay havia contado algo para a polícia. Ainda por cima, Justin e Jéssica não foram à escola. O que acabou deixando os outros ainda mais desesperados.

Eles até conversaram e tentaram chegar a termos do que fazer, dizer em corte. Mas chegamos ao ponto onde tudo racha. Alex está profundamente arrependido, e só quer dizer a verdade e talvez, de alguma forma, pagar pelo o que fez. Zach e Ryan também estão dispostos a dizer a verdade. Tyler propõe que eles dedurem o Bryce, e fiquem apenas na sombra do crime dele, amenizando suas culpas. Courtney continua sendo uma baita escrota e alegando que Hannah mentiu nas fitas. E o Marcus, tão escroto quanto não aceita dizer a verdade. Sendo assim… Nada feito, nada resolvido, o caos estava cada vez mais instaurado.

Talvez não fosse a intenção da Hannah, ou talvez fosse sim. Mas a vida desses adolescentes está de cabeça para baixo e sinto que a cada momento tudo fica pior, e de certa forma, eles estão entrando na mesma vala que ela. Uns mais que outros, mas no fim, está sendo venenoso para todos.

Voltando para a fita, Hannah finalmente chega ao clímax dos seus motivos. Ela não consegue dormir, se culpando pelo o que aconteceu com o dinheiro de seus pais (ah, e vale ressaltar que ela precisou ouvir um “pensei que você fosse mais responsável” da mãe, e gente, experiência própria… Isso dói). Então, ela resolve sair para caminhar. E ela anda, anda, anda até que chega na parte rica da cidade.

Bryce está dando uma festa e ela resolve entrar. A princípio eu pensei “nossa, mas ela está entrando aí porque quer, depois do que aconteceu com a Jéssica, como ela pode… Podia evitar essas coisas”. Mas não, certas coisas não podem ser evitadas por nós mesmos. Não prevemos o futuro e faz mal estar sempre esperando pela pior das hipóteses.

Hannah entrou na festa com a intenção de esquecer todo o peso que estava precisando carregar no momento e nada mais além disso. Quando ela ficou sozinha na jacuzzi… Foi quando aconteceu.

Numa cena MUITO pesada, muito forte e que eu simplesmente me recuso a retratar, Hannah foi estuprada pelo Bryce. Segundo ela, foi naquele momento que sua morte ocorreu. Talvez não fisicamente, mas mental e emocionalmente esse foi o breaking point de Hannah Baker.

E é estranho, porque a construção da série foi tão bem feita até esse momento, que quando ele acontece, você que está assistindo chega no fim da linha também. Minha única reação ao chegar na parte que ela está em casa, tira a roupa e as marcas da força imposta sem seu consentimento em seu braço aparecem, foi de fechar a aba da Netflix e por fim àquilo que eu estava vendo. Uma obra fictícia, claro, mas que retrata tão cruamente o que acontece à milhões de jovens, de mulheres em todo o mundo.

E isso é o que pega, é saber que embora a personagem Hannah Baker não exista; existem muitas Hannahs por aí, existem muitas Hannahs clamando silenciosamente por ajuda. E nós nem sequer sabemos ou podemos ajudar. Às vezes somos Hannah, às vezes somos os porquês. Mas quase sempre, somos indiferentes aos pequenos (e grandes) males que assolam as vidas alheias.

E foi pensando nisso que a parte final do episódio entrou. Alex está massacrado emocionalmente, mas finge ao pai que está tudo bem, apenas na base do “sim, senhor”; Clay está ferido emocionalmente e fisicamente (depois de confrontar o Bryce sobre o estupro da Hannah); Jéssica está vivendo, talvez, o pior momento de sua vida, se sentindo suja por ter sido tocada de forma tão brutal e ainda ter que ouvir seu ex namorado buscar justificativas para tê-la escondido a verdade; Justin é agredido mais uma vez por seu padrasto, sua mãe simplesmente se omite completamente de tudo e seus “amigos” continuam virando as costas.

E é nesse cenários que ouvimos sons de polícia, e o dizer de um paramédico dentro de uma ambulância: “jovem de 17 anos ferido por uma bala na cabeça”. E como se tudo o que assistimos nesse episódio não tivesse sido doloroso o suficiente, sabemos que vamos nos deparar com mais angústia no último episódio.

Eu não sei se tenho a frieza de terminar essa série, mas a parabenizo por retratar de forma tão real o que é a depressão e como ela se desenvolve. Mas também não sei se é o tipo de série que irei indicar para meus amigos. Afinal, nunca sabemos em plenitude o que se passa na cabeça dos outros e essa obra pode SIM ser um gatilho muito forte para algumas pessoas.

Mas no fim, é importante falar sobre esse assunto. É importante trazer à tona algo que assola tantas pessoas. É importante nos fazer reavaliar nossas ações e pensar com mais ternura sobre como devemos agir com o próximo. Afinal de contas, não sabemos das batalhas que cada um trava diariamente, então, só nos resta ser o melhor que pudermos ser e não nos tornamos um “porquê”.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e – contraditoriamente – por fim, nasci de 7 meses.


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