Posts Populares

American Crime Story – S02E09 – Alone [Season Finale]

“Andrew não está se escondendo, ele está tentando ser visto.”

American Crime Story chegou ao seu final e tivemos respostas de vários questionamentos. Da mesma forma que começou, a temporada encerrou com chave de ouro. Com a dinâmica de um suspense cinematográfico, a Season Finale não apenas foi tensa, como gerou reflexões. O Episódio “Alone” estava carregado de metáforas e críticas, principalmente sobre a discriminação aos gays – e que tiveram como seus porta-vozes, Ronnie e Antonio D’amico.

Assim como no oitavo episódio, a carga dramática repetiu-se. Darren Criss novamente passou naturalidade, nos momentos conflituosos de Andrew Cunanan, cujo resquícios do pai perduraram até seus momentos finais. Vale lembrar que o título “Alone”, não restringiu-se apenas ao serial killer, mas em outros personagens com suas dores e particularidades.

Chega de delongas, porque muitos detalhes precisam serem comentados. #partiu

 

American Crime Story e suas Metáforas

Conforme comentei, a Season Finale foi carregada de metáforas, e não foram poucas. Por mais simples que elas tenham sido, elas representaram algo. Afinal de contas, assim com Andrew Cunanan, as aparências enganam.

E começamos justamente com a cena inicial que tratava sobre isso: enganar-se. Ao andar nas ruas, várias pessoas passam por Andrew Cunanan e ninguém o vê – até os policiais. Mostrou-se aqui como as pessoas não estão nem aí para as outros. E a cegueira proposital é reforçada com Marilyn Miglin (viúva de Lee Miglin) que questionou: “quando isso vai acabar? Quantos mais irão morrer?”. O que não deixava de ter razão. Após dois meses do crime de seu marido, a polícia não tinha nenhuma informação sobre o assassino. O que era algo preocupante, uma vez que Andrew era um dos homens mais procurados dos EUA.

A cobrança de Marilyn fazia sentindo, porque a polícia não estava dando importância às investigações, principalmente pelo fato das vítimas de Andrew Cunanan serem gays. Abordando aqui a hipocrisia, onde os direitos humanos são esquecidos por conta de discriminações. Porém esta não é uma chaga exclusiva das autoridades, mas entre aqueles que pregam “o amor ao próximo”, como o padre no funeral de Gianni Versasse. Além de suas feições demonstrarem sua reprovação, a retirada de sua mão quando Antonio D’Amico foi pedir a benção, trouxe à tona a frase: “nem todos que dizem senhor, senhor entrarão no reino dos céus”.

Apesar da postura contraditória, surge um questionamento, será que a mesma pessoa que prega a lei de amor, lembra que a justiça divina cobra na mesma intensidade sua postura anti-cristã? O assunto é polêmico, principalmente porque a religião tem um papel  fundamental na vida do indivíduo. Por mais que os caminhos sejam desviados, os dogmas estão enraizados no íntimo de cada um. E postura de Andrew durante a transmissão do Funeral de Gianni Versace, comprova isso – ao ajoelha-se para orar. Ali sua consciência despertou-se para o caminho trilhado, e de seu arrependimento – e pelo visto foi o que fez. Ao raspar seu cabelo, um novo começo estava sendo traçado. Até a oportunidade que teve de matar o caseiro na casa fluvial, foi dispensada, ao atirar para cima apenas para assustá-lo

Outra metáfora aqui usada, foi a do perfume de Marilyn Miglin. Nele a viúva, tem um momento saudosista, contando o real significado de seu perfume – que foi uma inspiração em sua mãe. Nele temos a mensagem de que tudo aquilo que é feito com amor, perpetua positivamente na vida. Tanto o sucesso de Marylin, quanto Gianni são reflexos daquilo que foi feito com amor. Andrew Cunanan ao ouvir estas palavras, sente um vazio interior. Caindo sua ficha de que viveu uma vida de aparências, resultando em sua queda ao fundo do poço. Tudo graças ao seu pai (Modesto Cunanan), o “Criador/Destruidor”, que além de seguir seus ensinamentos, ele era a droga que Andrew não conseguia largar. E como todo dependente, precisava de algumas doses deste vício – mesmo que para ser enganado novamente.

O momento em que os policiais cercam a casa fluvial, Andrew se depara com a imagem de sua infância sentado na cama – uma espécie de revival que todos tem antes de morrer. O flashback entre ele e Versace, mostra que o estilista tentou indicar a direção da inspiração, determinação e da autorresponsabilidade. Mas como estava cego, e acostumado a persuadir e manipular pessoas, perdeu-se no meio do caminho. Tirando vida de inocentes e no final a sua.

Encerrando as metáforas da Season Finale, temos Donatella Versace indo ao mausoléu de seu irmão. Nos minutos finais ela confessa ao irmão (Santo) que sente-se arrependida por discutir com Gianni, minutos antes de sua morte. Apesar de não ter culpa alguma, ela enxergava-se dessa forma distorcida – daí a cena do espelho.

American Crime Story e sua Crítica Social

Muito antes de ser lançada, Ryan Murphy divulgava que “The Assination of Gianni Versace” iria ser uma crítica pesada às discriminações aos gays. Porém durante a temporada pensou-se que o objetivo tinha sido esquecido – um tremendo engano. A Season Finale fez um apanhado geral, e descobrimos que todas estavam implícita na trama.

O interrogatório de Ronnie (Max Greenfield) foi o tapa de luva prometido. Ao ser pressionado pelos policiais, o colega de quarto de Andrew resolve soltar o verbo e diz verdades nada secretas. O afronte com as autoridades atentou o público sobre as investigações dos crimes de Cunanan – que foram um mero descaso. Sem dó e nem piedade Ronnie afirma que só estão atrás dele, porque uma celebridade foi morta. Caso contrário o caso seria encerrado.

“Pessoas como eu, apenas desvanecemos. Ficamos doentes e ninguém liga.”

Porém o descaso não partiu apenas das autoridades, a mídia teve sua parcela de culpa. Ao invés de darem ênfase aos crimes cometidos, reforçam fortemente que as vítimas eram gays, recheando seus plantões com insinuações, esquecendo dos sentimentos das famílias das vítimas. Mais uma vez Marilyn Miglin retorna para desconstruir esse quadro. Ao descobrir que seu marido ajudava pessoas em segredo, e que jamais deixaria de praticar o amor ao próximo, esta era a imagem que ela iria conservar: a de um homem bom e sem limites para ajudar.

American Crime Story: Live and Death of Andrew Cunanan

Um dos principais questionamentos feitos, era porque a série levava o nome Gianni Versace no titulo, quando o foco foi Andrew Cunanan? E novamente Ronnie retorna para respondê-la, a mão afirmar que Andrew “queria ser ouvido e que soubessem como é nascer em um mentira”.

Como a trajetória de sucesso de Gianni Versace já eraconhecida, ninguém fazia ideia sobre a trajetória fake de Andrew, que cresceu aprendendo habilidades deploráveis com seu pai (Criador/Destruidor) – até na arte de enganar-se com as próprias histórias. Como na entrevista em que afirmava que o filho é inocente e que estava focado em uma produção de um filme sobre sua vida, e que se chamaria “um nome para ser lembrado”. #Ata

E foi dentro desta dinâmica que The Assassination of Gianni Versasse foi trabalhada, através da Life and Death Andrew Cunanan, transformando-se em The Man Who Murdered Gianni Versace. Entregando Darren Criss usando e abusando de cargas dramáticas. Fechando seu arco e mostrando que “Alone”, foi para todos os personagens, que seguiram sua vida – cada uma para seu lado, com suas qualidades e conflitos.

E aqui encerramos nossa maratona de American Crime Story. Porém nossos debates são infinitos. Compartilhe sua experiência com a série e deixe seu comentário. Até a terceira temporada temos muito para conversar. Confira outras de nossas reviews aqui no panela de séries e analise sem moderação os episódios com a gente .

Até a próxima 😉

gostou da matéria? deixe um comentário!

Dandy Souza

Um libriano amante de um bom suspense casado com o belo terror psicológico, porque a vida precisa de emoções. Seu lema: "toda obra tem sua moral, então fique atento aos detalhes". Twitter: @dandysouza81

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries • Hosted by flaunt.nu