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American Gods – S01E06 – A Murder of Gods

O que veio antes? Os deuses ou as pessoas que acreditam neles?

Sempre teve alguns momentos no qual eu me perguntava como o mundo reagiria se Jesus voltasse hoje, pregando as mesmas coisas que pregava há 2 mil anos atrás. E eu sempre achava que ele seria muito mal tratado, por que quem é que trataria bem alguém que prega o amor a todo mundo nesses dias problemáticos em que vivemos hoje? Daí chega American Gods e mostra que, no fim das contas, não era só eu que pensava desse jeito.

No início do episódio, acompanhamos a saga de um grupo de imigrantes mexicanos tentando atravessar o Rio Grande e entrar nos Estados Unidos. Toda a construção desse momento é muito bem feita, com uma fotografia muito bonita e personagens que fazem com que a gente acredite que eles realmente tão vivendo aquela situação. Há uma cena particularmente bem feita, na qual uma das imigrantes, a mais velha entre eles, começa a rezar, pedindo proteção para o grupo. Depois disso, eles começam a atravessar o rio e aos poucos vão pisando em solo norte-americano. Porém, um deles, que não sabia nadar, começa a afundar e parece que vai morrer no fundo do rio. Porém, uma mão o puxa o resgata de uma morte certa. Em seguida vimos alguém caminhando sob às águas, alguém que toda nossa criação diz ser Jesus Cristo. O cara salvo pergunta quem ele é, e a resposta é bem emblemática, indo ao encontro de tudo aquilo que estamos vendo na série: “Você já sabe quem eu sou”.

Logo em seguida, surge uma luz e alguns veículos aparecem. Desses veículos surgem pessoas que fazem parte de um grupo de americanos que atiram e caçam imigrantes ilegais assim que eles cruzam as fronteiras. Sem nenhuma explicação, eles começam a atirar nas pessoas,sem poupar nenhum dos ‘alvos’. Jesus fica na frente de um dos imigrantes, tentando impedir que ele morresse. Mas tudo que ele consegue é levar dois tiros, um na mão direita e outro no peito. Ele caí no chão e fica deitado, com os braços estendidos e com sangue em um deles, além de ter uma coroa de cravos e um ferimento na altura do coração. A imagem é absurdamente emblemática e mostra que nem mesmo Jesus consegue ser mais forte que a maldade humana.

Depois disso continuamos a acompanhar as aventuras de Shadow e Wednesday e busca por outros deuses antigos, após finalmente conhecermos Mr. World. Shadow ainda tem dificuldades para acreditar em tudo que está acontecendo,  e Wednesday traz novamente a palavra chave disso tudo: sacrifício. Matar os policiais foi um aviso para ele, mas para Mr. World e o grupo dos novos deuses aquilo foi um sacrifício, e sacrifício é poder.

Tão acontecendo coisas na série que são bem parecidas com o livro, como o Wednesday falando pro Shadow que sabe encantos para todas as coisas, mas têm outras que são completamente diferentes, e nem por isso elas são ruins. Eu, pessoa escrevendo essa review, tenho problemas com alterações nas transposições de livros pra tv e cinema. Super entendo que não dá pra só passar de um meio pra outro, que mídias funcionam de maneiras diferentes, mas ainda assim tinha um pequeno pé atrás quando li que American Gods ia ser diferente do livro. Só que eu tô gostando das mudanças. No livro, a Laura não recebe toda essa atenção que recebe na série, e o Mad Sweeney aparece bem poucas vezes. E o Salim-não-Salim então? Outro que tá recebendo mais visibilidade e essa ligação entre os três funcionou bastante nesse episódio. Com o Salim dirigindo o táxi, com a Laura no banco do carona e o Sweeney deitado no banco de trás, as coisas tão seguindo um rumo que eu não esperava que a trama fosse seguir e tô gostando disso. À primeira vista, dá a total impressão de que vai ser um filler e que isso é só pra encher linguiça enquanto eles não tem nada mais importante contar na história. Mas é possível perceber que tem um motivo pra essas conversas estarem acontecendo, pra esses personagens estarem recebendo tanto foco.

Aparentemente, todo esse episódio foi construído pra ser uma crítica à cultura norte-americana como um todo, e em seguida nos deparamos com uma cidadezinha no interior onde as pessoas andam todas armadas, são todas brancas e andam com faixas vermelhas no braço esquerdo. Como Wednesday diz, todos nessa cidade são dedicados a acreditar em uma causa: os Estados Unidos, ou melhor, a visão deles dos Estados Unidos. A base da cidade é vista de longe, uma grande indústria de munição e armas que parece um vulcão vista de longe. O como o sacrífico é recorrente na trama, Wednesday e Shadow chegam na cidade no momento em que há pouco havia acontecido um sacrífico para o vulcão, que na realidade foi a queda de um funcionário em uma das caldeiras em que ficava o ferro fundido.

Diferente dos outros deuses que Wednesday buscou até agora, esse deus não passa por dificuldades. As pessoas ainda acreditam nele, ainda acontecem sacrifícios em seu nome, então tudo indica que ele é realmente poderoso. Shadow e Wednesday entram na casa dele e eles vêem o quanto ele gosta de caçar, já que todo o ambiente é decorado com animais empalhados que foram caçados pelo deus, além de diversos tipos de armas. Todas as balas produzidas na cidade são alimentadas com rezas e preces no nome do deus, o que explica a quantidade absurda de pessoas armadas e que disparam tiros por absolutamente nenhum motivo válido. Antes de irem pro Wisconsin, que é o lugar onde alguma coisa vai acontecer, Wednesday pede pra Vulcan que ele faça uma espada pra ele, pois ela será necessária quando a reunião acontecer.

E a espada é linda, parecendo algo que a gente veria o Jon Snow usando pra matar uns White Walkers. Mas Vulcan deixa claro que, em questão de mortes e sacrifícios por sangue, uma arma de fogo vai fazer mais dano em um dia do que se Wednesday e seus filhos e netos matassem quantas pessoas conseguissem. E é por isso, por essa discrepância, que Vulcan é tão forte, tão poderoso. Mas de que adianta todo esse poder se no fim das contas ele traiu o Wednesday? Ele contou pro Mr. World e seus aliados onde Wednesday estava, e que eles estavam indo buscá-los. E descobrimos que, na verdade, ele tinha sido esquecido pelos humanos e que não havia poder nenhum em suas mãos, até os Novos Deuses darem poder pra ele, mostrarem uma maneira dele ser forte novamente. Todo tiro disparado em um cinema lotado é uma reza no nome dele, e essa reza faz com que as pessoas queiram rezar ainda mais. Mas Wednesday é um deus antigo, poderoso, e dá pra imaginar o que acontece quando alguém traí ele. Com a espada recém forjada, ele decepa a cabeça de Vulcan, que cai no ferro derretido da própria fábrica. E se isso não fosse o suficiente, ele ainda mija no ferro pra deixar uma maldição.

P.S.: tem uma árvore na lâmina da espada. Já dá pra saber quem o Wednesday realmente é, não é?

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.


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