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American Horror Story: Cult – S07E01 – Election Night [Season Premiere]

“Os humanos amam o medo.”

A chegada da nova temporada de American Horror Story comprova o nível de maturidade alcançado, sem perder a sua essência: pegar referências do mundo do horror. Deixando um pouco de lado os elementos sobrenaturais, vista nas temporadas anteriores, desta vez teremos a exploração do terror psicológico.

Confesso que admiro demais este subgênero, pela experiência que ele permite ao espectador. Obras que utilizam o terror psicológico têm um grande propósito, mexer com o sensorial. A premiere desta temporada, nomeada Cult, proporcionou uma prévia de que o “medo” será o tema principal e que serão exploradas as limitações humanas em todas as formas, dentro de um contexto realista.

Prólogo

Election Night inicia com um prólogo de cunho político-social: a eleição de Donald Trump e o pavor das consequências de seu mandato. Enquanto uns sofrem a dor da decepção – Ally com uma crise de pânico, outros entram em um estado de êxtase indefinido – Kai deixando-nos a dúvida se estava celebrando, ou extravasando sua raiva. E o que dizer de uma figura política ser eleita , depois de uma campanha baseada em discursos de ódio e intolerância? Ryan Murphy deixa aqui seu recado sobre a atual situação política dos EUA.

Ainda dentro do tema política, temos a abordagem do “protesto em silêncio”, em que houve eleitores que votaram em Donald Trump, mesmo o odiando,  por não confiarem em Hillary Clinton. Temos uma cutucada a la Murphy à todos aqueles que tomam decisões emocional, ao invés do racional.

Medo e Fobia

É muito importante estarmos cientes da diferença entre o medo e a fobia. Porque serão a partir deles que serão trabalhados o terror psicológico desta temporada e ajudarao no entendimento do perfil dos personagens. Enquanto o medo é uma sensação de receio que não impede a pessoa agir, a fobia é um pavor específico capaz de tirar a liberdade do indivíduo.

Temos aqui estas duas diferenças representadas nas personagens Winter (como o medo) e Ally (como a fobia). Entenda agora:

Winter representa o medo por ter seus receios e mesmo assim, posui a capacidade de agir. Ela possui um medo de crianças, mas a sua capacidade de agir é manifestada através do aborto – fato este identificado no início com a sua preocupação do novo quadro político. Esta fortaleza íntima é comprovada, quando a garota está mostrando um Dark Web ao pequeno Ozz, filho do casal Ally e Ivy, e afirma que enfrentar o medo é como uma vacina – no início incomoda, mas depois lhe garante forças.

Ally já aqui, representa a fobia pela perda de sua liberdade em agir ao manifestar seus pavores: Tripofobia (aversão a buracos), coulrofobia (medo de palhaços), hemofobia (medo de sangue), claustrofobia (medo de lugares fechados) e Nictofobia (medo do escuro). A situação se torna mais delicada quando ela prefere se apoiar na esposa Ivy, ao invés de tomar seus remédios – tornando-se alguém cada vez mais dependente e vulnerável. Mas como todo escolha tem sua consequência, o casamento e psicológico de seu filho estão sendo afetados fortemente.

Controle

Assim como na vida, a série aborda a importância do controle como uma representação de autonomia do indivíduo. Mas para o alcance desta conquista, é necessário que a pessoa se conheça por completo, desde suas forças, à suas fraquezas. Sendo que fraquezas e limitações não trabalhadas, causam efeitos psíquicos devastadores.

O caso de Ally representa muito bem essa falta de trabalho em suas fraquezas e limitações, quando admite não gostar do uso de remédios em seus tratamentos de fobias. Temos aqui o tipico caso de camuflagem das limitações que se intensifica, à medida que não são tratadas. Quando menos se espera, estas fraquezas vem à tona motivadas por um determinado evento com alto nível de estresse – no caso de Ally, a noite de eleição.

A situação torna-se mais delicada, quando seu descontrole passa a refletir em seu casamento e na criação de seu filho, Ozz, que tem uma grande fixação pelo Twisty – o palhaço assassino. A falta do diálogo aprofundado com o pequenino, desvia a formação de seus valores morais – fazendo com que aprenda de maneira errada o real sentido de assassinato, através de sua babá Winter.

Por mais que seja um caso delicado, esta resistência de Ally pode ser considerado como um ato egoísta. Porque ela realiza terapia, a solução é apresentada, porém ela recusa por apenas contar com amparo e compreensão da família. E como fica a cabeça de Ive e Ozz? Ela acha que essas crises não mexem com eles? Que a longo prazo o nível de estresse em cima do dois não irá provocar danos irreversíveis? Do que adianta reclamar e não resolver? A verdade é que Ally está levando seus amores para o fundo do poço, tudo para não ficar sozinha – Apenas trago verdades.

A Intolerância

Kai é a intolerância em pessoa, indiscutivelmente. No decorrer do episódio descobrimos que além de sua aversão à diversidade sexual e étnica, ele possui um perfil manipulador. Suas provocações sempre estão no aguardo de uma reação, e fazem parte de uma estratégia em marginalizar os grupos que  ele discrimina – como exemplo temos: o insulto a um grupo de latinos, a manifestação de repulsa ao centro comunitário judeu e a jogada de café em Ally e Ivy.

E esse seu perfil asqueroso, é a forma que Ryan Murphy teve em abordar os conflitos de uma sociedade intolerante que alegam o termo “liberdade de expressão”. Com certeza, vamos ter outras manifestações repulsivas deste personagem no decorrer da temporada, principalmente pela sua obsessão em descobrir os maiores medos do ser humano.

Crossover

Claro que não podemos finalizar essa review, com a menção honrosa do crossover de Twisty – o palhaço assassino de Freak Show. Tivemos aqui a releitura da cena do ataque ao casal que estava em um piquenique em momentos íntimos. Foi um resgate bem intenso e agoniante, àqueles que têm medo de palhaço – como eu. Você está rindo?Ok, então diga com sinceridade: você sairia correndo para abraçá-lo com essa chegada triunfal?

Outro fator agoniante é o grupo de palhaços assassinos que executaram a família Chang. Inclusive a forma sádica e brutal do crime, lembrou demais os filmes Os Estranhos (2008) e Uma Noite de Crime (2013). Não é de se admirar. Afinal, como falei no início do post, American Horror Story utiliza várias referências do mundo do horror.

Para finalizar, preciso dizer que este foi um episódio muito além de um material introdutório. Tivemos dentro de 45 minutos, a abordagem de assuntos ricos em sua profundidade para grandes análises e reflexões: discriminações, intolerância, medo e fobia. Dando início de forma empolgante, a esta fase madura da série. Só nos resta aguardar os próximos episódios para ver o que Ryan Murphy tem a nos mostrar.

Me conte nos comentários o que você achou desta premiere e se você identificou outros elementos que não tenha mencionado aqui. Compartilhe com a gente. E lembre-se de contar apenas a verdade a partir de agora.

Até a próxima review 😉

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  • Bruno D Rangel

    Não foi um primeiro episódio excelente, mas também esteve longe de ser ruim. Sei que Kai e Winter são irmãos, mas ainda não entendi muito bem a relação deles. A frieza de Winter me faz ver ela como uma repetição de Chanel #3, mas com um pouco mais de noção (não sei se isso é bom ou ruim hahah).

    Fora isso, tenho uma pulga atrás da orelha que me diz que Ivy faz ou irá fazer parte do culto .

    E também espero que Twisty tenha algo mais a acrescentar e não esteja ali apenas para se poder dizer que há conexão com Freak Show.

    Detalhe para o nome de Ally, muito parecido com Sally (Hotel).

    • Dandy Souza

      Olá Bruno D Rangel, tudo bem com você? Você tocou em um ponto bem interessante sobre essa relação duvidosa de Kai e Winter – principalmente da postura da eterna Chanel #3. Porém o que pude perceber é que ela está agindo como um instinto de sobrevivência, por saber do que Kai é capaz.

      Quanto a postura fria de Winter, lembra quando ela comenta com Ozz que enfrentar o medo, é como uma vacina e que você acaba se tornando mais forte? Então, ela tem o controle de seus medos e não manifesta a outras pessoas, exceto para o Kai.

      Eu tenho a mesma teoria que Ivy faz parte do culto, eu a vejo muito centrada nas respostas sobre a fobia de Ally. Ela me passou uma compreensão disfarçada. Sem contar que as duas estavam discutindo sobre a “suposta traição” de Ally em não votar em Hillary Clinton – o que favoreceu a candidatura de Donald Trump. Aí entramos em outra questão: a perseguição de Kai em quem votou em Trump. Dai reforça a participação de Ivy no culto.

      Já o Twisty, não tenho muitas esperanças que ele estará envolvido em algo mais aprofundado na trama. Até porque os crossovers de AHS são relâmpagos demais. Só o que temos é esperar.

      Quanto a semelhança, pode ter sido algo proposital de Ryan Murphy. vamos aguardar o que os próximos episódios tem a nos oferecer.

      Um grande abraço.

Dandy Souza

Um libriano amante de um bom suspense casado com o belo terror psicológico, porque a vida precisa de emoções. Seu lema: “toda obra tem sua moral, então fique atento aos detalhes”. Twitter: @dandysouza81


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