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American Horror Story: Cult – S07E02 – Don’t Be Afraid of the Dark

Fobias, paranoias e medo como forma de controle.

Depois de uma estreia fraca, usual para a American Horror Story (quando foi a última première excelente mesmo?), sua continuação não faz por melhorar. Repetindo erros do piloto, trazendo e descartando personagens irrelevantes e com a sutileza de roteiro passando longe (sem falar o Horror), está sendo difícil continuar por esse começo.

Começando pelas partes de tensão. Há um sério problema aqui, que deixa difícil acreditar na série e história, já que, em quase todos os momentos de pânico, a linha da realidade alucinação é afrouxado, para depois sermos levados de volta à estaca zero de Ally está vendo coisas. Se é que ela está só vendo mesmo. Com exceção das aparições de Twisty (que pelo jeito voltou só para fazer um fan service), parece claro que os demais ataques de palhaço devem ser reais. Prova é que nada prejudicial acontece com Ally, como se eles estivessem ali só para perturba-la mesmo.

O que é frustrante e brochante, pois a trama parte para a tensão, ataque, temos um esperado susto e pronto, antes mesmo de terminar já sabemos que não vai dar em nada, não haverá nenhuma consequência direta ou nada de real impactante mostrado. Para não dizer saída preguiçosa e covarde de roteiro.

O design dos degenerados artistas circenses está bem feito: estranho, bizarro, legal. Porém fica somente nisso. A segunda vista já não surte o mesmo efeito, o que piora com o fato deles chegarem, darem uns buh e saírem. Não sei qual é a dessa de palhaços e não consigo sentir medo deles. De uns tempos para cá houve um surto. É ataque nos EUA, aparição em SP. E vêm essa temporada de AHS  na mesma época do remake de IT bombando nos cinemas, numa escolha bem marqueteira e conveniente. O hype é real.

Com a morte dos Chang, foram introduzidos os novos moradores na casa. Um casal fachada de amigos, com fascínio por abelhas e galões misteriosos. E armas, com carga para o apocalipse zumbi. Não dá para saber a importância dos vizinhos ainda, e qual sua participação no panorama geral, mas quando Winter disse que eles são super gente boa, atenta! e corre logo daí.

Precisamos falar sobre esses personagens. A season mal começou e já me sinto enjoado de todos. São bem rasos, principalmente Ivy, e nem Sarah tem conseguido me livrar da sensação de cansaço. Repetitivo. Como que já visto e abusado em outras temporadas esses caracteres. A única adição que soa nova e interessante é Winter (a atriz tem puxado bastante seu último papel em Scream Queens), com sua babá fria psicopata. I’m here for it.

Kai depois do ataque planejado, saí como vítima dos imigrantes intolerantes e pretende se candidatar a algum cargo política na cidade #forcei. Ah se todo agredido na vida fosse se candidatar kkkk. Sabemos suas intenções pelo seu discurso no piloto, e a ideia é boa. Impor o medo como forma de controle na sociedade.

Que esta é uma ferramenta usada pelos governos para manter domínio sobre as massas, nenhuma novidade, Stalin, ditadura, 11 de setembro, todo político que chegou ao poder, assim como a Igreja (com crenças todas baseadas no medo) e até mesmo um pai de família já lançou mão dessa arma. Funciona bem. Só ver como morremos de medo de perder o emprego, pois a inflação é a maior dos últimos 20 anos, ou como evitamos andar a pé e nos trancamos dentro de casa, pois no último Cidade Alerta bandidos esfolaram uma família a sangue frio.

A ideia é boa, está lá. O problema é execução. Passar bem e inteligentemente para a tela. Para uma boa sátira funcionar é preciso acurácia na observação com sutileza na transposição, que gere identificação e reflexão. E Ryan Murphy não é muito sútil em suas metáforas ou tecnicamente primoroso, além de gostar de pender para um lado. É direto, joga tudo mastigado, nada que se possa tirar uma segunda opinião ou que tenha várias camadas. Tudo muito obvio, raso, sem profundidade ou insight.

Quero ver como o plano de Kai e esse lance de culto se desdobrarão, mas não sei se estou disposto a acompanhar humilhação e dizimação de minorias gratuitamente, já vejo isso demais e só faz mal, por apenas uma visão distorcida e imprecisa do nosso mundo nesse espelho de AHS.

O que acho estranho é todo um esforço desse plano dirigido apenas para Ally. Palhaços maníacos, chegada de Winter, chegada de vizinhos, relacionamento com Ivy (já pode considerar ela do Cult neah). Tudo para infernizar um particular, e não a comunidade inteira.

O final foi bem meh e esperado. Quando Ivy mandou Pedro ir na casa já sabia que ela ia morrer por um surto Ally armada. Essa aquisição da arma em si, foi sem cabeça, já que, um liberal é contra o armamento (quebrando-se assim do senso comum ao qual foi criado) justamente por saber que arma não é defesa, pelo contrário, é perigo maior. Esse caso é comum, vide aqui.

Pedro entrou, morreu, e tudo parece bem orquestrado. O assassino do cozinheiro não foi apresentado (Ally esquizofrenia, Ivy ou culto?), Ally recebeu uma arma, apagão, pânico, Ivy manda Pedro deixar as baterias. Além de abalar o casamento das duas, esse homícidio pode despertar alguma emoção na cidade e leva-la a cadeia ou hospício (volta Asylum). E quem sabe no próximo episódio teremos um close de como e se algo aconteceu nesse apagão.

 

Twisty last smile 1: Não vou conseguir ser convencido que Kai é eleitor fanático de Trump estando ele com aquele cabelo azul totalmente alternativo nada conservador. É muita incongruência gente. Ou você acha que existe um eleitor de Bolzo com esse look?

Twisty last smile 2: Ainda nessa onda palhaços, aqui temos o verdadeiro palhaço assassino. E apara aliviar um pouco, Brave Little Toaster, desenho bizarro que trata a crise existencial de eletrodomésticos ante a possibilidade de poderem matar seus donos, tendo sonhos com palhaços demoníacos. Como não amar?

 

 

https://www.noticiasaominuto.com.br/justica/400779/idoso-mata-mulher-ao-confundi-lacom-assaltante-no-rs

 

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Robson Abrantes

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De Seinfeld a Sopranos.


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