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American Horror Story: Cult – S07E04 – 11/09

 “Coloque a dor em uma mão, e a raiva na outra mão. Use-as”

Serei ousado em dizer que este foi um dos episódios mais esperado por todos, porque foi a explanação do perfil de Kai Anderson e de suas estratégias. E se tornou mais saboroso com algumas referências do horror, como Stephen King e do consagrado filme Jogos Mortais. Vale ressaltar que tivemos algumas confirmações e revelações apresentadas que deram um tempero a mais, para esta degustação politicamente e socialmente incorreta.

Chega de delongas e vamos a nossa review, que temos muitos detalhes para conversarmos.

Os eventos apresentados acontecem em forma de flashback e, conforme falei, tivemos a oportunidade de conhecer profundamente o perfil de Kai Anderson. Tenho que admitir que o cara simplesmente fez um estudo aprofundado para traçar e executar suas estratégias, primorosamente. Ao invés de conseguir aliados que tivessem a mesma linha de pensamento, ele resolveu fazer diferente. Formou seu legado adaptando-se ao perfil de seus escolhidos, para conquistá-los – depois de investigar e identificar suas fraquezas e a raivas.

Seu encontro com Harrison e Beverly, além de ter sido uma estratégia de persuasão, despertou debates sobre diversidade e minorias, ao utilizar em seus argumento que: a sociedade vive de rótulos, que a desigualdade feminina e o racismo devem ser combatido, e que a diversidade é uma criação proposital dos esquerdistas e prejudicial à sociedade. Usando toda sua perspicácia, Kai consegue com sucesso, que seus pretendentes extravasem suas indignações.

Em particular, um de seus discursos me fez lembrar do conto “Extensão Justa”, escrito por Stephen King (livro Escuridão Total Sem Estrelas), quando ele diz a Harrison: “Pegue meu poder em suas mãos e recupere sua vida”. Vale esclarecer que há diferenças entre conto e o episódio. No conto o protagonista destrói a vida de outra pessoa indiretamente, já na série a vida é tirada cruelmente. E se tratando do Universo AHS qualquer semelhança não é mera coincidência, uma vez que a série é carregada de referências do mundo do horror.

“…Se tem alguém na minha vida, homem ou mulher, e eles são da minha equipe – um dos meus. Lutarei por eles, matarei por eles…”

Após Kai conseguir que Harrison extravase sua raiva e cometa um crime. O rapaz do cabelo azul passa para o segundo passo, conquistar a confiança do Personal Trainer. Como? Ficando ao lado de Harrisson, fazendo parecer que o estava ajudando – afinal o suporte é a chave da conquista. Já o processo com Beverly foi diferente. Como ele percebeu que a reporter era resistente e não confiava em ninguém, precisou cometer um crime em seu lugar para conquistá-lá, tirando de circulação a rival de sua escolhida, Serena Belinda.

Inclusive chegamos ao ponto em que todos estávamos esperando, algumas revelações sobre a quadrilha dos palhaços.

Ea primeira delas está relacionada ao simbolo maldito. Durante o processo de persuasão de Kai em cima de Harrison – literalmente plantando a semente da discórdia, Kai desenha o tal símbolo no banheiro da academia. Além de descobrirmos ser ele o autor do desenho, comprovamos que não se trata de uma simples marca, e sim um rito. A segunda revelação que tivemos está relacionada a formação da quadrilha de palhaços, que ocorre quando Beverly vai até a casa de Kai. Ao ser questionado pela repórter sobre seu envolvimento do massacre de Serena, ele admite e afirma que fez aquilo por ela. Sabemos agora que além de atuar diretamente nos crimes, ele é o cabeça do culto dos palhaços.

Uma outra descoberta, ainda envolvendo a quadrilha de palhaços, está relacionado ao massacre da família Chang – que ocorreu nos episódios um e dois. A primeira delas está ligada a candidatura de Kai, ao cargo de conselheiro municipal. É durante uma conversa com Beverly, que identificamos que o crime bárbaro foi praticado com intuito de garantir a abertura de vacância no Conselho de Michigan – e não em caráter de vingança pela humilhação sofrida no primeiro episódio. Outro ponto está relacionado a apropriação da residência dos Chang por Harrisson e Meadow. Ao analisarmos o discurso de fidelidade de Kai e a perda da casa dos Wilton para o banco. Concluímos que a mudança  nada mais foi que um presente de Kai ao dois, por estarem fazendo parte do grupo – já sabe que esse caminho não tem volta não é?

Claro que não podíamos deixar de falar sobre as eleições que são o recheio desta temporada. Tivemos o desenvolvimento de várias camadas dos principais personagens, e o resgate de algumas declarações de Kai, no primeiro episódio, sobre os humanos amarem o medo e construírem seus ideais a partir deles. Isso fica bem claro quando vemos a discussão entre Ivy e Gary, envolvendo os princípios democratas e republicanos, respectivamente. Ambos possuem argumentos carregados de agressividade, como forma de camuflar  os seus medos.

O dia da eleição, 08 de novembro de 2016, aqui foi trabalhado com a divisão da sociedade em grupos: os esperançosos (Hillary Clinton – Democratas), os opressores (Donald Trump – Republicano) e os irresponsáveis (que votaram em outros candidatos, ou em ninguém) – uma alfinetada que Ryan Murphy não iria dispensar com toda certeza. Nele o caráter dos personagens é avaliado a partir de suas escolhas na cabine eleitoral. Exceto Kai, que votou ciente que a vitoria de Trump abriria portas para seu plano de manipulação, até sua chegada ao poder – ou seja, ele é seu próprio ideal.

Vale mencionar que “11/09” também trabalhou a questão dos limites destes eleitores: até onde seriam capazes de ir para defender uma causa? Um grande exemplo é quando Winter e Ivy, tomadas pela raiva, agridem e se Gary Langstreet, para que ele perdesse a votação – após uma pesada discussão entre os três. O intolerante Gary, que estava algemado e movido pelo desespero, é motivado por Kai a corta seu próprio braço, para não perder a votação – cena esta que fez referência ao filme Jogos Mortais. Vale mencionar que este ambiente conflituoso abordou dois assuntos interessantes: a  devoção incondicional do ser humano por seus ídolos e o emocional ofuscar o racional.

Antes de finalizar precisamos falar novamente sobre o símbolo maldito. No início da temporada eu imaginava que o desenho representava a marca dos crimes dos palhaços. Porém ao ver Kai desenhando-o na porta de vidro da sauna e Harrisson não ter sido morto em seguida, conclui que aquilo tratava-se de uma identificação de quem faz/fará parte do culto dos palhaços.

Essa teoria é reforçada quando lembramos da cena de Ally acusando Harrisson e Meadow de desenharem o símbolo em sua casa, e os dois se entreolharam desconfiados. Sendo assim, o gesto do casal indicou que Ally é a próxima escolhida do culto – principalmente por seu perfil extremamente impulsivo. Outro fator que reforça esta teoria, é a conversa que Ally teve  com Kai na entrada de seu restaurante, em que ele dizia que a admirava por sua coragem – argumento este semelhante ao utilizado com Harrison e Beverly. Sendo assim, vamos incluir esses detalhes em nosso portfólio de evidências.

Falando em restaurante, você reparou que o restaurante em que o Kai e Beverly estavam conversando, era o de Ally e Ivy? Mais uma evidência de que Ally é a sua próxima escolhida. Afinal o rapaz dos cabelos azuis faz um estudo minucioso de todos seus pretendentes. Vamos aguardar os próximo episódios e ver o que estápor vir.

Enquanto isso, deixe seu comentário sobre o que você achou do episódio e suas teorias. Compartilhe com a gente e vamos conversar.

Até o próximo post.

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  • Bruno Dornelles Rangel

    Dói dizer isso, mas a falta da Ally parece que fez bem. Infelizmente, essa é a personagem mais chata da Sarah.
    Adina Porter, pelo contrário, mostrou que é uma grande atriz. Ri muito com o remix que fizeram dela batendo com o microfone no skatista hahaha.
    E Evan é muito bom fazendo papel de lunático/fanático.

    Tinha certeza que essa Ivy não era de confiança hahah

    Parabéns pelo texto, muito bem escrito.

    • Dandy Souza

      Olá Bruno, tudo bem com você?

      Partilho da mesma ideia sobre Ally. Sarah Paulson está atuando tão bem, que consegue passar o enjoo desta personagem.

      Quanto a Adina Porter eu prevejo mais destaques para ela na série. Achei muita graça nos momentos que ela estava irônica dando a notícia do corpo encontrado no lixão – sorrindo como se estivesse noticiando um resultado de concurso hahaha.

      Já Evan Peters, estou gostando das camadas de Kai, será interessante descobrir o medo e a fraqueza deste personagem. Afinal toda força, tem sua fraqueza – e na mesma intensidade.

      Fico feliz que tenha gostado da review, continue compartilhando com a gente suas ideias e teorias.

      Um grande abraço..

Dandy Souza

Um libriano amante de um bom suspense casado com o belo terror psicológico, porque a vida precisa de emoções. Seu lema: “toda obra tem sua moral, então fique atento aos detalhes”. Twitter: @dandysouza81


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