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Black Mirror – S02E03 – The Waldo Moment [Season Finale]

 “Este não é um episódio, não é marketing, é a realidade”

Começo a review com essa citação proferida pelos organizadores de Black Mirror no twitter. Mais um episódio extremamente real e ao mesmo tempo chocante. Porém, “The Waldo Moment” não nos choca por mostrar algo absurdo ou indigesto, mas por expor a sociedade desesperançosa em que vivemos.

Jamie Saltier é um humorista deprimido que realiza um show com um boneco virtual chamado Waldo. Neste show ele entrevistas políticos e autoridades importantes. Apesar de Waldo ter um aparência e comportamento infantil, o show é voltado para adultos, pois Waldo tem um linguajar bem controverso e sem qualquer tipo de limites. Ele usa isso em seu favor e engana os seus convidados tornando-os uma grande piada nacional. Contudo, Waldo é bastante popular e apresenta imensa aceitação do público. Na verdade, quanto mais Waldo incomoda Monroe, mas ele é aclamado pelo público.

Aqui já podemos observar o quanto a publicidade é importante para o crescimento desse personagem “repugnante”. Por mais que as notícias vinculadas a ele sejam negativas, a sua popularidade apenas cresce. Será que podemos ver isso em nossa realidade? Quem lembra como personagens nesse estilo cresceram no mundo real? Políticos com características similares ganham mais e mais espaço na mídia à medida que emitem mais comentários políticos extremamente desastrosos e preconceituosos. Nas eleições de 2014, o candidato à presidência Levy Fidelix era apenas um candidato sem qualquer expressividade nos debates eleitorais, mas bastou soltar uma pérola homofóbica em um destes debates e receber um processo judicial para ganhar cada vez mais seguidores e apoiadores em sua campanha. Vocês podem não saber nada sobre a vida política deste homem, mas tenho certeza que conhecem o famoso vídeo do “Órgão excretor não reproduz”.

Ao decorrer do episódio, Waldo vai se tornando cada vez mais invasivo na campanha do seu antagonista, “Mr. Monroe”, candidato à presidência. Proporcionalmente, Waldo vai se tornando cada vez mais popular e a campanha “Vote em Waldo” se torna real por mais absurdo que pareça. Waldo não tem qualquer pauta a não ser completamente nada político e ter um linguajar completamente ofensivo. Apesar de inicialmente o seu foco de ataques ser direcionado ao candidato de direita, Jamie chega a atacar inclusive a sua “namorada” Gwendolyn, evidenciando que seu personagem não tem qualquer propósito político bem definido a não ser o caos.

E por qual motivo tanta gente se identifica com esse urso mal educado e sem propostas? A população, não muito diferente do que acontece no Brasil, está completamente desesperançosa a respeito dos seus políticos. Isso nos leva a refletir na crescente dominação de candidatos caricatos como o deputado Tiririca que tinha como pauta de sua campanha descobrir o que um deputado faz. O povo se encontra tão sem esperança quer serja com a esquerda ou direita política que os ataques passam fazer mais sentido do que as propostas muitas vezes vazias e falsas dos demais candidatos.

Será que não fica mesmo?

Percebendo que o seu personagem está extrapolando todos os limites do aceitável e ganhando apoio massivo da população, Jamie abandona seu personagem e é substituído por Napier, que detêm os direitos autorais do Waldo. É interessante que a abordagem nos mostra que o Jamie é atacado pelo Waldo após desistir do cargo e a população participa disso. Isso mostra que Waldo não é visto como um indivíduo, mas sim um símbolo daquele sentimento de revolta crescente.

Ao final, Waldo fica em segundo lugar nas eleições, o que por si só já é assustador, já que ele não é ninguém ou não apresenta qualquer plataforma política. Não satisfeito, ele propõe um motim mostrando a força que detêm neste momento. Na realidade, personagens similares a Waldo tem surgido mundo afora. No Brasil, o candidato Jair Bolsonaro cresce com uma plataforma política vazia, mas motivado com discurso agressivo e que tem agradado grande número de eleitores. Caso parecido aconteceu nos EUA, quando Donald Trump concorreu as eleições com um discurso mais agressivo do que pautado em propostas coerentes. Vale lembrar aqui da importância que a divulgação desse tipo de pessoa tem para que se torne alguém forte. Por isso, se você não gosta de candidatos deste tipo, NÃO OS DIVULGUE! Por mais revoltado que você esteja, ignore, pois eles ganham força através da polêmica.

Todos esse episódio nos traz a tona o motivo do sucesso de Black Mirror, pois a série sempre nos critica e nos leva a uma auto-reflexão social. Por mais que pareça exagerado e forte a abordagem que a série propõe, ela nos assusta por não se mostrar tão absurda quanto deveria ser. Precisamos de uma cura!

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Nyegirton

Sarcástico e bêbado sempre que possível. Ama um bom meme e uma problematização. Apaixonado por humor, suspense, terror e trêta. Professor nas horas vagas.


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