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Black Mirror – S03E01 – Nosedive [SEASON PREMIERE]

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Black Mirror é classificada como uma série sci-fy, mas sabemos que ela é muito mais que isso. Cada um de seus episódios traz questionamentos muito atuais, porém ainda extremamente enraizados na natureza humana existente desde os primórdios do tempo.

O que acontece quando humanos e máquinas, tecnologias cada dia mais “artificialmente inteligentes”, passam a viver como um só? Quando nos acostumamos com os avanços frenéticos e vivemos em função de acompanhá-los?

“Nosedive” (“Queda Livre”, em português) vai fundo nessas questões, assim como de forma muito sutil também faz referência ao nosso sistema atual de “prestígio”, potencializado pelas mídias sociais.

(pior que dá pra você ser avaliado – ou avaliar um amigo – pela realidade de Nosedive sim, clica aqui)

A vida é tão mais fácil com a internet, os apps, as redes sociais, né? Não dá pra negar que é, mas é preciso saber balancear tudo isso com nossas questões “reais”, de carne e osso também. Não dá pra ficar tão fissurado no virtual, a ponto de perder nossos valores humanos.

E é exatamente nessa tecla que o 1º episódio na 3ª temporada de Black Mirror bate! Somos levados a acompanhar o declínio social (e emocional) de Lacie, causados pela supervalorização do virtual. Porque é como já dizia Beyoncé: “plastic smiles and denial can only take you so far”.

Vale lembrar que no universo desse episódio, TODAS as pessoas são avaliadas por seus prestígios virtuais; e quanto mais prestígio, mais benefícios você “destrava”. Daí você diz “ah, mas e não é assim na vida real, com o dinheiro? Quanto mais você tem, mais você se beneficia”. É sim, e esse é só um dos paralelos que nós podemos nos apegar em “Nosedive”.

A princípio somos apresentados à realidade de Lacie. Sua vida estável, seu emprego relativamente bem sucedido, seus conhecidos de prestígio, sua gentileza artificial e calculada. Lembre-se sempre de ser gentil com todos, afinal eles estarão sempre te avaliando. E é com esses valores que Lacie parece se importar acima de qualquer outra coisa e só tende a piorar com o tempo, como fica bastante explícito em seus diálogos com seu irmão “fracassado” (simplesmente porque ele não é socialmente ativo e tem um círculo de amizades bem “desavantajado”).

Toda essa fissura por “subir de nível” fica ainda mais frenética quando Lacie quer se mudar para o condomínio dos sonhos, mas ainda não está apta ao financiamento, pois não é bem avaliada o suficiente. Entretanto, ela recebe algumas dicas de com alcançar “the next level” em pouco tempo e finalmente encaixar-se no perfil necessário para adquirir o “lifestyle” tão desejado por todos.

Prontamente Lacie ativa seu modo “ex-BBB emergente” e se esforça ainda mais para babar os ovos dos mais importantes, deixando cada vez mais de lado àqueles que estão abaixo dela na pirâmide social e matando de vez qualquer vestígio de compaixão.

Ela então consegue chamar a atenção de sua bully de infância, bem avaliada, prestes a se casar com um rapaz de ainda mais prestígio. Claro que a aproximação das duas se dá de forma bastante rasa, com os dois lados interessados apenas naquilo que podem extrair uma da outra. Lacie precisa de Naomi para subir de nível e estando no casamento dela, em meio aos “amigos” bem avaliados é exatamente tudo que ela precisa; já Naomi precisa de Lacie para dar um discurso de madrinha, como uma “velha amiga” e tocar o coração de todos.

Lacie então começa a se preparar para viajar até o casamento de Naomi. Mas é agora também, que em meio a toda a afobação de finalmente conseguir aquilo que “sempre sonhou”, Lacie tem um pequeno encontro com a Lei de Murphy… Logo, toda sua jornada para o sucesso se torna mesmo é numa descida lamacenta para o fundo do poço.

Seu irmão tenta colocar algum senso em Lacie, ele tenta fazê-la lembrar do quanto sofreu por conta de Naomi e o quão superficial toda essa relação está sendo, claramente eles brigam. Lacie sai transtornada de casa e acaba esbarrando numa moça e derrama café nela, o que já lhe garante uma avaliação ruim pelo ato e bem… É só o começo.

O motorista do táxi a avalia ruim, ao chegar no aeroporto ela descobre que seu vôo foi cancelado, todos os outros estão cheios…. Teria uma saída, um encaixe, mas apenas disponível para pessoas avaliadas a partir de 4.2, só que devido aos recentes rankings baixos de Lacie, ela caiu de 4.2 para 4.183…  Assim, Lacie perde a linha, é desagradável com a atende, é retirada por seguranças e atuada à permanecer em “double damage” (isto é, toda avaliação baixa que Lacie receber, o dano será dobrado) e seu ranking oficialmente inicia sua “queda livre”.

Lacie então faz o que pode, contrata um carro de aluguel (um bem simples, afinal era tudo que ela tinha direito agora) e decidi dirigir até o casamento de Naomi. Afinal, nada poderia impedi-la de alcançar seus objetivos tão sonhados, alcançar o topo, ter seu lifestyle dos sonhos!

No meio do caminho, o carro descarrega e no ponto de recarga ele não é mais compatível, já era ultrapassado. Lacie tenta conseguir um adaptador com as pessoas na estação, mas claramente… O que ela, já tão mal avaliada, teria a oferecer de bom àquelas pessoas? Por que eles deveriam ser gentis com alguém tão inferior? Ela era menos que eles, logo continuou sendo ignorada e cada vez mais seu ranking despencava.

Cansada, despedaçada, em pânico mas ainda persistente, Lacie decide pedir carona. E olha, as pessoas até cogitam lhe oferecer carona, mas bastava checar o perfil avaliado em “2.8” de Lacie para virarem as costas, as mesmas pessoas que até hoje mais cedo abriam seus sorrisos plásticos e desejavam tudo de melhor para ela.

Ela consegue ajuda de uma senhora, motorista de caminhão e muito simples, porém talvez uma das poucas que ainda se recordam que dentro do peito existe um coração. Susan conta à Lacie a história de sua vida e como perder seu marido lhe abriu os olhos para a realidade artificial em que vivia. E apesar (talvez fosse melhor utilizar “graças à” aqui) da média baixa, Susan agora é capaz de viver o mais livre que já esteve. Não precisa se preocupar em lamber os rastros de seus “superiores”, não precisa mais se submeter a essa sociedade de castas e muito menos tem de se importar com aparências e status. Tudo que conta para ela é viver sua vida e absolutamente nada mais.

O discurso inspirador de Susan não é capaz de fazer Lacie desistir de seu objetivo final. Sendo assim, na manhã seguinte ela desce no ponto mais próximo à Portmary (seu destino) e vai em busca de sua próxima carona. No banheiro ela ouve uma conversa de fãs, cosplayers indo em direção à uma feira (semelhante à uma “Comic Con”) em Portmary; e prontamente ela decide se passar de fã também e consegue carona no ônibus das moças.

Quando elas descobrem a farsa de Lacie, ela é expulsa, tem mais uma avaliação baixa e literalmente se encontra no fim do poço. Naomi nota a média baixa de Lacie e logo mostra sua verdadeira face e a proíbe de sequer aparecer em seu casamento.

E com o seu mundo caindo em peso sob sua cabeça, Lacie segue já fora de si para completar seu objetivo: fazer o discurso. Suja, fedida, rasgada e descabelada; ela escala muro, passa por seguranças e chega à festa de Naomi.

Ela começa seu discurso da maneira que planejou, enquanto todos ao redor observam assustados com a situação, mas também cautelosos, afinal não podem agir rudemente… O que todos os outros iriam pensar deles, o que poderia acontecer com suas médias, certo?! Aos poucos, Lacie vai desmoronando cada vez mais, pega uma faca, fala verdades e solta mágoas na frente de todos… Talvez, pela primeira vez ela estava sendo verdadeira, e se era um discurso honesto que Naomi queria, isso foi o que Lacie realmente entregou.

Ela atinge o seu ponto mais baixo, vai presa e encontra um rapaz também preso na cela à frente. E eles começam a dizer tudo o que não gostam um no outro, sem pudores, sem cautela, sem passos calculados… Apenas falam tudo o que realmente pensam.

E a ironia de tudo é de que quando condenada e “presa” por uma sociedade doente; Lacie finalmente encontrou sua liberdade. FUCK YOU!

E o que fica é: não seja uma Lacie, não viva em função de seu status, não deixe a sociedade ditar como você deve viver, não deixe de ser você para agradar aos pessoas, não deixe de viver o que realmente importa por medo de reprovação. Seja livre! :p

p.s.: só não apareça no casamento das pessoas dando close com uma faca, hein.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.


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