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Black Mirror – S03E05 – Men Against Fire

Você também vê as baratas?

O episódio Men Against Fire, se passa em um futuro Pós-Apocalíptico com uma grande força do exército que pelo que podemos entender, protegem as pessoas de criaturas horrendas chamadas “Baratas”.

Seguimos então Stripe, nosso personagem principal e seu esquadrão, em sua primeira missão como um soldado para combater essas criaturas.

Stripe e seu esquadrão, depois de informações, chegam a uma casa onde as supostas baratas estariam escondidas, mas o que é Black Mirror sem sua tecnologia não é mesmo? Os soldados tem tradutores em tempo real (algo que seria super útil não é mesmo?) e implantes nos olhos e cérebro, em que podem se comunicar, mirar, receber informações e mapas, algo também muito útil em uma guerra.

Na casa, a comandante da operação nos explica de certo modo “o que são” essas baratas, são pessoas com um tipo de mutação e que transmitem doenças mortais e para completar são agressivos, são aberrações! Que medo gente!

Stripe e sua colega de esquadrão são atacados pelas baratas, e nosso personagem principal é acertado com algum tipo de dispositivo que a barata estava segurando, e parece que isso o fez mal de algum jeito…

Stripe começa a ter visões e a ver falhas no Sistema de Aprimoramento de seus olhos e cérebro com visões de sua namorada talvez? Mas de acordo com os médicos não há nada de errado com ele, então qual poderia ser o problema?

Stripe então parte para sua segunda missão com sua colega e sua comandante, e novamente, sua máscara “dá problema”, e nos faz perceber, até agora não tínhamos escutado barulho de pássaros, vento etc no episódio, Stripe também diz que nunca tinha sentido cheiro das coisas, como a grama, e então percebemos junto com ele, que a máscara é um tipo de aprimoramento que retira coisas básicas que compõe nossos sentidos humanos…

Após sua comandante ser morta por uma barata, Stripe e sua colega resolvem ir atrás da barata que estava escondida no prédio e descobrem um tipo de local de montagem do dispositivo que Stripe tinha sido atingido em sua última missão, e mais uma pergunta vem á nossa mente: Esses monstros tem consciência? Para que serve esse dispositivo afinal?

Com mais perguntas do que tudo, Stripe (e nós também), vasculha o prédio atrás das baratas, mas a única coisa que encontra é uma mulher. E então o nosso Plot Twist tão esperado de Black Mirror vem a tona quando sua colega Ray atira na mulher indefesa sem nenhum motivo, Stripe fica chocado com a ação de sua colega e após ir atrás dela pelo prédio, á vê metralhando várias pessoas inocentes sem motivo algum. E então vem o pensamento, que na verdade, as “baratas” não passam de pessoas inocentes.

Stripe então começa uma luta com sua colega Ray e lava um tiro, ele então leva a mulher e a criança para longe, mas como estava ferido não aguentou muito e desmaiou e quando acordou, ficou sabendo de toda a verdade.

E ai vem um dos momentos mais chocantes de Black Mirror, que particularmente, mexeu muito comigo, a mulher então explica que o implante nos olhos e no cérebro que os soldados tem, fazem com que eles vejam essas pessoas como monstros horríveis, perigosos e violentos e os civis os vêem como eles REALMENTE são, como pessoas, mas como pessoas doentes que não deveriam existir.

Mas qual o motivo disso tudo? Porque matar pessoas inocentes sem nenhum motivo? E ai vem a primeira parte da crítica social desse episódio incrível. Saindo um pouco do episódio, vamos pensar um pouco, no passado da humanidade e até mesmo nos dias de hoje.

Vamos direto ao ponto, ao preconceito e a segregação. A não muito tempo atrás milhões de pessoas morreram, pois de acordo com um homem e seus seguidores. Pessoas que não eram brancas, loiras de olhos azuis, que seriam o “padrão” correto de acordo com Ele, eram o que? Doentes, escória, não mereciam estarem vivos, pois seu sangue é impuro e doente. Ou até mesmo de uma religião diferente? Pois é, se encaixavam nas mesmas condições que citei.

Agora vamos um pouco mais para frente na história humana, pessoas que possuem ou contraíram doenças mortais e com um tabu tão grande, como HIV, o que essas pessoas eram até pouco tempo atrás? Promíscuas? Doentes? De sangue ruim, sujas.

Hoje em dia, as coisas estão “mais abertas”, mais quantos casos de violência e mortes aos LGBTs você não vê diariamente, ou quantos negros são mortos todos os dias? Deficientes? Existem? Pessoas que em HIV, câncer? Negros, judeus, Islã?

Quantos desses, ainda hoje, você não vê sofrendo algum tipo de preconceito ou até mesmo uma segregação na sociedade em que vivemos? E o que há de errado com essas pessoas? Só porquê elas são “diferentes” da maneria que se vestem, falam, pensam, creem, ou possuem alguma diferença ou condição física “diferente” quer dizer que essas pessoas são doentes? Que elas merecem morrer? Que elas são lixo, uma escória e seu “sangue” e genes não devem ser propagados?

Por esses motivos, seu colega gay, seu primo que tem HIV, sua amiga que é negra, eles são baratas?

De volta ao episódio, Stripe é encontrado por Ray e levado de volta a base, onde tem uma conversa com um tipo de médico, que só confirma a e reproduz a ideia de um outro cara que no passado pensava da mesma forma, que “essas pessoas” são a escória da humanidade e devem ser eliminadas, pois como o mesmo diz, “É preciso defender a sua linhagem”. Antes dos visores, estava na sua mão, matar alguém só porquê ele/ela se PARECE com um terrorista? Ou atirar em alguém só porquê ela é gay? Antes, era mais difícil, nem todos pensavam assim, mas depois das máscaras, é muito mais fácil atirar em um inimigo que parece um mostro do que em uma criança indefesa. Não é mesmo?

E com isso, vem a segunda parte que choca nesse episódio, que é o SEU poder de escolha.

O médico então mostra a Stripe o que ele REALMENTE fez, atirou e matou toda aquelas pessoas inocentes e da a ele A Escolha.

Ele poderia escolher ter a memória de tudo aquilo que houve apagado e voltar a ser um soldado “normal” sem se lembrar de nada, inclusive de que as baratas na verdade são pessoas. Ou ele poderia conviver com aquela terrível verdade para sempre.

Agora indo para o lado que Black Mirror nos faz pensar, se fosse você, o que você iria escolher?

E o que realmente importa, o que você faz diariamente? Você ignora todo o preconceito, discriminação e segregação que acontece ao seu redor? Ou você convive com essa terrível realidade todos os dias?

Você usa a máscara ou não?

Você também vê as baratas?

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Bruna Alves

Leonina, 18 anos, RJ, futura Engenheira da Computação, uma apaixonada por séries, música, tecnologia e games. As vezes, Geek até demais…


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