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Black Mirror – S04E02 – ArkAngel

Mother will protect you (?)

O segundo episódio de Black Mirror trouxe um tema bastante controverso, e que até hoje é tratado com certo receio, pois há uma parte conservadora que apoia a (super)proteção, e outros que são totalmente contra.

Então, aprofundando na história temos Marie, uma mãe solteira que da à luz a uma filhinha chamada Sara. Desde o parto, notamos um instinto diferente em Marie, pois no momento em que os médicos tiram o bebê por cesariana, ela fica um pouco ‘desesperada’ assim podemos dizer, quando os médicos levam Sara para um canto e não dizem nada, e ela só se acalma depois de ouvi-la chorando. 

Depois disso, Sara começa a crescer como uma criança comum, com sua mãe dando todo o carinho e atenção possível. Em um passeio no parque, durante o caminho nota-se o medo de Sara ao passar por um cachorro que late bastante para ela, sua mãe também se assusta e percebe o medo de Sara, mas esse ponto será relevante novamente mais a frente. Elas vão até um parque, e lá Sara começa a brincar no parquinho, e em um breve momento de distração de Marie, Sara vai atrás de um gatinho, e brevemente desaparece. Bastou isso para sua mãe entrar em total desespero, uma dúzia de pessoas gritando Sara, e sua mãe desnorteada sem saber o que fazer. Felizmente Sara é encontrada, e é aí que os problemas começam. 

Após o incidente, Marie leva Sara para um projeto gratuito chamado ArkAngel. O projeto consiste em um implante no cérebro da criança, que permite os pais monitora-los sabendo a exata localização em que eles se encontram, assim como ter a exata visão do que eles estão vendo. Além disso, o implante vem com um aparelho semelhante a um tablet, e é por ele que os pais observam seus filhos. O aparelho ainda tem uma função perturbadora, que é de filtrar qualquer suposta ‘ameaça’ para a criança quando é exibido um alerta de que o cortisol da pessoa está alto, o que significa que ela pode estar assustada, com isso, o pai/mãe pode ligar um filtro que coloca um borrão na visão da criança, e não permite que ela enxergue a cena que a assusta. 

Bom, depois disso a discussão começa, já que sua mãe começa a querer proteger sua filha de todos os males. Durante mais um passeio, sua mãe filtra a imagem do cachorro latindo para sua filha, e tudo que ela consegue enxergar é um borrão. Graças ao aparelho, ela também descobre que Sara está com o nível baixo de ferro no organismo, e com isso ela começa a fazer uma vitamina com suplementos para Sara, coisas que até então são ‘inocentes’. Sara então fica sozinha com seu avô em casa, e em certo momento, ele começa a passar mal e caí no chão, parecendo estar tendo um infarto. Sua mãe vê o alerta de que o nível de cortisol de Sara aumentou, e com isso ela liga o dispositivo para ver o que está acontecendo e acaba encontrando seu pai caído no chão (detalhe que ele estava com o filtro, então é provável que Marie usou o filtro não especificamente nele, mas sim na situação que o envolveu, pois ela pode digitar qualquer coisa no aparelho e colocar em filtrar, como por exemplo “filtrar acidentes”). 

Os anos se passaram e Sara cresceu, aparentando ter uns sete ou oito anos de idade, ela começa a ir para a escola. Nesse meio tempo seu avô faleceu, e como esperado, sua mãe não permite que Sara veja que ele faleceu, então ela filtra o tumulo para Sara. Na escola, Sara é uma menina parcialmente reclusa, mas que conseguiu fazer amizades. Ela no colégio é filtrada pela mãe a não ver certas coisas que seus amigos poderiam mostrar para ela, como sangue por exemplo. Entretanto, essa constatação deixa Sara perplexa, pois ela começa a perceber que sua mãe está privando ela de coisas naturais que acontecem na fase de desenvolvimento de qualquer pessoa. Em casa, Sara começa a desenhar um homem ensanguentado, e o desenho começa a se filtrar, logo, ela pega um lápis e finca no dedo para fazer o sangue sair e passa na cara, depois disso, ela começa a se ‘esfaquear’ com o lápis, o que causa o alerta e sua mãe vai imediatamente até Sara, que está se machucando incessavelmente, e quando interrompida, Sara sem pensar duas vezes da um tapa na cara da sua mãe. 

O recado foi dado, e depois disso, Marie promete não usar mais o ArkAngel com Sara. O tempo novamente passa, e Sara cresce até os quinze anos de idade sem sua mãe utilizar o ArkAngel. No colégio, Sara estava bem desenvolta, tinha seu ciclo de amizades e paqueras, entretanto, a sua paquera era Trick, um jovem rebelde que não era bem visto por Marie. Sara e Trick começam a se relacionar, e em certo momento, Sara mente para sua mãe e diz que vai para a casa de uma amiga assistir filme, entretanto, ela vai para uma festa em um lago junto com Trick. Lá, os dois começam a se envolver e acabam transando. Marie também tinha saído, e voltando para casa, viu que Sara não atendia ao celular, com isso novamente ela fica desesperada, assim como antigamente, e começa a ligar para vários pais de seus amigos. Em casa, ela acaba ligando o ArkAngel, e a cena que vê é indiscutivelmente uma tremenda invasão de privacidade, quando Marie vê Sara e Trick transando. 

Depois disso, a obsessão de Marie com a superproteção de Sara volta à tona, e ela começa a vasculhar todos os passos de Sara. O ápice do episódio, foi após Sara e Trick experimentarem drogas, Marie viu a cena, e depois disso foi até Trick o ameaçando para ficar longe de Sara. Trick termina com Sara por medo, e acaba a deixando sem chão. Com Marie investigando tudo que Sara fez com Trick, ela percebeu que Sara deveria ter engravidado dela na noite do lago, e com isso ela usa um remédio que faz com que a pessoa perca o bebê. Sara então começa a encaixar os pontos, e descobre que quem causou tudo isso foi sua própria mãe. Ela se revolta com Marie, e em um ataque de fúria, acaba espancando sua mãe e destruindo o ArkAngel, deixando tudo para trás, incluindo sua mãe largada ensanguentada no chão. 

Mesmo depois disso, sua mãe levanta perplexa, e vai atrás de Sara, em mais um momento de desespero e agonia por não ter mais sua filha sob sua proteção. 

Bom galera, eu gostei bastante do episódio, particularmente esperava que fosse um pouco mais chocante, mas ainda assim ele conseguiu de forma bem direta passar sua mensagem. A superproteção como eu disse no inicio da review é controversa, pois para aqueles que se consideram conservadores, podem aderir a ideia e dizer que tudo isso é para o próprio bem de seus filhos. É claro que também não é preciso ser conservador para achar que em algum momento de real perigo, como quando o avô de Sara passa mal e quase morre, essa tecnologia poderia ajudar, por exemplo, eu penso que o ArkAngel poderia dar certo se fosse usado em pessoas que sofre de Alzheimer, e poderia evitar muitas situações de perigo real para elas. Entretanto, em contraposição a isso, temos a falta de liberdade/privacidade daquele que está sendo constantemente vigiado e “protegido”. Hoje crescemos em um ambiente que é praticamente impossível fugir de informações revoltantes, perigosas e prejudiciais, mas acessa-las de certo modo faz parte de uma gama de processos de desenvolvimento e formação de caráter de qualquer pessoa. Privar as crianças de situações comuns mas que ainda são tratadas como tabu, como por exemplo o sexo, pode causar o que chamamos na psicologia de “recalque” na criança e possivelmente leva-la a algum problema futuro (como no episódio é retratado a desconfiança de Sara ser autista). Por conta do filtro que priva situações consideradas ‘extremas’, a criança pode crescer sem saber diferenciar as coisas, e seu poder de julgamento reduz abruptamente, sem contar que com devida certeza, os sentimentos como dor (de se perder alguém) é totalmente exaurido da pessoa, assim como é retratado no episódio quando o avô de Sara morre. Então acho que a maioria das pessoas concorda comigo que essa tecnologia causa mais o mal do que o bem, e que Black Mirror retratou de forma angustiante e assustadora, os males que ArkAngel poderá trazer, caso algum dia isso realmente exista. 

Bem pessoal, fiquem atentos nas reviews de Black Mirror, que logo logo sairão as próximas. Obrigado a quem leu, e nos vemos na próxima. 🙂 

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.


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