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Black Mirror – S04E03 – Crocodile

ABOMINAR – A•BO•MI•NAR
verbo transitivo
Sentir horror a, detestar: abomino a covardia

Abomino a covardia. Quando fui pesquisar o significado formal, bonitinho como escrito no dicionário, foi esse exemplo que encontrei. E acabou que de uma forma inesperada encaixou mais do que perfeitamente com o que eu queria expressar.

Eu não vou fingir e dizer para vocês que esse episódio é bom; ele não é. Seu pior defeito é ser vazio, não trazer uma discussão válida ou inovadora, levar o espectador por caminhos fáceis e se desprender do que faz “Black Mirror” uma das melhores séries da atualidade, a excelência em te fazer pensar para além do que foi visto na tela. Entrar no subjetivo, trazer de volta para a realidade, encontrar conexões e criar debates.

Mas, ainda assim, eu acho que é possível espremer esse limão azedo e pescar os assuntos que supostamente foram retratados em “Crocodile”. Digo supostamente, pois se ele tinha a intenção de realmente criar uma problemática, ela foi por água abaixo com o “plot twist” do final. O que mais pareceu uma extrema falta de inspiração na hora de finalizar o roteiro. Uma solução no maior estilo “quero surpreender no fim, só não sei como” e utilizar a primeira coisa que veio à mente.

Mas vamos aos pontos que realmente interessam e que podem render alguma discussão, né não?

Já começamos com a apresentação de um conflito. Mia e seu amigo (que está dirigindo) saem bêbados e loucos de uma festam e dirigem numa rodovia, acabam atropelando um ciclista, que vai a óbito imediatamente. Percebemos numa jovem Mia uma preocupação com a situação, ela quer pedir ajuda, ligar para o socorro, fazer algo por àquela pessoa. Mas é facilmente induzida a pegar “o atalho”, se livrar do corpo e fingir para sempre que nada aconteceu.

É fato que quando somos jovens, temos menos experiência, temos menos responsabilidades, na maior parte do tempo nossas vidas não estão inerentemente ligadas à dependentes e temos tempo suficiente para errar e consertar nossos erros, aprender com eles e daí então, adquirirmos experiência. Uma Mia jovem, sem futuro, não tinha muito a perder, logo, estava mais propensa a aceitar a pagar por seu erro. Mas não foi isso que aconteceu e ela seguiu sua vida, construiu uma família, conquistou uma carreira bem sucedida. E claro que, nesse cenário, pagar por um erro passado não se encaixava mais; deixar o passado no passado parecia sim ter sido a melhor solução.

Mas como dizer por aí, tudo que a gente faz volta. Mia reencontra seu passado querendo redenção, ela tinha agora a chance de “ligar para o socorro”, anos e anos depois. Mas muita coisa havia mudado, inclusive seus próprios instintos. A menina que, por uma vez, sua primeira reação foi querer ajudar, agora só queria enterrar essa história de uma vez. Ela faz sua segunda vítima, de forma improvisada, ela mata o amigo que queria contar a verdade. Se livra do corpo e acha que com mais uma morte em sua conta, tudo estaria resolvido.

O que realmente acho engraçado aqui é a lógica boba do episódio. Já assistimos um personagem em queda livre nessa série, num cenário diferente, mas ainda em sua jornada para a desgraça, em “Nosedive”. Mas a diferença é que no episódio da 3ª temporada os acontecimentos fluem naturalmente, aqui não. Por muitas vezes soa forçado, e as “coincidências” que levam um “reavivador de memórias” até Mia realmente é coisa cinematográfica.

Em suma, Mia não encontra seu oásis da solução com mais uma morte, como já era de se esperar. Num desenrolar de acontecimentos que beiram o surreal, uma agente de seguros chega até Mia para convocá-la como testemunha do acidente de seu cliente.

Para tentar chegar mais perto de nossos corações, a série tenta nos apresentar a família da agente. Conhecemos seu marido, seu filho bebê e a recém aquisição da família: um porquinho da índia. Em forma de diálogos somos levados à entender que eles não têm muito dinheiro, logo, quanto antes ela resolver o caso de seu cliente, melhor será o pagamento da empresa.

Mia se vê, mais uma vez, encurralada. E qual é a brilhante saída da Katy Perry dos infernos, mais uma vez? Isso mesmo, a espertinha acha que brincando de deus e tirando MAIS UMA vida, vai conseguir jogar tudo para debaixo do tapete. E ela não para por aí não.

Assim que fica sabendo da família da agente, ela decide que não pode deixar rastros e vai até a casa da família para exterminar quem quer que possa sentir falta da moça e direcionar-se à polícia. Eu acho tão tolo estar descrevendo um acontecimento tão raso numa review de Black Mirror e confesso que estou bem exausta, mas vamos lá.

O grande ápice do episódio é quando Mia enfrenta seu maior dilema. Ela fica cara a cara com o filho BEBÊ do casal. E por saber da tecnologia de reviver memórias, ela sabe que realmente não pode deixar rastros. O que me “mata” é que… Ela nunca esteve no plano de visão da criança (mesmo que não fosse cega), ela não falou alto, sua voz não poderia ser reconhecida, ela se direcionou ao guardo do bebê apenas quando o ouviu chorar. Ou seja, se ela simplesmente tivesse partido… Não teria como ser pega.

Mas ok, o episódio precisava de um “plot”, né autores? Então, sendo mais burra que uma mula, Mia chega no quarto da criança e faz o abominável… Mata o bebê.

Acham que a falta de senso de “Crocodile” acaba por aqui? Mera ilusão. Mia é descoberta. Como? Ela esqueceu do porquinho da índia, gente. Isso mesmo, o grande “plot twist” do nosso episódio é um porquinho da índia.

Sabe o que isso me parece? Uma tentativa desesperada de enfiar um plot twist num episódio que se perdeu nos 3 primeiros segundos. Não posso dizer que o que senti com isso foi choque, porque não foi. No máximo me senti envergonhada por uma solução de roteiro tão rasa, sem significado, sem uma explicação que nos remeta à algo de valor.

Se alguma alma boa conseguiu entender a mensagem por trás do porquinho da índia, por favor… Sou toda ouvidas. Me adiciona no Facebook e vamo discutir isso, por essa água de Jesus, LOL. Eu estou finalizando essa review bem triste, mas me conforta saber que a que vem a seguir é simplesmente BRILHANTE! Então, nem percam muito tempo por aqui, já corram pra ver “Hang The DJ”! :p

 

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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