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Black Mirror – S04E06 – Black Museum [Season Finale]

“Finalizando a temporada com chave de ouro, um episódio com várias referências à própria série.”

Desde que saíram os nomes dos episódios da quarta temporada de Black Mirror, o “Black Museum” foi o que mais me despertou interesse, porque só pelo título dava para ter ideia que seria um episódio no mínimo interessante. Levando em conta o último episódio da temporada anterior “Hated In The Nation“, as expectativas para esse sexto episódio da temporada só foram crescendo à medida que novas informações do episódio eram divulgadas. O episódio tem uma estrutura bem semelhante ao especial de Natal exibido na segunda temporada, reunindo três contos “reais” macabros que no final das contas acabam tendo uma conexão ao fim do episódio.

No início do episódio, tive a falsa impressão que o episódio seria ambientado nos anos 70, por conta do carro, o cenário desértico, a música tocando no carro e até o visual da protagonista Nish, porém toda essa sensação de uma viagem ao passado é quebrada ao ver o carro sendo “carregado” através de placas solares. Enquanto deixa seu carro carregando, Nish segue para um museu bem ao lado do posto de carregamento do carro e aí começa sua visitação ao Black Museum, um museu que reúne famosos artefatos usados em crimes. O proprietário do local é Rolo Haynes, um antigo funcionário responsável por encontrar pessoas dispostas a participarem como cobaias para uma empresa de pesquisas neurológicas do Hospital Universitário Saint Juniper, conhecida como TCKR. Sendo Nish a primeira e possivelmente única visitante do dia, ela começa sua tour pelo museu com o próprio Rolo como seu guia, contando-lhe três das histórias por trás dos misteriosos objetos expostos.

Diagnosticador Sinfático de Dawson

O artefato é um dos testes neurológicos desenvolvidos pela TCKR e oferecida ao Dr. Peter Dawson por Haynes, com o objetivo de possibilitar um diagnóstico mais eficaz e correto de seus pacientes. Inicialmente foi uma grande aliada no trabalho do médico, mas com o passar do tempo, o doutor perde o controle total dessa sensibilidade e desenvolve uma  relação masoquista, sentindo prazer na dor alheia. A situação fugiu tanto de seu controle, que ele passa a se mutilar e não sendo o suficiente para alimentar seu bizarro vício, ataca um morador de rua  com o intuito de sentir a mesma dor intensa que ele causava. Acabou sendo pego pela polícia e levado ao hospital universitário encontrando-se num coma profundo.

Transferidor de Consciência

Jack e Carrie são um jovem casal feliz com o nascimento do seu filho, porém um acidente trágico causa o coma profundo dela. Aproveitando-se da vulnerabilidade de Jack, Haynes oferece um método capaz de transferir a consciência de Carrie para ele. A transferência de consciência permitia que a jovem pudesse estar com seu filho, através da consciência de Jack. O problema maior é quando os conflitos surgem por conta da divergência nas atitudes, em especial quanto a vida amorosa do seu agora ex marido. A solução dada por Haynes é transferir a consciência de Carrie para um macaco de pelúcia, limitando-a se expressar sonoramente apenas com as frases “macaco te ama” e “macaco precisa de abraço“.

A transferência de consciência para o macaco de peúcia foi considerada ilegal pelas autoridades, tornando-se um crime que levou a demissão de Haynes da TCKR.  Detalhe é que a consciência da jovem Carrie ainda encontrava-se dentro da tal pelúcia exposta no museu.

Holograma de um Homem Condenado

A atração principal do museu e também a mais macabra, trata-se do holograma de um homem condenado à cadeira elétrica. Antes mesmo de sua condenação, Haynes procura por Clayton, acusado pela morte de uma jornalista, para assinar um contrato que poderia beneficiar muito a sua família em troca de sua consciência após sua ainda possível condenação à morte. Além de usar da consciência do homem executado na cadeira elétrica, o doentio Haynes desenvolveu uma tecnologia que ainda permitia que o holograma sentisse novamente o choque da cadeira elétrica por dez segundos, o tempo limite que não afetaria a consciência do holograma ou até mesmo o seu fim.

Plot Twist

O grande momento do episódio é quando Nish revela-se filha de Clayton, com um plano de vingança muito bem arquitetado, a jovem  desligou propositalmente ar condicionado hackeando o sistema de ventilação do museu e deu para Haynes a água envenenada que causou seu asfixiamento. Além da atrocidade feita com seu pai, Haynes ainda foi o culpado pelo suicídio de sua mãe que vendo seu marido em holograma e em estado vegetativo, decorrente do desespero do dono do museu que depois de ver seu estabelecimento cada vez menos frequentado e sendo visitado apenas por perfis psicopáticos, permitiu que seus novos visitantes ultrapassassem o tempo limite. Não satisfeita em apenas matar o doentio dono do museu, ela transfere a consciência de Haynes para Clayton, usando o mesmo método que ele usou em Jack e Carrie, o intuito disso era que ela pudesse fazê-lo provar dos seus próprios testes macabros e acabar de vez com consciência quase nula de seu pai. Nish ao lado do macaco de pelúcia ver o psicopata Hayes morrer pela “segunda vez”, utilizando os mesmos métodos torturante que ele orgulhosamente apresentava no museu. Após dá o fim merecido ao homem que desgraçou sua família, a anti-heroína coloca fogo no bizarro estabelecimento e no fim do episódio descobrimos que além da presença do macaco de pelúcia em seu carro, ali também encontrava-se sua mãe em sua consciência, orgulhosa por sua filha ter cumprido perfeitamente a sua vingança.

Refletindo sobre o Episódio

O episódio apresenta três excelentes histórias macabras que traduzem bem o termo já conhecido “Isso é muito Black Mirror“, sendo que qualquer uma delas poderiam render um episódio completo. Sabendo que Black Mirror sempre tem um plot surpreendedor, era esperado que o final seria muito mais que apenas alguns contos aleatórios. Revendo o episódio é possível ver que desde o início a história já se encaminhava para o final mostrado, desde a Nish observando o ar condicionado ao chegar no local, passando pela água oferecida a Haynes e se concretizando com a apresentação da última e principal atração do museu, uma história muito bem roteirizada e fugindo da previsibilidade, sem perder a coerência. O maior plot do episódio para mim foi o fato dela ter a consciência de sua mãe transferida para si mesma, uma jogada de mestre do autor.

Esse último episódio da temporada, trouxe questionamentos como a questão do sadismo, representada pela figura do doutor com seu comportamento obsessivo obtendo prazer com a dor do outro, os visitantes do museu usando a cadeira elétrica no holograma como forma de diversão, além de Haynes que orgulhosamente apresenta de forma sádica todos os seus experimentos macabros, sabendo de toda a dor que aquilo já causou em alguém, um assunto que já foi muito bem abordado nos episódios “The National Anthem“, “White Bear” e “Hated in the Nation“. A questão de uma possível vida após a morte também foi um assunto abordado através da transferência de consciência de Carrie e o holograma com consciência de Clayton, o episódio abordou a forma que as pessoas lidam com a morte de alguém querido e ainda mostra o quão perigoso seria se pudéssemos de alguma forma poder guardar algo deles ainda vivo em nós, assunto abordando ainda de forma mais complexa nos episódios “Be Right Back” e “San Junipero“. Além dos questionamentos que são a essência de todos os episódios, as consequências imprevistas das novas tecnologias e o questionamento do certo e errado. Outro ponto de destaque do episódio, são os diversos easter eggs referentes à episódios anteriores, o que só comprova que todos os episódios estão conectados, todas essas referências foram visuais e sonoras, passando por episódio de todas as temporadas. Outro grande ponto positivo, mas de uma forma geral na temporada, foi o empoderamento das mulheres no papel de protagonista em todos episódios da temporada, representando personagens fortes e de personalidade complexa, um grande acerto da Netflix e da série levantar essa bandeira, em especial nos tempos atuais onde a briga por igualdade de gênero tem tomado cada vez mais força.

Espero que vocês tenham curtido ter acompanhado esse episódio comigo e o demais da temporada aqui no nosso site, aguardamos vocês para uma próxima e agradecemos todos vocês por acompanharem a série aqui no Panela de Séries. Fiquem ligados nas publicações do site e até uma próxima!

 

 

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Michel Araujo

Meio baiano, meio sergipano, já passou dos 20 anos e um sofrido estudante de engenharia, com uma personalidade cheia de atitude e uma leve ousadia. Viciado em séries, realites e músicas, vai me encontrar sempre por aí escrevendo reviews, numa diversidade de gêneros de série e programas de TV.

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