27 de fevereiro de 2017
Cobertura Oscars 2017

“La La Land” representa todos nós na vida, até na hora de “receber” prêmios.

E se você ainda tinha dúvidas de que 2017 já é o melhor ano, basta assistir esse Oscar até o final para ter certeza disso! Que loucura, minha gente!

Apesar de ter sido uma premiação BEM morna durante quase toda sua transmissão, o final fez valer o ticket sim, meus amigos! Mas, vamos ser certinhos e começar pelo começo, pode ser? Haha.

Demos início ao Oscar 2017 já com a primeira atração musical da noite. Justin Timberlake fez uma entrada triunfante até o palco, performando o seu grande hit “Can’t Stop The Feeling!” da animação infantil “Trolls”! Confere só a desenvoltura e o molejo do muso que colocou todos para remexer o esqueleto:

Neste ano tivemos o apresentador de talk show, Jimmy Kimmel como o host oficial. Eu vou ser sincera com vocês e dizer que não me agradou não. Não tem nada de muito importante que eu possa destacar em seu discurso de abertura e também não houve nada de muito especial protagonizado por ele. Talvez seu melhor momento tenha sido ao reencenar a cena do Rei Leão com o adorável pequeno ator Sunny Pawar (de Lion: Uma Jornada Para Casa).

E então, abrindo a sessão de prêmios, Alicia Vikander subiu ao palco para anunciar o vencedor da categoria “Melhor Ator Coadjuvante”, confira os indicados:

 

  • Mahershala Ali (Moonlight: Sob A Luz do Luar)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
  • Lucas Hedges (Manchester Á Beira Mar)
  • Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
  • Michael Shannon (Animais Noturnos)

 

 

Mas o prêmio ficou mesmo foi com o Mahershala Ali, que inclusive faz história sendo o primeiro ator muçulmano a receber um Oscar!

Dando sequência e entrando nas categorias técnicas, tivemos alguns choques, hein! O bastante criticado “Esquadrão Suicida” acabou derrotando “Star Trek: Sem Fronteiras” e levando “Melhor Maquiagem e Cabelo”.

E o campeão de indicações de 2017, “La La Land” acabou sendo derrotado por “Animais Fantásticos e Onde Habitam” na categoria “Melhor Figurino”, onde era altamente favorito. E vale dizer que Animais Fantásticos garante o primeiro Oscar à uma das obras da adorada JK Rowling!

Logo após tivemos “Melhor Documentário” onde “OJ: Made In America” acabou vencendo. Mas confira todos os indicados:

  • Fogo no Mar
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Life, Animated
  • O.J.: Made In America
  • 13ª Emenda

E para dar um “up” em tudo Lin Maniel e Auli’i Cravalho (dubladora da protagonista Moana) subiram ao palco para apresentar a canção “How Far I’ll Go”, da animação da Disney, “Moana: Um Mar de Aventuras”. Foi bem gostosinha, saca só:

E logo após, em sequência, tivemos mais 2 tombos técnicos para “La La Land”. Em “Melhor Edição de Som” quem levou a melhor mesmo foi o maravilhoso “A Chegada”. Já em “Melhor Mixagem de Som” o prêmio ficou para o filme do Gibson, “Até o Último Homem”, acentuando ainda mais o favoritismo que filmes de guerra têm nessa categoria.

E então, finalmente chegamos a um dos momentos que eu mais estava esperando! A coroação suprema da minha inspiração de vida, da mulher que me faz sentir orgulho de ser mulher, da atriz que me faz chorar e desejar ter apenas 1% da glória natural dela! Concordo que esse pode não ter sido o papel mais brilhante da Viola, e que outras atrizes, como Naomie Harris (que gravou toda sua participação no filme em apenas 3 dias) seriam tão merecedoras quanto. Mas minha gente, já passava da hora da Viola receber o prêmio máximo do cinema! Era o ÚNICO que faltava para a rainha completar a tríplice! Mas olha só como o páreo para “Melhor Atriz Coadjuvante” estava difícil:

  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
  • Naomie Harris (Moonlight: Sob A Luz do Luar)
  • Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Pra Casa)
  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester À Beira Mar)

Com um discurso lindo sobre família, sobre amor e com a habitual desenvoltura sensação que Viola tem em se expressar, ela nos levou às lágrimas ao se consagrar como a primeira atriz negra a ganhar o Tony Awards, o Emmy Awards, e agora, o Oscar!

Na categoria “Melhor Filme Estrangeiro”, tivemos o Iraniano “O Apartamento” levando a estatueta dourada. Porém, todos os indicados decidiram não comparecer à cerimônia, como forma de protesto à política de fechamento de fronteiras dos Estados Unidos, implementada pelo atual Presidente Trump. Eles mandaram representantes ao palco, para ler um discurso de cunho politico, social, e principalmente, humano muito forte e bonito.

“Direitos humanos não é algo que você precisa se inscrever. Eles simplesmente EXISTEM – para todos. Por esta razão, dedicamos este prêmio à todas as pessoas, artistas, jornalistas e ativistas que estão trabalhando para promover a união e a compreensão, e que defendem a liberdade de expressão e a dignidade humana – valores cuja proteção é mais importante do que nunca. Ao dedicá-los este Oscar, esperamos expressar nosso profundo respeito e solidariedade por eles”.

Confira o discurso na íntegra aqui.

E continuando a bela sequência de momentos emocionantes, Sting subiu ao palco para apresentar sua linda canção “The Empty Chair”, do documentário “Jim: The James Foley Story”. Confira:

Então, entramos nas categorias de animação, com os favoritíssimos “Piper” e “Zootopia: Essa Cidade É O Bicho” levando “Melhor Curta de Animação” e “Melhor Animação”, respectivamente.

FINALMENTE “La La Land: Cantando Estações” conseguiu levar seu primeiro prêmio da noite! Na categoria “Melhor Design de Produção”. Que é exatamente aquela categoria onde todos se perguntam “mas o que diabos essa categoria premia mesmo?!”, haha. Talvez uma das mais improváveis para o musical, mas e daí? O que importa é vencer! (será?)

A categoria de “Melhores Efeitos Especiais” é quase sempre uma das minhas preferidas. Pois é incrível assistir a filmes belíssimos visualmente e se perguntar “mas gente, COMO eles fizeram isso aqui?”. E apesar de Mogli: O Menino Lobo ser o grande favorito (e com merecimento), era uma categoria bem “stacked”:

  • Horizonte Profundo: Um Desastre no Golfo
  • Doutor Estranho
  • Mogli: O Menino Lobo
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Rogue One: Uma História Star Wars

Seguimos então com “Melhor Montagem”, que acabou premiando um dos mais fracos (na minha humilde opinião) da categoria, rendendo o segundo prêmio da noite ao “Até O Último Homem” do Mel Gibson. Confira os concorrentes e tire suas próprias conclusões:

  • A Chegada
  • Até O Último Homem
  • A Qualquer Custo
  • La La Land: Cantando Estações
  • Moonlight: Sob A Luz do Luar

Em sequência tivemos as “categorias irmãs”, “Melhor Curta Metragem” e “Melhor Documentário de Curta Metragem”, premiando o doce “Sing” e o importante “Os Capacetes Brancos”, respectivamente.

Apesar de James Laxton (Moonlight: Sob A Luz do Luar), ser possivelmente, o mais ousado e inovador dos concorrentes; e Bradford Young surpreender bastante com “A Chegada”, ainda mais por se tratar de um Sci-Fi, quem acabou levando a estatueta de “Melhor Fotografia” foi Linus Sandgren (La La Land: Cantando Estações), pontuando a segunda vitória da noite para o musical.

E comemorando a vitória (não), Emma Stone e Ryan Gosling subiram ao palco para anunciar John Legend, cantando um combo de “City of Stars” e “Audition [The Fools Who Dream]”, ambas músicas do filme “La La Land: Cantando Estações” e ambas concorrendo à melhor canção; inclusive, muito possivelmente as duas favoritas! Vem ver esse lacre:

E porque o clima já estava todo “La La Land” mesmo e seguindo a onda, o musical garantiu mais um homenzinho dourado para o Justin Hurwitz (La La Land: Cantando Estações), na categoria “Melhor Trilha Sonora”,  e de brinde, num belíssimo combo, ainda levou “City of Stars” à glória máxima na categoria “Melhor Canção Original” (para a tristeza de minhas luluzinhas, que torciam por seu muso JT levar com “Can’t Stop The Feeling”) :'(

E a homenagem póstuma a todos aquelas que nos deixaram no cruel 2016, ficou por conta da talentosíssima Sara Bareilles cantando “Both Sides Now” da Joni Mitchell. Vem chorar, vem:

“May the force be with you”

Então, finalmente chegamos aos principal prêmios da noite! YAY! Assim, tivemos “Melhor Roteiro Original”, já surpreendendo muita gente ao premiar o brilhante Kenneth Lonergan (Manchester Á Beira Mar), ao invés do queridinho Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações).

E sem grandes surpresar, a categoria prima, “Melhor Roteiro Adaptado” ficou para o inspirador “Moonlight: Sob A Luz do Luar”!

Mas pra provar que não iria sair de mãos vazias, Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações) fez valer seu favoritismo na categoria de “Melhor Diretor”, consagrando o jovem diretor como um prodígio da atualidade!

  • Dennis Villeneuve (A Chegada)
  • Mel Gibson (Até O Último Homem)
  • Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
  • Kenneth Lonergan (Manchester À Beira Mar)
  • Barry Jenkins (Moonlight: Sob A Luz do Luar)

Brie Larson subiu ao palco para anunciar a vitória do conturbado Casey Affleck (Manchester À Beira Mar) por “Melhor Ator”. Quem pareceu não ficar nada feliz com isso foi o também nomeado, Denzel Washington! Casey até tentou fazer a Adele ao dizer que o Denzel sempre o inspirou, mas não foi muito bem recebido pelo colega não, viu.

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Em sequência, o nosso adorado Leonardo DiCaprio subiu ao palco para anunciar a categoria “Melhor Atriz”. Carregada de nomes de peso: Meryl Streep (Florence: Quem É Esta Mulher), Natalie Portman (Jackie), Isabelle Huppert (Elle) e Ruth Negga (Loving). Mas o esplendor final ficou mesmo com a estrela Emma Stone (La La Land: Cantando Estações). E olha o discurso fofinho dela:

E agora, o GRANDE momento da noite! E em todos os sentidos! Além de se tratar do MAIOR prêmio da noite, ainda presenciamos a MAIOR GAFE da história dos Oscars! Bem alá Miss Universo, “La La Land: Cantando Estações” foi anunciado como “Melhor Filme”… Mas a alegria durou pouquíssimo! Toda a equipe já estava no palco, estatueta em mãos, até que ouvimos um “Moonlight, you guys won, this is not a joke”! E num choque coletivo, fomos informados que eles cometeram um erro no anuncio, e o grande campeão da noite foi, enfim, “Moonlight: Sob A Luz do Luar”! Confere o momento super constrangedor aqui:

Eu até ri da situação, mas depois de rever o vídeo, só consigo me sentir péssima pela equipe de La La Land. Apesar de MERECIDÍSSIMA a vitória de Moonlight!

E ficamos por aqui, gente! Foi sem dúvidas, uma noite bem louca! Mas confesso que gostei bastante dos resultados finais!

Luana Medeiros
Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.
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  • Coments sobre a premiação abaixo:

    – Curtas, Doc e Estrangeiro: Cosplay de Glória Pires, mas Piper é lindo!
    – Maquiagem e Cabelo: Esquadrão Suicida venceu e foi merecido sim. O trabalho minucioso de um personagem (o Killer Croc) vale o Oscar, mesmo que o filme seja extremamente falho. Parem de pensar que foi pela maquiagem da Arlequina, pelamor!
    – Efeitos Visuais: PISA MENOS, MOGLI, EU TE IMPLORO!
    – Animação: Zootopia é bom e merece, mas Kubo é melhor e merecia mais!
    – Canção: Vitória ok, Audition muito mais relevante no filme que ela, mas tudo bem. Drive Like You Stole It e Shiny que eram as melhores do ano que eu vi, não foram indicadas, então eu só via 6 e meia dúzia.
    – Figurino: MEU MUNDO MÁGICO TEM OSCAR E EU ME EMOCIONEI REAL! Sério! Sabem o que é para mim, como um grande fã de HP esperar um reconhecimento no Oscar, por mínimo que fosse, durante uma década e ter um de surpresa assim? É indescritível!
    – Design de produção: Sério que La La Land perdeu em Figurino e ganhou aqui? Se fosse pra vencer um, que fosse figurino, já que Arrival, César e Animais Fantásticos estavam em outro nível!
    – Fotografia: Ok, né? Silence e Moonlight estavam num nível sobrenatural e Arrival leva o termo “escrever com imagem” ao pé da letra, mas fazer o quê? Poderia ter sido Lion, o que seria ultrajante, então agradeço LLL.
    – Montagem: TÁ DE BRINKS QUE A CATEGORIA MAIS IRRETOCÁVEL EM MUITO TEMPO ENTREGOU O PRÊMIO LOGO PRO PIOR ESSE ANO? CARAMBA! Arrival (principalmente), La La Land e Moonlight com trabalhos incríveis, A Qualquer Custo com um excelente e vence o “tudo bem que está indicado?”. Ícks is revolts.
    – Edição e mixagem de som: Curiosamente, eu trocaria os dois prêmios, já que a edição de Hacksaw é a melhor e se fosse pra La La Land perder mixagem, que fosse pra Arrival. Aliás, foi aqui que eu fiquei “tem algo errado”, pois, pra La La Land perder significava que a força do filme era menor que o esperado.
    – Roteiros: Os dois melhores venceram. Tem como reclamar?
    – Atuações: As vitórias dos homens foi incontestável e os dois eram claramente os melhores de suas categorias. Já Davis leva o Oscar por sua indicação menos expressiva, o que é triste, mas os discursos que essa mulher faz deixam a gente no chão, então não me incomodei. Emma: Stone.
    – Direção: Lonergan, Villeneuve e Jenkins eram opções bem melhores, porém o prêmio está em boas mãos.
    – Filme: La La Land é o meio da tabela dos indicados, não acho q… O QUÊ? MOONLIGHT VENCEU? CARAMBA! MELHOR VENCEDOR DO OSCAR DE MELHOR FILME DESDE QUE COMECEI A ACOMPANHAR ASSIDUAMENTE A PREMIAÇÃO.

    Num geral, talvez essa tenha sido a premiação que mais me surpreendeu desde 2006, mas dessa vez foi num bom sentido. La La Land é um filme muito bom, mas nem de longe merecia fazer uma limpa enorme como estávamos esperando. E o pior é que, se o filme fizesse isso, só jogaria contra ele, o que seria triste, pois o mesmo não merece. E isso também se aplica ao prêmio de Melhor Filme: caso levasse, seria vítima de um rechaçamento que faria um desserviço à qualidade do filme.

    Arrival merecia levar mais do que apenas Edição de Som, no entanto, poder dizer que o filme é Academy Award Winner, mesmo com os dois maiores destaques do filme esnobados (trilha desqualificada, Amy Adams esquecida em churrasco), é algo maravilhoso! Hidden Figures e Lion completamente sem prêmios é algo que me agradou MUITO, grazadeus. Sem falar que ver uma corrida onde dois filmes fora dos padrões do Oscar como Manchester e Moonlight foram protagonistas, valeu muito a pena.

    Aliás, não posso deixar de terminar de falar sobre o Oscar sem abrir espaço para o quão histórica a vitória de Moonlight é. É o primeiro vencedor da categoria com um elenco completamente composto por negros, é o primeiro vencedor LGBT da categoria e é, talvez, o mais intimista dentre os vencedores. Não há uma abordagem chamativa como em Spotlight, não é um espetáculo técnico como Birdman, não possui um discurso político como 12 Anos de Escravidão, não faz homenagem à história do Cinema como O Artista, não é uma produção grandiosa como O Retorno do Rei, não é, em suma, um filme com a cara padronizada do Oscar. É um filme tão silencioso quanto seu protagonista, é um filme cujo coração pulsante que nos conquista e não outros atrativos externos, é um filme que possui uma importância social e que nunca faz com que essa importância seja seu encanto primordial.

    Moonlight é tão único na história do Cinema que eu tento buscar na memória até hoje um filme que se assemelhe a ele sob qualquer ângulo e não consigo encontrar. E ver um grupo de pessoas tão conservadoras e quadradas aclamarem um filme que foge a todos os padrões que eles seguem é algo histórico e especial (e é uma pena que isso vá ser ofuscado pela confusão no anúncio). Espero que a corrida ano que vem tenha uma season finale tão gratificante quanto esta.

    PS: Moonlight deve ser o que considero o melhor vencedor desde O Silêncio dos Inocentes!

  • Eduardo

    Acho que, além do blindside plot twist duplo carpado no final, o prêmio controverso foi o de melhor atriz.

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