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Dark – S01E10 – Alpha and Omega [Season Finale]

Eu vejo o futuro repetir o passado.

Chegamos ao final da primeira temporada de Dark, primeira série alemã de sucesso que se tem notícia, com o número de viajantes só aumentando. O hype é real. Os ingredientes do sucesso, fáceis de enumerar. Por partes. Primeiro vamos fazer um apanhando do que rolou nessa finale para ninguém ficar perdido.

De acontecimentos, explicações, tivemos:

A tentativa de Urilch matar Doppler falhou. A tentativa de Dopller 2019 (após ver todo mal que tinha cometido), de convencer seu eu 86 a parar os sequestros, não surtiu efeito. O que fez o Doppler 19 partir para o assassinato, jogando o carro na frente de seu eu 86. Morreu apenas o 19, o 86 sobreviveu. A incompetência tá grande ou esse menino é um gato, nova Sidney Prescot, ninguém consegue matar.

Sobre os sequestros, descobrimos que estes ocorrem por experiência de Noah, que usa os meninos como ratos testar as viagens no tempo. Quando não funcionam, ele as mata e descarte depois em algum ano. Noah se vê como um salvador, lado do bem que pratica atitudes erradas, que está lutando contra o mal, a vovó. A luta é pelo direito de viajar no tempo haha. Ri alta nessa parte. Que plot twist podre, caminho fácil, usado para render mais trama. Soou como uma gravidez, ou a chegada de um filho de existência desconhecida. Plots que surgem aos montes nas season finales.

Sobre a máquina do tempo, feita pelo relojeiro, alguns ingredientes do futuro foram necessários para seu termino, como o celular de Urilch e as instruções da vovó. Contudo, algumas problemáticas surgem aqui. Então o passado pode ser alterado pelo futuro? Ou tudo aquilo já havia acontecido, estava predestinado, escrito, resultando nas consequências esperadas? Não captei uma resposta clara da série nesse aspecto primordial. Ou o passado é alterável, mudando todo o presente (efeito borboleta) ou este já foi decidido (determinismo). Existem paradoxos temporais, claro. Mas o número de viagens foi tão grande, que o uso do recurso seria absurdo.

Vejo uma tendência determinista na série, até agora ninguém conseguiu alterar significativamente a realidade. Para isso ser esclarecido bastava saber se, o jornal que a detetive encontra de Urilch preso em 53: já estava lá e ninguém deu conta, ou foi surgindo à medida que acontecia no passado. Loucura não? Pendeu mais para a segunda opção.

Descobrimos também como esse buraco no tempo foi criado. Acidente na usina nuclear envolvendo um radioisótopo fundamental. Sério que foi isso? Oh, que surpresa. Imagino os produtores na sala de criação: Como vamos explicar as viagens? Já sei, colocamos uma usina nuclear lá e no último ep surgimos com umas explicações físicas quaisquer envolvendo acidente com um químico. Inovação e criatividade para o gênero não são preocupações de Dark.

Para fechar, soubemos que o homem desconhecido é o Jonas do futuro, que estava encaminhando o Jonas 19, com cartas e mapas, para que este possa chegar ao rumo desejado. Parte da culpa desses problemas terem começado parece ser de Jonas. Na verdade, sob a ótica da série, estamos num loop pirâmide (até que o buraco seja fechado), dando poder determinante aos que estão cada vez mais no futuro longe. É uma reação em cadeia, os do passado, pouco podem fazer, estão dependentes das ordem e vontades do futuro.

Não captei se o plano de Noah se sucedeu. Temos Doppler aprisionado em outra era (sendo assim como ele vai crescer e virar sequestrador?) e Jonas indo para um futuro, ou quem sabe presente alterado. Pela frase de efeito (outro riso que dei na hora) da menina, e os equipamentos de radiação no beck indicando um acidente nuclear, mais provável ser futuro.

Ficamos com uma guerra bem x mal, Jonas preso no futuro pós apocalíptico anarquista, origens de Noah e mais alguns desfechos, resoluções, possibilidades abertas para a segunda temporada, já confirmada. Agora, é pergunta não é quando, mas se. Valeu? É obra prima? Tudo isso que falam? Entretenimento de qualidade? Ou só mais um na lista, nada de novo, esquecível em anos? Aí, obvio, depende de cada um. Contudo, na minha opinião, a série tem problemáticas sérias e difíceis de serem sanadas.

A começar pelos personagens. Falta personalidade, presença, sal por assim dizer. Todos parecem mortos, artificiais, unilaterais e não há um que eu consiga me importar, torcer, gostar. Carisma passou longe aqui, e qualquer série que se preze, não consegue avançar sem um ator no mínimo relacionável.

Talvez devido a um roteiro trivial e atuações estancadas. O jeito dos alemães ser frio, distante, não é desculpa. Assim como não o é, dizer que esse é o estilo desejado. Atuações mecânicas, desprovidas de emoções, estão em alta (vide O Sacrifício do Cervo Sagrado), porém não é o caso. Sentimentalidade excessiva foi usada frequentemente em Dark.

Elenco e linha do tempo são dos maiores problemas de Dark. Aquele é criado aos montes, e descartado quando conveniente (por onde será que anda a menina muda, e dois desaparecidos que nem menção ganharam mais?), este está uma bagunça. Como se não bastasse duas linhas temporais ao mesmo tempo, inseriram uma terceira nos anos 50, e mais uma do futuro agora. Haja tempo para viajar e personagem para decorar. Foca em aproveitar melhor os que tem, antes de expandir para todo lado, que é melhor.

Outro problema é o que a série decide mostrar. O “não explicar” nas produções está com tudo. E ao contrário do que esperado pelo início, obtivemos quase todas as respostas principais nesse final. O problema foi a demora e sua resolução. Simples, nada demais.

A série também não tem uma mitologia forte, não firmou um conceito, identidade, nada próprio ou original. Falta originalidade em Dark. Parece só mais uma série feito por um algoritmo da Netflix para agradar maior parte de seu público. Pega uns elementos de Stranger Things, uns de The OA (sucessos do streaming), e junta com umas viagem no tempo, que todo mundo gosta – oi Donnie Dark. A série é muito anetflixzada (o termo já consta no Urban Dictionary), não tem forma, conteúdo ou estilo próprios. Roteiro e história, não seguram.

Bom para quem conseguiu embarcar na da série, mas aqui foi um 5/10.

E vocês, o que acharam? Entenderam tudo? Foi grande o nó na cabeça? Gostaram da série? Ou se pudessem, voltariam no tempo para desver e salvar essas horas perdidas? Grita hino ou season 2 nem ver?

P.S.1: Mais filmes e séries que abordaram viagens no tempo: Heroes, Fringe, The Twiligth Zone, Doctor Who (!), 12 Macacos, Legends of Tomorrow, Donny Darko, Arrival, Your Name, Interstelar, Efeito Borboleta, Superman, HP, Exterminador do Futuro, A Felicidade não se Compra (<3) e claro, Martin.

P.S.2: Jonas citou o DeLorean, máquina do tempo mais famosa ever, e são detalhes, atenção, preocupações maiores como a abaixo que faltam em Dark.

 

 

 

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09.01.2018 #NowPlaying: Dark

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.


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