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Dear White People – S01E04 – Chapter IV

“Cara pessoa branca, ter um vibrador preto não conta como uma relação interracial.”

Dear people, meu nome é Thais e eu sou nova por aqui. E como minha estreia, trago a review do quarto episódio de Dear White People, que foi centrado naquela que, na minha opinião, é uma das melhores e mais controversas personagens da história: Colandrea Conners, nossa querida Coco.

No começo desse episódio, Coco recebe um convite para uma das festas mais exclusivas do campus e isso faz com que algumas de suas amigas (brancas) fiquem com inveja. E durante o café e o festival de recalque & convencimento, a voz de Sam soa nos altos falantes, em mais um de seus programas, onde ela apresenta um pequeno remix de algo que Coco disse a ela na festa Dear Black People. Sim, Coco estava lá e descobrimos logo no início. E, aparentemente, Coco acha que é uma espécie de elogio que os brancos façam intervenções cirúrgicas para ficarem mais parecidos com os negros (pode entrar, Kylie Jenner), ouçam músicas de negros, se comportem como tal e que não vai protestar por eles agirem assim uma noite no ano. Só que o problema, querida Coco, é que você pode parecer um negro, mas você não pode ser um, essa é toda a questão. Por isso que os brancos usam suas características como fantasia, porque eles podem tentar agir como negros, mas nunca serão ou sofrerão como um. E é nesse ponto que começamos a entender como Sam e Coco foram de best friends forever, para inimigas declaradas. O posicionamento delas perante o comportamento das pessoas diante do racismo nosso de cada dia é muito diferente e elas seguiram caminhos totalmente opostos. Sam acusa Coco de não se posicionar contra o racismo presente no campus e Coco acusa Sam de não reconhecer o privilégio que tem com a sua cor de pele mais clara que os demais, trazendo a pauta do colorismo¹ para a mesa. Porque, para Coco, Sam é aceita por não ser considerada tão negra que os demais e ela deveria aceitar que isso faz com que ela “sofra menos” que as demais mulheres negras, que são colocadas constantemente de lado apenas pela cor de sua pele, nunca sendo boas o bastante para serem namoradas, sempre um caso escondido. Sim, é pesado e complicado. Mas antes, vamos entender como elas se tornaram BFF.

Coco nasceu numa comunidade muito pobre e sempre conviveu com a violência muito próxima a ela. Então, quando teve a chance de estudar e tentar ganhar o mundo, ela aproveitou. Quando chegou à universidade, tinha propósitos bem altos e delimitados, porém, ela acabou sendo colocada no prédio com os demais estudantes negros, foi assim que conheceu Samantha e se tornaram colegas de quarto. Coco desenvolveu logo uma paixão nos primeiros dias de aula e foi por, ninguém mais, ninguém menos que Troy Fairbanks. E enquanto Sam estava contente de fazer parte de um alojamento que reunia vários estudantes negros, onde ela poderia se entrosar mais, Coco se via dentro de lugar onde ela seria apenas a “mais uma garota negra” e buscou logo novas amigas (brancas). Amigas essas que perguntavam se era racista dizer que seu tipo de cara era o padrão europeu, loiro e de olhos azuis ou só namorarem caras brancos, e que elas não eram racistas também porque acham alguns caras negros bonitos ou davam nomes de atores negros aos seus objetos sexuais.

Elas estavam bem unidas até Sam se interessar em entrar para os grupos de ativismo negro do alojamento e Coco querer apenas entrar para uma irmandade, criar laços, ter amigos, independente da cor. Então percebemos como havia uma diferença gritante de interesses, mas nada que fizesse a amizade estremecer… ainda. Até que Coco vai com suas amigas para uma festa, onde as calouras ficam do lado de fora, esperando um formando para beijá-las. As quatro se sentam próximo da entrada, aguardando até que os rapazes se aproximem. E eles chegam, um a um, mas apenas Coco fica lá do lado de fora, completamente sozinha. Para uma garota que queria apenas ser como as outras, esse é um golpe pesado para Coco. Ela recebe outros e seguidos, porque enquanto não vai se saindo muito bem na irmandade que conseguiu entrar, Sam está cada vez mais próxima dos grupos ativistas, conseguindo sucesso com todos os seus projetos e isso afasta as duas de forma que elas não conseguem mais serem nem mesmo colegas de quarto. E depois de ouvir da líder da irmandade que elas deveriam ter escolhido Sam e ver que Troy estava, na verdade, interessado por Sam, Coco percebe que perdeu tudo o que queria: o reconhecimento, o afeto e a importância. E para aquela que tinha como melhor amiga.

E isso é tudo o que ela sempre desejou, por isso que não pensou duas vezes antes de barrar a entrada da líder da irmandade na festa exclusiva que estava, abusando do poder recém adquirido. Porque é isso o que Coco quer: poder. Ela quer ser importante, deixar sua marca no mundo, sente que tem capacidade para isso e não quer deixar que qualquer pessoa faça com que ela sinta como se não pudesse. Para algumas pessoas ela pode parecer muito prepotente e arrogante, mas será que se essas características estivessem presentes num homem branco, ele seria visto dessa mesma forma? Então é por isso, Coco Conners, que eu escolhi te amar.

¹ Deixo aqui um link sobre Colorismo para quem ficou interessado.

E só pra não esquecer, deixo o convite para o nosso 2º recrutamento de reviewers do Panela de Séries! Venha se juntar a nós paneleiros! Saiba mais clicando AQUI.

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Thais Pereira

Feminista, leonina com ascendente em gêmeos e lua em virgem, viciada em memes, em Friends e problematizar na internet. Formada em História da Arte, mas consciente que nunca vai trabalhar com isso na vida. Normalmente eu escrevo e falo mais do que deveria. Eu mesma, Thais Mello.


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