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Dear White People – S01E08 – Chapter VIII

Quando um dos seus se torna um dos demais, há algo a ser repensado…

É interessantíssimo como Dear White People faz com que o personagem consiga abordar várias estirpes do racismo, e também da problemática geral proveniente dele. Chapter VIII gira em torno de Lionel, e o fato dele ser meio que um porta-voz do movimento negro, com seu jornal, faz com que suas observações deem um aspecto de desenvolvimento constante da trama, o que eu acho fantástico. O protagonista se torna o movimento em si, e não apenas um ou outro caractere.

Sempre que houver um grupo social, uma hora vai haver um cisma, um conflito de interesses, já que se trata de seres humanos que nem sempre pensarão da mesma forma. O episódio evidencia que já não é a mesma a união entre os negros de Winchester. No momento em que Lionel decide escrever um artigo sobre Troy, visando tornar mais clara a dimensão do problema racial em questão, acontece o plot que esperávamos: começam a ser feitas descobertas inesperadas. Por hora, leve-se em conta todo tipo de opressão que um negro tem que passar quando quer ter a mesma posição de um branco em qualquer que seja a situação. Lionel é recriminado e sua ideia de escrever um artigo sobre Troy é passada para Brooke. Ora, não seria essa a oportunidade perfeita para reacender um ânimo libertário?

Além da temática negra, Chapter VIII adentra também o universo da supremacia heterossexual. Lionel mostra como é viver sob duas dimensões de preconceito, levantando questões de sobre como o silenciamento é uma doença impregnada nos atuais padrões sociais americanos. Diariamente, garotos heterossexuais são ensinados a não expressarem emoções e a terem comportamentos pré-programados, mostrando assim que a supremacia hetero é real e que muitos ensinamentos ainda buscam transmiti-la e torná-la cada vez mais vigente.

Lionel segue em sua batalha de tentar escrever seu artigo sobre Troy, mas enfrenta a rapidez ácida de Brooke, a impertinência de Samantha, os branquelos da Pastiche e todo o resto do mundo que acredita que possa estar havendo alguma química entre ele e Troy. Incansavelmente, é notório o esforço que ele faz para poder chegar ao seu objetivo, e muitas vezes até parece lutar contra si mesmo para isso. Caro leitor negro, ou gay, ou que já sofreu qualquer tipo de discriminação: quantas vezes na vida você já se perguntou se o problema seria você, e não os outros?

Uma das partes mais interessantes do episódio se volta à conversa entre Lionel e Troy no bar. O presidente do grêmio, bastante admirado pelos brancos e aparentemente sem qualquer problema se mostra vulnerável quando revela a infância dura e a juventude com pais ausentes pela qual passa. Quando Troy começa a falar sobre seu crescimento e como se sente, e Lionel também se abre para ele (ainda que pouco), é reconfortante ver a química que rola entre os dois, transparecendo uma relação que vai além de amizade. Lionel e Troy são irmãos além do conceito racial, além de serem roommates, além de terem passado por coisas afins. Eles se identificam com seus problemas e com seus pensamentos, e é muito bom ter ao seu lado alguém tão parecido em ideais e história. Isso reaquece a luta. Porém, muitas vezes entristece a forma com a qual Lionel acha que pode haver algo além de amizade entre ele e Troy, e várias são as situações em que ele, utopicamente, acredita que chegou a hora. Mas …não ocorre nada mais que uma falsificação de teste antidopping. E logo depois, mais uma vez, Lionel se envolve em mais uma peripécia levado a fazê-lo por Troy. Ugh. Há coisas que são tão boas, mas tão boas, que uma hora acabam estragando. E esse é o rumo que a amizade de ambos parece tomar aos poucos.

Ao escrever seu artigo, Lionel não apenas retrata a vida de Troy e seu histórico acadêmico. Lionel retrata a realidade de todas as pessoas de cor que chegam a um cargo de visibilidade, que delas exigirá a sobrevivência sob a supremacia branca e a perseverança de seguir com seus mesmos ideais, sabendo que qualquer falha acerca de qualquer mínimo assunto será agigantada e totalmente publicada. Como se passa de bebê a homem feito, sendo negro, pobre e vítima das circunstâncias familiares? Troy mostra que o caminho sempre é mais estreito para quem vive do outro lado dos padrões. As adversidades são maiores, os obstáculos são propositalmente inseridos e tornar-se desacreditado é cada vez mais fácil. Insano é pensar que há um mundo todo por trás disso que se preocupa mais com o genótipo alheio do que com a garra e as novas ideias que se trazem.

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Henry Kapranos

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