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Dear White People – S01E10 – Chapter X [SEASON FINALE]

UAU, que season finale incrível meus amigos…

Inicialmente quero dizer que é muito para processar em uma season finale de 30 minutos, mas a gente consegue. Sem mais delongas vamos falar um pouco sobre o que aconteceu nesse episódio e torcer para que minhas caras gente branca tenha entendo alguma coisa com essa série.

Bom, se todos os episódios da série foram protagonizados por um personagem, a season finale veio com todos esses como protagonistas e isso é posto de forma muito interessante logo no início do episódio com cada personagem ligando um para o outro, inclusive eu gostaria de ressaltar que Dear White People conseguiu introduzir muito bem os meios de comunicação, fazendo uma relação com os mais tradicionais como jornal e revista impressos e o rádio, mas sem perder a utilização de produtos mais atuais como notebook e smartphones, sendo todos eles essenciais na montagem do roteiro da série.

No início do episódio vemos Reggie na rádio escolar, ele está lá para discursar seu poema e atrair estudantes para o protesto, que aconteceria naquele mesmo dia. É nesse momento que Gabe vai atrás de Sam, mas as coisas entre os dois não melhoram muito, ele diz que quer saber o motivo dela ter transado com Reggie, ela diz que precisava ter certeza. Mas just between us, esse não é o melhor jeito de ter certeza, né mana?! Sobre a relação Sam e Gabe falaremos mais a frente, agora eu preciso falar sobre como Reggie é idiota por não perceber a mulher incrível que está ao lado dele o tempo todo, sim eu estou falando de Joelle, acredito que nem os roteiristas perceberam o quão essa mulher é incrível, ainda não aceitei que ela não ganhou nem um episódio se quer, Joelle não merece ser apenas uma personagem secundária, acordem! Falando sobre merecer, será que Reggie ainda merece o amor da nossa querida Joelle? Fica a reflexão para uma possível season 2.

Enquanto isso a relação entre Troy e Coco também não vai muito bem, mas para variar, Coco não nos decepciona. Sim, talvez tudo que o Troy tenha tido sobre ela ser apaixonada pelo que ela idealizou deles dois seja verdade, mas eu nunca vou a culpar por ser ambiciosa, afinal ela não passa em cima das pessoas para conseguir o que quer, na verdade, já fomos provados que ela faz totalmente o contrário disso, então vai em frente Coco que esse lugar é teu, já quero ela como presidente do Campus sim e como ela mesma disse, a segunda mulher negra presidente dos EUA, já que a primeira será Michelle Obama, né mores! E o que foi aquele fora que ela deu no Troy? Icônico! Pensou que a rainha estaria em casa chorando por você?! Otário, Coco é meu espirito animal, portanto, eu sou sim #CocoForPresident, aceita ou surta!

No meio disso tudo, meu querido Lionel descobre um sistema de corrupção envolvendo os Hancocks, os mesmos caras brancos que querem tirar o AP (Associated Pass, ou seja, Associação de Imprensa, que significa basicamente a rádio que a Sam faz seu programa, o jornal e o local que eles se reunem para assistir Difamation) da comunidade negra da universidade. Mas seu chefe conta que não se brinca com os tal Hancoks, pois apesar do jornal dele ser independente, ele é patrocinado por eles, então basicamente os caras dominam tudo.

Enquanto Troy vai tentar controlar o protesto e encontra de cara um grupo de alunos protestando pelos alcoólatras(?), Coco tranca a porta de entrada e comanda a reunião sozinha, rainha visionária que pensa no futuro faz assim! Sam e os alunos negros do campus chegam para protestar, Troy tenta fazê-la entrar, porém sem sucesso e para variar o maior embuste da série, Kurt, chega com seus amigos brancos racistas para atrapalhar o protesto de Sam, tornando tudo aquilo uma grande confusão. É um absurdo que a causa negra seja tão desrespeitada assim, tratada como um problema bobo pelos estudantes brancos, que não entendem do que se trata o movimento negro e essa é a grande crítica da série, mas eu gostaria de ressaltar como o movimento negro é solitário e ainda tão incompreendido, esse é o ponto que essa cena quer lhe fazer questionar, será que se fosse um protesto LGBT ou feminista esse descaso todo ocorreria? Eu lhe digo isso como homem negro gay, a resposta é não! O que muda tudo é que dentro do movimento feminista e LGBT existem pessoas brancas e não, isso não torna a luta dessas minorias mais fácil que a dos negros, só estou tentando lhes mostrar como a sociedade enxerga a diferença entre os movimentos e que a luta dos negros é solitária pois justamente muita gente ainda não entende nada do que estamos falando e nem procura entender.

Já Coco continua se saindo muito bem comandando o debate entre alunos e reitoria, até que Lionel, nosso tímido, introvertido e medroso personagem decide fazer uma pergunta, Coco vai direto nele, por saber do histórico do garoto, ela acredita que ele seria perfeito para não fazer uma pergunta polemica, poor Coco. Lionel nos surpreende alfinetando os Hancocks e o reitor, não vou mentir, assim como Coco, eu não esperava essa reação dele. As perguntas de Lionel deixa os caras nervosos e sem respostas, Coco louca atrás dele tentando tirar o microfone das mãos do menino e os negros que ali se encontram sedentos por respostas, parabéns Lionel! Por incrível que pareça ele foi a peça chave, ele teve a coragem que Sam disse que ele tinha e não sabia e deixou todo mundo, inclusive nós, no chão. Não bastasse isso, quando o chefe dele vai questiona-lo pela sua atitude, ele não se cala, na verdade ele manda o chefe calar a boca e tudo mais, acontece que toda essa explosão de empoderamento e atitude leva o chefe a dar um beijão nele, girl, eu não esperava por essa! Maravilhoso e sim já estou shipando o casal, só preciso descobrir o nome desse chefe.

O gato do Troy então desiste de conseguir sucesso no protesto e decide entrar no debate, mas nota que a porta está trancada e usa uma pá para quebrar o vidro da porta e entrar, essa atitude dele me deixou extremamente intrigado, será que ele fez aqui propositalmente para os policiais o prenderem? Ou ele simplesmente não pensou nas consequências do seu ato? Na verdade, com o histórico do garoto e as reações físicas dele eu tenho praticamente certeza que foi um ato inocente, Troy, em maioria das vezes, esquece que é negro e de todo sistema opressor que o cerca, claro que isso vem como consequência da educação que o pai lhe deu. Ainda que doloroso, esse momento foi necessário para o reitor, o mesmo que disse a Sam que seu filho nunca se meteria em problemas com a policia pois ele lhe deu educação, perceber que racismo não tem nada a ver com educação pai-filho, mas sim com educação de uma sociedade racista, não importa sua posição social, ele vai te pegar. E meus queridos, não se enganem achando que essa cena foi um tapa apenas na cara do reitor, foi na nossa cara também! Sim, eu espero que vocês notem que uma sociedade racista não escolhe suas vítimas, todos os negros são suas vitimas.

Mas assim como Troy e Sam disse, eu espero que ele fique bem, vimos como Reggie ficou impactado com o que aconteceu com ele, ninguém merece passar por isso por ter nascido com a pele preta. No momento em que um dos policiais pega a arma, sim, meu coração foi lá nas alturas, eu pensei que o pior iria acontecer ali e felizmente não aconteceu. Mas deixa eu contar uma coisa para vocês, acontece! Acontece aqui, no nosso mundo real, fora da ficção da Netflix, acontece no nosso país, na sua cidade, no seu bairro e na sua universidade, está acontecendo do seu lado, na sua frente e você não está fazendo nada.

Antes de ir embora preciso falar sobre Gabe e Sam, parece que #Gam acabou de vez. Gabe vai até o protesto e apesar dele dizer que está ali pelo Reggie, todos sabem por quem ele está lá. Acontece que a complexidade de Sam foi demais para Gabe e realmente o relacionamento deles é complicado, existem muitas dificuldades e eles mal começaram a namorar, infelizmente eu tenho que concordar com Gabe quando ele diz que baseado nisso é notável que eles não vão dar certo. E isso serve de lição para todos nós, relacionamentos amorosos não foram feitos para serem difíceis e por mais que seja difícil para caralho  deixar uma pessoa quando você a ama, as vezes é necessário, as vezes apenas o amor não sustenta uma relação, sim, essa cena acabou com meu coraçãozinho machucado.

Falando em lição, acho que pudemos aprender com Reggie um pouquinho mais nesse ep, é obvio que Reggie estava apaixonado pela ideia dele e Sam, mas parece que finalmente ele se desprendeu disso, pelo menos é o que me pareceu quando Joelle perguntou se eles tinham alguma coisa no finalzinho do episódio e aqui vai mais uma lição para vocês: Sabe quando a gente conhece alguém e acha ela incrível, ela é perfeita para você e você é perfeita para ela e tudo que você se pergunta é “Como ela não pode notar isso?!”, bom, se ela não nota só tem um motivo, ela não gosta de você como você gosta dela, então não insista como o Reggie fez, isso só vai te machucar mais e mais, isso só vai te fazer esquecer quem você realmente é e isso foi perfeitamente colocado em #DWP com o Reggie, siga em frente e se ame, seja você mesmo o seu perfect match. E é por isso que eu acho que ele merece sim uma segunda chance para tentar algo com a Joelle, digo mais, se você perdoou o Gabe por ele ter chamado a polícia que causou um trauma na vida do Reggie e não perdoou o próprio Reggie por ter sido um babaca em alguns momentos, veja Dear White People de novo. Gente, ninguém é perfeito!

E o episódio acaba com nossas amadas Sam e Coco juntas de novo, um tanto traumatizadas com o que tinha acabado de acontecer com Troy e com uma esperança do renascimento de uma amizade ali. Eu particularmente amo a amizade das duas e espero que elas voltem a ser amigas sim! Além disso, a duvida sobre o futuro do AP roda todos nossos personagens, minha opinião? Pelo que estou acostumado a ver White People fazer com Black People, acho bem provável que eles acabem com a associação. E o que foi essa cena final com os personagens olhando para câmera como se soubessem que estamos assistindo eles? Incrível! #IssoÉTãoBlackMirror

No geral, esse foi uma season finale maravilhosa, com um roteiro muito bem encaixadinho e muitos acontecimentos maravilhosa. Na verdade, em minha opinião, Dear White People não é só uma das melhores séries do ano, mas também um dos maiores acertos da Netflix, a quantidade de assuntos abordados na série é surreal, necessária e extremamente real. O roteiro é muito bem pensado e encaixado, as atuações estão maravilhosas, a trilha é muito boa e a fotografia excelente que me lembra muito a do videoclipe de Formation da Queen B.

As referencias a cultura pop tornam a série muito cômica, mas cômica no ponto certo, sem que a comedia tire a importância dos assuntos retratados, inclusive em muitos momentos a série nos pega com um drama que é tão real que chega a ser surreal a realidade de que aquilo está numa série de abrangência mundial. Eu nunca gritei tanto “É ISSO AÍ!” na frente da TV. Espero que vocês tenham amado tento essa obra quanto eu e que estejam esperando ansiosamente pela confirmação da Season 2 também.

E Dear White People, eu espero, realmente, que vocês tenham aprendido muito com essa série. Na real, não é uma série apenas para ensinar brancos, mas também para expor alguns problemas aos negros, problemas no movimento negro, problemas pessoais. É uma série para todos nós darmos gargalhadas, chorarmos e aprendermos muito. Vou arriscar dizer que nós, negros, e nossas questões sociais e emotivas nunca estivemos tão bem representados numa obra.

Um grande beijo e até a próxima temporada!

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Autor

Andy

19 anos, pernambucano da peste, estudante de Radio, TV e Internet da UFPB. Sagitariano com asc e vênus em aquario, lua em câncer! Signo importa sim! Amante e consumidor massivo de cultura pop, além de problematizadora. Amém Rihanna, amém Katy Perry! Bjxxx de luxx


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