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Dear White People – S02E05 – Chapter V

Queridos homens brancos… e negros, é melhor vocês calarem a boca quando uma mulher negra decidir falar! Oi gente, são tantas emoções em um episódio de 30 minutos que estou sem saber como começar essa review e por isso vou começar me apresentando, sou Andy e estou de volta as reviews de DWP assim como fiz na primeira temporada. Eu não poderia estar mais feliz em ter pego o episódio de uma das personagens que mais amo, a Joelle, e ter pego o episódio com um dos maiores plots dessa série incrível e importante.

Nós temos tantas coisas a falar, mas prefiro seguir a review da mesma forma que o roteiro do episódio nos mostrou. Inicialmente somos apresentados a vida de Joelle, como foi sua infância e como ela sempre foi uma garota que não gostava de ser colocada como segunda opção, que metalinguagem genial DWP nos deu aqui, Joelle a personagem que foi usada como suporte e apenas como a “amiga” da protagonista, Sam, é justamente a garota que odeia ser vista como segunda opção, como a pessoa que não é enxergada ou só é notada depois. Não é coincidência que essa seja uma realidade para pessoas negras, como eu, por mais bom que você seja, as pessoas sempre vão dar mais atenção aos brancos e se as opções forem apenas entre negros, a pessoa “menos” ou melhor mais proxima da branquitude será a enxergada, entrando ai as questões do colorismo, ou seja, privilégios existentes dentro da própria comunidade negra.

Curiosamente feito de forma mais subjetiva, essa é uma das críticas iniciais do episódio, quando o garoto que faz a arte do programa de rádio da Sam, que agora a Joelle passou a fazer parte, coloca a imagem da garota menor que a da Sam, não é atoa que ele seja um garoto negro de pele clara, ficando evidente a preferência dele pela Sam, mesmo que inconscientemente e com uma justifica rasa e não muito diferente da utilizada por brancos para justificar opressão. “Vocês não entendem minha arte”, me parece algo que a Iggy Azalea diria ao se apropriar da cultura negra e se sentir muito ofendida quando a comunidade negra a denunciem por isso. Ainda falando sobre o programa de rádio, foi completamente egocentrista a atitude da Sam com a Joelle, sempre cortando a fada na hora que ela ia expor suas opiniões e eu fiquei ainda mais puto revoltado por motivos de ter ficado sedento para saber a opinião da minha menina.

Eu não sei se vocês sabiam, mas eu não fazia ideia que a Joelle fazia anatomia e foi numa de suas aulas que ela conheceu o Trevor, um homem lindo, inteligente e que apreciava toda a magnitude da Joelle, ou seja, o cara perfeito para que finalmente a nossa anjinha esquecesse o Reggie, que consegue perceber todas as meninas do campus, menos a mais interessante, no meu ponto de vista. A química entre os dois foi inegável e sem muita enrolação eles já saíram e curtiram o dia juntos, analisando como os brancos amam pagar mico por ai e sendo muito fofos. Muito material para todos nós shipparmos muito né?!

No meio de tudo isso, conhecemos mais sobre o Trevor e seus pontos com a AP House, o que inicialmente eu tinha achado justíssimo, ser negro não te dá a obrigação de falar sobre a militância, vivemos numa democracia, right?  Secundariamente, ainda descobrimos que a Coco (cristal, lenda, rainha) conseguiu fazer com que a personagem do Tyler James Williams vá até a universidade e mostrou uma entreviste dele com uma apresentadora negra de direita, que tem umas opiniões bem controversas, as quais ele consegue rebater e mostrar a ela um novo ponto de vista. Ainda mostrando outros alunos negros e brancos que concordavam com ela e eu preciso enaltecer uma frase dita pela personagem do Tyler “A expectativa e a renda de vida deles caem, se igualam a dos negros e agora eles estão em crise?” Isso me fez pensar bastante em como o capitalismo funciona para manter o racismo. Reflitam.

Outro momento interessante nessa cena é quando Reggie se refere aos alunos brancos presentes como “o pessoal de vocês” e uma das alunas fica extremamente ofensiva e logo em seguida a Sam questiona se não é ruim ser reduzido ao seu tom de pele e a menina confirma que é, só que é justamente isso que acontece com pessoas negras. É muito curioso como os brancos não aguento nem 1% de toda a merda que acontece com negros.

Outro tema interessante abordado no episódio foi a relação Sam-Joelle-Relacionamentos Amororos. Acho que já entendemos que o quão mais branco você for, mais pessoas vão querer você, ou seja, quanto mais negro você for…

Esse momento me fez lembrar de todas as vezes que fui claramente invisibilizado por caras no segundo em que eles descobriam meu amigo branco e isso ainda acontece, não só comigo, mas com várias outras pessoas negras por aí e se isso acontece comigo, acontece de forma bem mais pesada com pessoas negras de pele mais escura que a minha. É só a gente lembrar da Beyoncé na maravilhosa “Sorry”, “He better call Becky with the good hair”. E que fique bem claro que isso não é por gosto, é por uma sociedade estruturalmente racista, isso vai muito além de relacionamentos amorosos, entra em praticamente todos os âmbitos sociais. Eu vejo exemplos reais disso diariamente.

Como a Sam disse é um absurdo que uma mulher tão linda e incrível como a Joelle não tenha milhares de caras interessados nela. Mas isso é tudo reflexo de uma sociedade eurocêntrica, então para quem ler essa review que fique a mensagem: Já passou da hora de destruirmos nosso eurocentrismo.

Continuando o romance Joelle e Trevor, eles saem juntos mais uma vez, é quando o garoto mostra a Sam uma estátua que esconde livros com ideologias que vão contra a visão dos professores brancos, um verdadeiro apagamento social e o desejo de manter o sistema, nesse momento a câmera foca num simbolo na estátua, que nos deixa com um pulga atrás da orelha sobre o que está acontecendo. Logo depois a Joelle mostra o subsolo da AP House, um local feito por negros que eram escravizados e que foi usado por eles para fuga, esse mesmo local foi resignificado por estudantes para uso de drogas, sexo e black music.  É nesse lugar que acontece o primeiro beijo dos dois.

Nesse momento eu já era só amor por ambos, mal sabia que meu mundo ia começar a cais logo em seguida. Quando os dois voltaram a AP House o Trevor ver o post do “Dear White People” e critica o fato da Sam estar maior no poste, o que é uma crítica justa, afinal se ambas comandam o programa, ambas merecem destaque. Depois o Reggie aparece a chamando para sair e o cara se coloca na frente, respondendo por ela, depois Troy aparece pedindo a ajuda de Joelle e mais uma vez Trevor se mete na situação, porém fazendo uma crítica justa, até porque está sendo difícil defender o Troy nessa season, né?

E é um fato que nossa “cara gente branca” ama dizer que dão chances aos negros, mas eles desperdiçam. “Meritocracia” you know what i mean?!

Começa uma exibição de uma série, a qual é uma parodia bem evidente de Empire, é ai que Trevor começa a cagar de vez, segundo ele Empire seria uma forma de manchar a imagem de famílias negras pois a família representada é disfuncional e o único bonzinho ser “veado“. Dessa forma, gays e mulheres negras são um afronte a família tradicional, o que seria esse discurso diferente dos ditos por vocês sabem quem? 

É assim que Joelle descobre que Trevor é, na verdade, um “Hoteps” e vocês devem estar se perguntando o que é isso, bom, deixe-me explicá-los. Hoteps são negros que acreditam que a responsabilidade sexista, a política e os papéis de gênero são pilares de honra e ferramentas para derrubar o racismo. Como tal, eles consideram “agendas” gays e feministas como ataques estratégicos contra a luta pela libertação dos negros. Eles se entregam a teorias conspiratórias sobre tudo, desde alienígenas até os illuminati. Acho que está bem claro que o movimento feminista e LGBT tem grandes problemas com a relação racial, mas a opressão vivida por LGBTs e mulheres não deslegitima a negra, apesar de muitas pessoas nesses movimentos acreditarem ser superiores a pessoas negras. 

Os Hoteps basicamente acreditam que apenas negros de pele escura são negros e defendem o homem negro predador, ou seja, eles conseguem ser racistas com outras pessoas negras, transfóbicas e homofóbicas, contribuir para o machismo, patriarcado e estereótipos do homem negro. Assim, é muito importante que Dear White People tenha abordado esse tema de forma séria e não como uma piada. Isso é um serviço social.

Foi assim que Trevor chamou Sam de mulata, afirmou que a Joelle recebia ordens da Sam e ainda disse que todo mundo da AP House eram uma propriedade. Foi ai que Joelle finalmente impôs a voz dela sobre a Sam e não digo isso no sentido de incentivar a briga entre mulheres negras, mas um ato de liberdade de uma mulher negra sobre uma situação que a calava, como vimos no decorrer do episódio e a mana MASSACROU o otário do Trevor, dizendo

“Você acha que só o homem negro sofre? Você não sabe o quanto uma mulher negra sofre porque é maluco e não chega perto de uma. Sofremos as mesmas opressões que vocês e depois vocês nos aprimem. Pega sua bunda autoenaltecedora e problematizadora e volta pra casa Webster.” BAAAM BITCHIES!!

Não cansado de passar vergonha, Trevor continua falando merda sobre mulheres e LGBTs, é quando o Reggie da um murro na poc cara dele e só assim ele vai embora, claramente um machista que só escuto a língua do macho alfa.

É quando a Sam vê que o escroto do @altivyw posta “Briga de negros na casa AP, que surpresa!”. Essa frase fala bastante sobre como as pessoas veem pessoas negras como raivosas e que estão sempre em busca de briga e problemas, mais um esteriótipo.

O mais interessante desse momento é o questionamento, seria o @altivyw alguém da AP House?  Como a notícia chegou tão rápido até ele? Das duas, uma, ou ele é alguém da AP House ou tem alguém infiltrado lá!! Tudo isso só me deixa mais aflito, afinal, isso pode significar que esse esquizo louco está muito próximo dos nossos bebês.

E qual é a do Reggie gente? Passou o episódio todo olhando diferente para a Joelle, defendeu ela dando um soco no Trevor e ficamos com uma pulga atrás da orelha sobre se ele está finalmente notando e gostando dela, ou se vai continuar sendo bobo e não beijando essa mulher maravilhosaaaaa!!!

Só coisas lindas a dizer sobre esse epsódio, com a problematicas expostas aqui abordadas de forma tão delicada, direta e necessária. Joelle sempre foi uma grande personagem, mesmo estando no segundo plano da série e ver ela recebendo o destaque merecido é revigorado. E que possamos refletir sobre nossas “preferencias” de onde elas vieram, qual o motivo que enaltecemos tanto a beleza branca, personagens brancos, cultura branca em geral, enquanto a negra e os negros são constantemente invisibilizados. E cuidado com a justificativas que vocês dão para esse tipo de coisa, muitas vezes elas podem ser tão problemáticas quanto.

Um grande beijo a todos que chegaram até aqui e não se esquecem de comentar sua opinião, ela é sempre bem vinda e eu amo responder. <3

 

 

 

 

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Autor

Andy

20 anos, pernambucano da peste, estudante de Radio, TV e Internet da UFPB. Sagitariano com asc e vênus em aquario, lua em câncer! Signo importa sim! Amante e consumidor massivo de cultura pop, além de problematizadora. Amém Rihanna, amém Katy Perry! Bjxxx de luxx

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