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Dear White People – S02E07 – Chapter VII

Querida gente branca…precisamos falar sobre a construção da masculinidade para o homem negro. 

Eu espero que não seja uma surpresa para ninguém que vivemos numa sociedade racista e machista e esses dois pontos são muito prejudiciais para o homem negro. Portanto fica um aviso para as pessoas que defendem morte a todos os homens, um recadinho que aprendi com Djamila Ribeiro, feminista negra brasileira e que se vocês não conhecem, deveriam: Não existe morte aos homens para as mulheres negras, pois os homens negros já morrem diariamente. E advinha só, você homem ou mulher pode contribuir para isso apenas pelo fato de ser branco!!

É sobre isso que o sétimo episódio de Dear White People vai abordar, mesmo que de forma leve e bem mastigada, para que TODOS entendam que também não é fácil ser um homem negro num mundo capitalista e racista. Não é atoa que o tema seja abordado por Troy, o exemplo perfeito de garoto negro com mentalidade branca, que é um babaca em diversos momentos, extremamente sexualizado tanto pelos personagens, como pelo público da série e que tudo que ele faz contribuí para esses esteriótipos. Ao mesmo tempo que o racismo atinge ele da mesma forma, o levanto ao ápice na ultima temporada quando quebrou um vidro institucional e foi quase ameaçado de morte por policiais e nessa temporada se mostra uma pessoa completamente perdida e sem rumo. Por isso Troy é tão complexo.

O episódio começa abordando os acontecimentos após a prisão do Troy, como o pai dele conseguiu safar ele de ser preso e expulso, ainda conta sobre o passado do menino, sua amizade com garotos brancos e essa relação garotos brancos, meninos negros. Uma das falas do pai do Troy é bem verdadeira “Eles não estão rindo com você, eles estão rindo de você” E isso me fez pensar sobre a relação dos meus amigos negros com os garotos brancos na minha sala de ensino médio e como isso era uma realidade presente. Depois de ser convocado por uma especie de grupo iluminatti de negros,  para que ele se tornasse o presidente da AP House, em que 3 desses membros já tinha sido presidente, inclusive seu pai, o reitor. O episódio mostra a busca de Troy em conseguir se eleger, já que ele passou a vida tentando agradar brancos e isso afetou sua popularidade com os outros negros da AP House, foi assim que ele usou a Sam para ganhar poder, voz e popularidade e pouco se importou com os sentimentos de Reggie pela garota, mesmo notando que estava bem evidente o interesse do amigo por ela.

Logo depois pudemos descobrir uma nova faceta do Troy, seu desejo por stand-up comedy e seu péssimo desempenho nisso, causado pela necessidade de conexão dele com ele mesmo. Quem é Troy Fairbanks?  Precisamos frisar que aquelas piadas dele foram péssimas e até desrespeitosas, mas ver aquela plateia majoritariamente branca com cara de tasco pro Troy me passou muito uma sensação ruim que eu não sei explicar muito bem, porém me conectou muito ao Troy, coisa que eu não tinha.

Sem chocar ninguém, Troy foi pegando sobre mais uma garota, a amiga da Coco que eu não sei o nome , é quando Troy pergunta se ele é engraçado a ela e ela diz que isso não importa, já que ele tem tanquinho, isso mesmo, objetificação do corpo negro, surprise girls, isso acontece muito com homens negros. Já não bastasse a otária conta que passou no estágio em que ela e a Coco estavam concorrendo e não contou a “amiga” pois isso a deixaria mal e sabe, existem diferenças entra uma mulher branca e negra, não é justo, mas ela se beneficia disso e sabe galera, é divertido!! Racismo é divertido!! Então vamos lá, se você se beneficia do seu privilégio, você é racista e não adianta vir com desculpa esfarrapada, talvez você seja até mesmo pior que um racista declarado, pelo simples fato de você fingir que se importa com a luta dos negros, mas na primeira oportunidade você pega o lugar dele ou se beneficia de um sistema que desfavorece pessoas apenas pela cor delas. Isso também acontece quando você só pensa nos seus amigos brancos na hora de fazer trabalhos ou quando você só percebe a beleza deles, quando você não enxerga seus “amigos” negros. Não adianta pagar de militante e que entende muito da nossa vivência e não agir assim na pratica.

 

Todos esses acontecimentos fizeram um Troy se questionar e se perder dentro dele mesmo, um dos seus amigos brancos o ajuda com conselhos e….bom…cogumelos. É aí que ele inicia uma viajem dentro por ele por alguns lugares no campus.

O interessante de tudo isso é falar sobre a construção da masculinidade e personalidade do homem negro. Normalmente todos nós, como seres humanos vivendo num sistema capitalista somos extremamente cobrados e vocês todos sabem como isso é desgastante, se você for negro, essa cobrança é multiplicada e isso pode causar sérios problemas na mente de uma pessoa. Nem o Troy sabe quem é ele, nós sabemos pouco sobre quem ele realmente é, sim, conseguimos ler e entender muitas das atitudes da personagem, mas o que o define? Qual seu objetivo? Não sabemos! Ele está perdido e por isso esse episódio é tão importante, para que ele se encontre e nós encontremos ele, de verdade.

Um dos momentos mais interessantes da “lombra” do Troy pra mim foi quando ele chega a rádio vê vários olhos o observando no teto, uma clara representação das pessoas cobrando a ele por suas atitudes e tudo a mais, a cobrança para que ele seja bem sucedido, a cobrança pela militância, a cobrança por ter quebrado o vidro, por ter sido babaca com várias pessoas, por tudo. São os olhos que não dizem nada, mas que te julgam mais que mil palavras. Um ato recorrente na vivencia negra.

Nesse momento a Sam interrompe o programa e deixa uma música tocando em direção ao Silvio que começa com “Foda-se, foda-se” e me pergunto se a descoberta dele ser o altivyw vai ser resolvida apenas por isso? Preciso ver os outros episódios para saber, né?!

Troy pergunta a Sam o que ele foi para ela e acredito que dela tenha sido a melhor personificação sobre quem foi ele até aqui, depois de falar um pouco sobre como ela foi apaixonada por ele e passou a desacreditar no amor e músicas românticas após ter o coração partido por ele, ela diz que acredita que ele seja apenas uma criança que está sempre em busca de agradar todo mundo ao seu redor, e talvez tenha uma força nisso, se você souber usar (ele definitivamente não sabe), mas no final das contas ela sempre torce por ele. Parabéns Sam por conseguir resumir exatamente tudo que eu acho sobre o Troy e espero que vocês entendam os motivos dele. As pessoas vivem dizendo que negros não são bons o suficiente, é claro que uma busca incansável pela aprovação de todos seria algo comum.

As palavras verdadeiras da Sam fazem o Troy surtar e decidir queimar suas roupas no meio da AP House, quando ele poderia simplesmente doa-las, como disse a fada Coco, inclusive a Coco é mais uma das garotas que ele machucou e por isso ele toma outra decisão, desculpar-se com ela.

E minha menina Coco mais uma vez massacra ele, afinal isso ela sabe fazer muito bem e eu preciso redigir as verdades que sairam daquela boca maravilhosa:

“Não precisa pedir desculpas. Eu entendo. Eu era só um corpo para você. Mas é você que é só um corpo. Uma casca. Não existe nada vivo na sua vida. Ela nem é sua. Você é apenas o legado de outra pessoa. (…) Eu não quero me acertar com você. Eu fiz sacrifícios para sair do caminho do seu tornado e estou melhor assim. Pare de se enganar achando que está numa jornada ou que terá uma relação no fim disso tudo. Você pulou do navio do seu pai e caiu num no mar gelado em busca de um colete salva-vidas. Eu só tenho um, Troy, e vou usar.”

Eu realmente preciso dizer mais algo? Esse dialogo fala muito sobre privilégios em suas entrelinhas e a vida não foi fácil para a Coco, ela não vai desperdiçar sua única oportunidade de mudar de vida.

Depois de tudo isso ele encontra a Sobert, a cadela perdida da colega de quarto da Coco que eu não lembro o nome agora. Ainda sobre efeito do cogumelo a cadela começa a falar com ele, quando na verdade era apenas seu inconsciente fazendo uma reflexão interna com o auxilio da droga ingerida.

Sem dúvida nenhuma esse foi um dos melhores momentos do episódio. E as palavras ditas pela cadelinha também são muito esclarecedoras sobre o Troy e que dão para fazer um paralelo sobre a vivência do homem negro na sociedade:

“Não se cobre tanto, Troy, a sociedade não recompensa negros introspectivos. Nos meus 18 anos nessa terra vi que a masculinidade negra não tolhida pode ser tóxica como um tumor. A pergunta é: Quem é você sem tudo isso? É só um corpo como a Coco disse? Ou é seus sentimentos, como a Sam teve por você? Você é feito do que os outros pensam, como Reggie sugeriu? Ou você é consciência…pura? Você não é nada disso. Se fosse seu corpo teria controle sobre suas transas. Se fosse sobre o que sente ou pensa, não precisaria entorpecê-los. Quanto a consciência pura, foi só tomar um chazinho de cogumelo e está aqui conversando com uma cachorra.” 

Por mim o episódio acabava aí hahaha. Brincadeiras a parte, esse dialogo com uma cadela foi uma das coisas mais incríveis que já vi em produções audiovisuais.

E claro o que viria em seguida seria mais uma decisão louca do Troy, ele simplesmente tirou toda a roupa e se jogou na fonte. Foi quando Lionel apareceu e o levou para casa, para o Troy ele estava renascendo. Eu berrei sim!!!

No dia seguinte o reitor e pai do garoto aparece no quarto dele pronto para dar um sermão e é ai que Troy mostra seu primeiro sinal de evolução quando rebate o pai e fala de como o mesmo tratou Reggie e como eles não tinham essa relação, mais um exemplo de masculinidade negra, já que normalmente a relação entre pai e filho são de bastante frieza e cobrança, na verdade isso não ocorre apenas com homens negros. É quando Troy joga na cara do pai que tudo que ele faz por ele é pensando no próprio umbigo que o pai reage de forma mais inusitada, pegando o baseado que Troy tinha acabado de acender na cara dele como um ato de revolta.

Logo em seguida ele mostra um panfleto de Troy com um “PRENDAM ELE” desenhado em cima e ainda diz “Lembre-se, é nesse mundo que está tentando se encontrar”  no mundo que vê o negro como uma figura que precisa ser parada, presa, apagada e assassinada, em que não importa o quão bom você é, as pessoas sempre vão olhar para a cor da sua pele antes. É no mundo que se brancos precisam se esforçar para crescer, os negros precisam se esforçar 2 vezes mais e ainda a chances de não ter as mesmas oportunidades que brancos. Esse é o mundo que o Troy, assim como as pessoas negras estão tentando se encontrar.

Não dá pra ter raiva do reitor, ele sabe tudo que passou e o que enfrentou para chegar onde chegou e por isso ele cobra tanto do seu filho. Eu acho que ele deveria ser mais flexível e dar mais carinho sim, mas é um fato que o mundo é mais pesado para pessoas negras e por isso muitos pais e mães negros educam seus filhos para serem fortes e conseguirem sobreviver a tudo isso.

No final Troy volta a tentar fazer stand-up comedy e surpreendentemente se sai bem melhor que da primeira vez. Orgulho do meu menino que está crescendo, se encontrando, entendendo sua posição no mundo, respondendo a isso e evoluindo <3 Eu acho que esse episódio me fez amar um personagem que eu sempre achei filler.

Obrigado por terem chegado até aqui amores, vocês são lindos e não esqueçam de comentar suas impressões do episódio, são sempre bem vindas e eu respondooo <3 Beijãoooo

 

 

 

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Autor

Andy

20 anos, pernambucano da peste, estudante de Radio, TV e Internet da UFPB. Sagitariano com asc e vênus em aquario, lua em câncer! Signo importa sim! Amante e consumidor massivo de cultura pop, além de problematizadora. Amém Rihanna, amém Katy Perry! Bjxxx de luxx


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