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Especiais: Get Out (Corra!)

Próxima quinta (18/05), estreia nos cinemas brasileiros Corra! (Get Out), filme de terror psicológico sobre racismo que tem conquistado crítica e público.

TEXTO COM SPOILERS DE LEVE

O filme é uma bela amostra do que essa nova fase do gênero terror pode trazer quando aliado a assuntos socioculturais. A Bruxa (2016) abriu caminho, com um pano de fundo feminista, e aqui o racismo não tem como fugir do papel de destaque.

É aquela velha história. Jovem negro que vai conhecer a família tradicional conservadora da namorada branca. Não devia haver nada de errado aí, mas como sabemos, o mundo não evoluiu o suficiente para superar essa mistura, o que instaura um clima de tensão desde o início. Algo de errado vai acontecer. Corra! (título perfeito).

O começo é bem parado, demora um pouco para empolgar mesmo, só que nada prejudicial. É apenas o ambiente opressivo soturno sendo construído. E não espere nada de sangue e mortes no percurso. O terror é psicológico. Vai entrando em sua cabeça. E não chocando com imagens pesadas.

Um dos pontos certos do filme é focar o quanto pode ser estranho e aterrorizante ser negro e estar rodeado por potenciais agressores. Minorias sabem como é. Se um desconhecido na rua escura dá medo, magina uma cidade e família daquelas. É estar na boca do leão.

Elementos do racismo empregnados na sociedade são abordados no filme, como amor inter-racial, escravidão nos tempos atuais, referir-se a raça negra como “vocês” e violência policial. Tudo ali, na forma crítica e por vezes, se surpreenda, de comédia. Thanks Rod!

O que parecia ser uma história simples, de não gosto de você por ser negro, se mostra bem complexa e conspiratória. Fiquei preso no suspense, e mesmo com uma vaga ideia do que estava acontecendo, jamais imaginaria aquele final. Relevemos que foi um pouco extrapoloso.

Quase tudo foi bombardeado no final, mas o percurso do fds também foi intenso. A cena da hipnose é deleite, angustiante e perturbadora. Meu irmão até pesadelo teve haha. Acho que esse é o atestado do filme de terror. Para saber se ele valeu ou não, tem que tirar o sono. Poucos do gênero hoje em dia tem esse mérito.

O elenco está muito bem, de parabéns. Allison Williams me roubou a cena. Com traços de Marnie em Girls, ela conseguiu alternar de menina fofa compreensiva com um quê de falsa para calculista fria na maior tranquilidade. Georgina, a governanta, nem se fala. Comprometida e imersa na loucura da personagem, só aquele olhar e expressão me gelavam.

Sem esquecer do Jordan Peele, que fez um trabalho esplendoroso com essa direção, sabendo transcrever elementos cotidianos de nossa cultura de forma genial ao cinema. Qual maravilhoso é poder se entreter e repensar ao mesmo tempo? Vem mais que tá pouco.

SPOILER ALERT

A grande sacada foi aquele final. Torci tanto para o Chris (e ele fez por merecer não se tornando um desses idiotas na luta por sobrevivência dos filmes de terror), para chegar a policia, e eu pensar, vish, lascou. Jamais vão acreditar na versão do negro invés da mulher branca. Realidade neah, fazer o que. A lei, que devia salvar, é seu pior inimigo, te dá até medo. Só que dessa vez não.

SPOILER ALERT END

Mesmo considerado por alguns como o melhor filme de 2017 até o momento, aqui, o filme não escapou de preconceitos e ataques. Acusado injustamente de anti White propoganda (???) e demonização do branco. Só que nada disso. É apenas uma forma de expressão, grito, do incomodo que é ter que viver o racismo todo dia. Só sendo muito sensível para se doer por tão pouco e cego para não ver que tudo no mundo é pro-branco. 2017 e ainda não conseguimos superar o whitwashing.

Percebam como os filmes sobre racismo que mais fazem sucesso são aqueles que se situam em outra época que não a presente. Admitir que continua com privilégios ninguém quer.

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Suken Note 1: Alguém duvida haver um mercado assim por aí?

Suken Note 2: “eles não são racistas, votariam uma terceira vez no Obama se pudessem” = “não sou racista, até tenho amigos negros”.

Suken Note 3: “A carne mais barata do mercado é a carne negra.”

 

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Robson Abrantes

Engenheiro civil na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, vício que não conseguiu largar desde então.


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