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Especial: Call Me By Your Name

“Quanto menos você espera, a natureza tem maneiras astutas para encontrar nossos pontos fracos.”

Muitas das vezes questionamos o que leva um determinado filme à premiação mais badalada e cobiçada do cinema? É bem verdade que há filmes que são extremamente técnicos – inclusive fica na cara que foi feito apenas para garantir sua entrada no tapete vermelho. Porém, assim como temos filmes extremamente técnicos, também temos filmes carregado de emoções. Sejamos sinceros! É muito melhor gastar duas preciosas horas com algo envolvente, do que com algo técnico demais que não cause uma comoção sequer – não é verdade?

E neste rol de narrativas puramente emotivas, temos Call Me By Your Name (2017). Uma produção extremamente sensível e trabalhando uma ótica leve, sem ser piegas, o amor entre dois homens na década de 80. Por mais que você diga que não é algo inovador e que temos outros títulos com a mesma temática, preciso dizer-lhe que essa imagem é desconstruída após vê-lo. E por que digo isso? Porque sua narrativa foi trabalhada para vivenciá-la, e não apenas visualizá-la. Sendo assim, precisamos falar de Call Me By Your Name com um olhar diferente, o do amor incondicional.

Chega de delongas, vamos a nossa análise do filme, porque há muitos observações que precisam serem pontuadas. #Partiu

1-Elio Perlman feat. Oliver

É muito interessante a forma como a relação dos protagonistas é trabalhada – principalmente a personalidade de Elio (Timothée Chalamet). O jovem de 17 anos manifesta de diversas formas seus sentimentos por Oliver (Armie Hammer) – de repulsa, ao apego. É inevitável não rir do incômodo do garoto com hóspede super valorizado por seus pais. Claro que sabemos que “onde há fumaça, há fogo”. Mas temos que concordar em um ponto, Oliver é um tanto quanto espaçoso – até eu entraria na roda do apedrejamento ao hospede mal-educado.

Entretanto o que Oliver tem de espaçoso, ele tem de bem-humorado. Percebendo que não é bem visto por Elio, o rapaz faz questão de querer ser o mais agradável possível com ele – além de cauteloso. Assim como no filme, existem outros aspectos admiráveis que acabam conquistando o grupo local, principalmente sua adaptação aos costumes locais. O carisma do personagem é tão bem trabalhado que ele conquista o público – o que garante sua vivência da narrativa.

2-Aceitando Seus Sentimentos

Seguindo os padrões de romances que estamos acostumados a ver, Elio descobre que o sentimento de repulsa na realidade é um grande interesse por Oliver. Depois de muito analisar, ele reconhece que a solução é assumir este sentimento, ao invés de remar contra a maré. Começa então o jogo de sedução do novinho ao hóspede antes odiado, agora preterido. A partir daí temos diversas símbolos espalhados dentro da narrativa que representam essa fase da descoberta de Elio – a cena do short de Oliver na cabeça do novinho, resume muito bem o despertar de seu sentimento.

Outro ponto alto são as investidas pesadas, ou melhor descaradas, que ele dá em Oliver. Tanto a revelação de seu interesse, quanto sua agonia descontrolada em ser correspondido o mais rápido possível – ao mesmo tempo que rimos, acabamos torcendo por ele. Não podemos deixar de observar como Elio praticamente diz: “Vai Ficar Comigo Sim” – não com as palavras, mas corporalmente. Porém, assim como a ousadia facilita, ela também dificulta. Prova disso é a bela ignorada que Oliver dá ao novinho. Apesar de sabermos que este gelo era algo friamente calculado, não deixamos de ficar agoniado – quem nunca?

3-É Preciso Amar as Pessoas Como se Não Houvesse Amanhã

Depois de percorrermos a negação e a aceitação, finalmente acompanhamos o Carpe Diem de Elio e Oliver. Se antes nos divertíamos com as atitudes extremas do novinho antes de conquistar o hóspede indesejado, vai gargalhar com a falta de maturidade em lidar com a nova relação. Apesar dos alívios cômicos em seus momentos a sós, as cenas são carregadas de sentimentos e que contagiam com a atmosfera secreta entre os dois.

6-O Amor verdadeiro é Incondicional

Antes de finalizar não podíamos esquecer da mensagem principal: o amor incondicional. Tivemos várias representações dela no decorrer do filme. Uma delas é a postura de Marzia (Esther Garrel), a namorada de Elio. A garota ao dizer “Eu te Amo” selando a amizade, demonstra que o verdadeiro amor não impões condições e sim deseja que o outro esteja bem – caso contrário não será mais amor.

Outros personagens dignos de nosso respeito são os de Mr. Perlman (Michael Stuhlbarg) e Annella Perlman (Amira Casar) – os pais de Elio. Não há como negar, apesar de suas poucas aparições, a presença deles tinha um peso fortíssimo. A atuação do dois estava bem desenvolvida, ao ponto de convencer-nos de que realmente estavam conectados. Prova disso são suas emoções transmitidas pelo olhar. Destaque para a cena de Anella e Mr. Perlman olhando um para outro, ao desligar a ligação de Oliver – a sensação preocupante do casal é contagiante que parece que a delicada notícia é conosco. Quem viu o filme, vai entender do que me refiro.

Call Me By Your Name é um filme que vai muito além do entretenimento, proporciona experiências. Você não apenas percorre todas as camadas dos personagens, como vivencia seus sentimentos – daí a narrativa ser trabalhada lentamente. Não podemos deixar de exaltar aqui a forte química de Armie Hammer e Timothée Chalamet, que foram a mais natural possível e com maturidade – assim como os dois, o elenco em si se entregaram por inteiro em seus personagens. Fico feliz que depois de Moonlight (2016), temos mais uma obra-prima no rol de filmes da academia que abordam o amor incondicional como lema. Se ele não ganhar como melhor filme, não terá problema porque ele ganhou nosso coração. Não é verdade?

Espero que você tenha gostado da review. Agora chegou a hora de conversarmos sobre o que você achou do filme? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência com a gente. Será uma satisfação trocarmos nossas impressões.

Aguardo você. Fique bem e até a próxima 😉

Ficha Técnica:

Título Original: Call Me By Your Name

Gênero: Drama, Romance

Direção: Luca Guadagnino

Elenco: Armie Hammer, Timothée Chalamet, Amira Casar, Michael Stuhlbarg, Esther Garrel, entre outros.

Classificação: 16 anos.

Duração: 130 min.

País: EUA, França, Itália e Brasil

Ano: 2017

(4,5 Panelinhas com Louvor!)

Trailer:

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Dandy Souza

Um libriano amante de um bom suspense casado com o belo terror psicológico, porque a vida precisa de emoções. Seu lema: "toda obra tem sua moral, então fique atento aos detalhes". Twitter: @dandysouza81


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