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Cine Panela: I, Tonya

Vocês acharam que não teria especial Oscar depois da premiação?

Apesar de já ter encerrado todos os especiais com os filmes que foram indicados na categoria de Melhor Filme no Oscar de 2018, resolvemos abrir uma brechinha especial para uma Menção Honrosa para a incrível obra baseada na vida de Tonya Harding. Interpretado por Margot Robbie, “I, Tonya” recebeu algumas indicações em outras categorias, porém, ficou de fora da categoria principal, injustamente. E vamos explicar o motivo.

1 – A infância

Tonya teve uma infância conturbada, sendo a 4ª filha do 3º casamento de LaVona. Desde os 3 anos a garota foi matriculada em uma escola de patinação, e começou a receber prêmios logo nas primeiras competições. E não era para menos, sua mãe sempre foi ranzinza, e fazia pressão psicológica em todos os treinos. E além de tudo, ainda foi deixada para trás pelo pai, que decidiu ir embora, deixando a garota ser criada pela mãe louca e histérica.

Não poderia deixar de destacar o show de atuação que a Mckenna Grace deu, interpretando nossa Tonya criança.

2 – Adolescência

Acho que podemos dizer que foi aqui que tudo começou a dar errado, com o surgimento de Jeff Gillooly. No começo tudo parecia lindo, os dois pombinhos apaixonados, primeiro encontro com a presença da mãe, eles dando o primeiro beijo enquanto consertavam o carro. Mas depois ele mostrou seu lado agressivo, passando a manter um relacionamento super abusivo com a patinadora. E abusivo não só no sentido físico, como também psicológico. Mas não dá para culpar muito Tonya, coisa que ela mesma falou:

“Minha mãe também me batia, e ela me amava.”

3 – Competições

Depois de muitas desavenças com Lavona, Tonya finalmente saiu de casa e foi morar com Jeff, mas nunca largou as competições. Ainda treinada pela mesma Coach de sua infância, a garota nunca recebia notas justas, graças ao seu estilo diferente, suas roupas e músicas nada “clássicas” e um jeito bruto de ser. Como a própria Diane disse, “parece que ela corta lenha todas as manhãs”.

Mas tudo estava prestes a mudar, quando Tonya mudou de treinadora, e finalmente conseguiu executar o movimento conhecido por “Triple Axel”, um movimento que só tinha sido realizado por homens no esporte, e ela foi a primeira mulher. E naquele momento, Tonya era uma das melhores patinadoras do mundo, se não a melhor.

4 – Depois do Triplo

“E depois do triplo… tudo mudou.”

Tonya agora reconhecida nacionalmente, e queria ter uma vida como tal, mas Jeff que não tinha condições financeiras para isso acabou se estressando. E temos a primeira separação do casal depois de um nariz quase quebrado da nossa patinadora.

Após passar nas nacionais, a garota teve sua vaga garantida nas olimpíadas, mas foi tudo por água abaixo. Uma semana antes as lâminas de seus patins quebraram, e ela não conseguiu se adaptar a tempo, fazendo aterrissagem horríveis na competição, e ainda assim conseguindo um 4º lugar. Mas o quarto lugar nunca tem reconhecimento, e Tonya achou que sua carreira estava acabada.

Diane, que havia sido trocada por outra técnica na temporada anterior, foi procurar por Tonya em uma lanchonete que ela estava trabalhando para informar que a próxima Olimpíada não seria dali 4 anos, mas sim 2, e que Tonya ainda teria chances, e se dispôs a treinar a garota, que topou na hora.

Tonya começou um treinamento intensivo, físico, de patinação, e até aceitou mudar as músicas para os gostos da sua treinadora. Tudo caminhava bem, até ela ser ameaçada de morte em uma competição. Abalado, a patinadora não competiu. Jeff, que agora já estava novamente com a mulher, se sentiu mal pela sua companheira, e bolou um plano para tentar ajudá-la.

5 – O Incidente

É por ele que todo mundo está aqui. Jeff teve a brilhante ideia de mandar cartas de ameaça para Nancy Kerrigan, a patinadora rival de Tonya, para abalar a garota e tentar fazer ela desistir de patinar, e não ir para a Olimpíada. Ele contava com a ajuda de seu amigo Shawn, que, não satisfeito com a ideia de enviar apenas cartas, contratou 2 capangas para quebrar o joelho de Nancy antes da competição. Resumo: virou um caos.

Tonya acabou conseguindo sua vaga nas Olimpíadas, mas não demorou até os policiais chegarem no Shawn. Para se vingar de Jeff, Tonya procurou o FBI e disse que tudo tinha sido ideia dele. Obviamente que ele contou que Tonya estava sabendo de tudo, e acabou sendo processada também. Mas seu julgamento foi marcado para depois da Olimpíada.

6 – A Olimpíada

Nancy se recuperou a tempo da competição, e seria a rival de Tonya dento do gelo. Mas o que ninguém esperava é que na verdade Tonya o principal rival seria na verdade seu cadarço que arrebentou minutos antes da sua apresentação. Desesperada, ela entrou para patinar com ele mal amarrado, correndo risco de quebrar o tornozelo. Após alguns movimentos, aos prantos, ela procurou os jurados para avisar sobre o ocorrido, e eles concederam para ela o tempo para mudar o cadarço e patinar com segurança. Apesar de tudo, nem isso foi suficiente, e Tonya assumiu a 8ª colocação, ficando Nancy em 2º.

E veio então seu julgamento. Tonya foi condenada a pagar muito dinheiro (não me peça o valor exato, mas foi muita coisa), além de ser retirada permanentemente da Associação dos Patinadores, ficando proibida de participar de qualquer competição. A garota, sem estudos, que dedicou sua vida inteira para a patinação, acabou sendo exilada daquilo que mais amava. É como a mesma disse: “o senhor está me dando uma pena perpétua”, é impossível não se emocionar nessa cena.

O filme acaba com Tonya tentando a carreira de lutadora, já que precisa ganhar a vida de alguma forma, e queria aproveitar os holofotes nela, afinal, ela foi a 2ª pessoa mais conhecida do mundo na época, atrás apenas do Bill Clinton.

O filme, com toda certeza, se tornou o auge da carreira de muitas pessoas envolvidas, e não me refiro somente à Margot, afinal, o diretor Craig Gillespie que dirigiu o filme não possui outros filmes tão conhecidos em seu currículo (dirigiu “Arremesso de Ouro”, “Horas Decisivas” e “A Hora do Espanto”, nada de tão grande destaque quanto “I, Tonya”).

Apesar do diretor pouco reconhecido, o filme é um drama biográfico escrito por Steven Rogers, e tem um elenco incrível, contando com Sebastian Stan, Julianne Nicholson, Caitlin Carver, Bobby Cannavale e Allison Janney, sendo que a última foi indicada ao Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, e ganhou a categoria, sem contar as outras premiações que ela simplesmente varreu a categoria.

Margot Robbie está incrível no papel de Tonya Harding, tendo apenas dois filmes em sua carreira, a atriz mostrou que consegue lidar com a responsabilidade de ser a atriz principal de obras grandes, dando um show de atuação, com cenas carregadas de drama, onde conseguimos sentir dó, raiva, rir, chorar, torcer, e até mesmo nos chocar em alguns momentos. Definitivamente o melhor papel da atriz até o momento.

O filme rendeu a Margot sua indicação para Melhor Atriz (que infelizmente não ganhou), a vitória de Allison Janney na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, e a indicação do filme na categoria técnica de Melhor Montagem. Mas apesar de tudo, o filme é um híbrido de drama, comédia, ação, e até uma pitada de investigação.

Um roteiro muito bem escrito, que prende o espectador do início ao fim, e atuações dignas de Oscar, “I, Tonya” foi o filme que mais surpreendeu nessa temporada, assumindo um espaço de reconhecimento que não era esperado no começo das premiações. O filme é uma biografia que foge ao padrão das demais (normalmente monótonas, e que as vezes não contam a história de forma fiel ao homenageado), utilizando, além das cenas de representação, uma espécie de documentário com os “envolvidos”, que na verdade também são os atores.

Mas também não poderia deixar de elogiar Allison Janney, que interpretou a amargurada e ranzinza mãe, LaVona Golden. Além da maquiagem e cabelo, que deixaram a atriz irreconhecível, sua atuação foi pra lá de excelente, não sendo à toa que ganhou o Oscar na categoria que competia. Mal humorada, zangada, impertinente, rabugenta, consternada e insuportável são apenas alguns adjetivos para se referir a essa mãe, que sempre foi uma pedra no sapato de Tonya, mas que só fez com que ela se tornasse a melhor no que fazia. E Allison nos fez sentir tudo isso.

E não poderia encerrar essa review sem falar dessa trilha sonora incrível, carregada de músicas marcantes dos anos 80, com alguns artistas e bandas épicos, como Fletwood Mac, Supertramp e Heart.

Por enquanto é isso, pessoal. Espero que tenham gostado da review, e aos que assistiram, o que acharam do filme? Aguardo as opiniões de vocês sobre o filme e sobre a nossa análise. Até uma próxima!

Ficha técnica

Nome original: I, Tonya

Gênero: Drama, biografia, comédia

Direção: Craig Gillespie

Elenco: Margot Robbie, Allison Janney, Sebastian Stan, Julianne Nicholson

Classificação: 12 anos

Duração: 120 minutos

País: Estados Unidos

Ano: 2017

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João Pedro

Canceriano de 20 anos localizado no Mato Grosso. Fã de divas pop, porém viciado em muitas bandinhas indies também. Assisto séries e filmes em horário integral, e estudo Direito nas horas vagas.

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