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Especial: Mindhunter – Season 1 (Sem Spoilers)

Serial Killer, FBI, psicologia e David Fincher.

Estreou mês passado na Netflix, Mindhunter, série drama policial crime serial killer, que tem entre os produtores David Fincher. A historia gira em torno de dois agentes do FBI, que entrevistam serial killers. Seu intuito, descobrir como funcionam a mente desses psicopatas incompreendidos.

A série foi adaptada do livro Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, de Jhon Douglas, que relata a história do próprio agente, nos 20 anos que trabalhou nesses casos.  O livro inclusive está bombando nas vendas, devido ao sucesso da série principalmente.

Fincher produz, e dirige alguns episódios. Quem conhece o trabalho do diretor sabe bem o que esperar. Serial killers, investigação e psicologia fazem parte de seus temas recorrentes, ou seja, ele tá em casa. Com qualidade acima da média garantida.

 

A trama não gira em torno do assassino central, como se pode esperar nessas series detetive uma temporada. Se divide em vários crimes pequenos, que vãos sendo resolvidos. O mote central aqui também nãos os crimes em si, mas sim a motivação, background, a psicologia. As cenas mais agoniantes não vêm de uma chocante cena de assassinato jorrando sangue para todo lado, mas sim dos diálogos tensos, que vão descrevendo técnicas, emoções e pensamentos. Não por isso menos impactantes.

Temos referencias a Durkheim, Freud e teorias psicanalíticas bem interessantes. A questão da história do indivíduo, sua construção no meio familiar e social é levada em conta. Então nada é tão simples, preto no branco, “fez porque quis, bandido bom é bandido morto”. Temos um aprofundamento da personalidade baseado na psicologia. E olha, é cada assassino interessante. Temos dos mais pervertidos, com risada assustadora, aos mais fofos, do tipo quero ser seu amigo.

No time principal de agentes que conduzem a narrativa temos: Holden, o ousado e, por vezes, inconsequente no trabalho, vivido por Jonathan Groff (que precisa urgente trocar seu agente e arrumar uns personagens menos porre para interpretar); e Bill, o detetive responsável pé no chão atormentando por problemas familiares. Bem estilo clássico clichê do gênero detetive.

Sem esquecer: Ana Torv (sds Fringe), como Doutora Wendy Carr -Dr. é quem tem doutorado, tá? – rainha absoluta, dona da porra toda, quero ser ela quando crescer, maior profissional que você respeita; e Debbie como namorada blazé cool humanas do agente Holden.

Mindhunter pode não ser a estreia do ano, melhor série que vi na vida, mas com certeza teve uma boa temporada de estreia, com qualidade acima da média do geral, que entretém e traz reflexões sobre o comportamento humano, permeado com um clima de ansiedade. Alguns episódios parecem dispensáveis, mas nada que atrapalhe ou impeça o bing-watch.

Com uma segunda temporada bem antes da estreia, certeza que é uma série para ficar de olho e aguardar o retorno, com promessa de trama maior e mais prática. Afinal, a principal expectativa dessa foi postergada para a próxima. Apenas pudemos presenciar o florescer das intenções…

P.S.1: Mais destaques: o abraço mais agoniante-sufocante já visto (tu vai morrer peste, eu gritava desesperadamente por dentro) e a cena de elevador com apenas trocas de olhares (Torv deu show nas sutilezas e expressões, Groff que não conseguiu acompanhar).

P.S.2: O caso do diretor de escola afastado foi interessante e senti uma referencia a 1984 na questão policia do pensamento. Até que ponto podemos ser julgados por pensamentos íntimos reprimidos dentro de nós, que nem mesmo conhecemos?

P.S.3: A série também dá uma aula da importância da universidade, métodos de pesquisa e a tecnicidade do conhecimento. Um abraço para os que acham só importante trabalhar, empreender, trabalhar.

P.S.4: Você quer serial killer mais gradual e lentamente desenvolvido que esse, Dexter?

E você, teve um serial killer, ep, questão psicológica filosófica, momento favorito? Ou não. Odiou partes e tudo? Aqui foi um 8/10.

 

 

 

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Robson Abrantes

Na semana, engenheiro. Nas horas vagas, escritor wannabe. Integralmente sonhador. Nem exatas nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT. No vício desde então.


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