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Especial – Panela’s Pride – Part 2

O close certo não poderia ter apenas uma parte! 

Seguindo com nossa sequência de especiais para comemorar o mês do Orgulho Gay ou colocando de uma maneira mais adequada o mês do Orgulho LGBT chegamos com nossa segunda parte do especial de quatro partes sobre as produções da televisão que representam essa classe tão marginalizada da nossa sociedade!

Para quem não conferiu a primeira parte pode fazer isso CLICANDO AQUI. Hoje não vou me alongar muito na introdução porque temos algumas séries e um filme brasileiro para conversar sobre! Let’s Go?

 

Person Of Interest, CBS, 2011 – 2016

Texto by Rafael Augusto

É difícil dizer o que Person of Interest realmente é, mas pra todos os fins, a série é um drama americano, criada por Jonathan Nolan e produzida por J.J. Abrams, que conta uma história que se passa em uma realidade um pouco diferente da nossa (ou não, hihi). Na trama, um gênio da computação cria uma inteligência artificial que pode acessar todas as câmeras, telefones, computadores, microfones e demais aparelhos do tipo na cidade de Nova York e que, a partir dessas informações, é capaz de prever o que vai acontecer com as pessoas da cidade. Originalmente, a Máquina foi criada para prever ataques terroristas, mas ela também é capaz de prever todos os outros tipos de crime, passando por tentativas de homicídio, crimes passionais, roubos de dinheiro público e todos os crimes que acontecem em NY. A única informação que a Máquina dá para o governo é o CPF de alguém, que pode ser a vítima ou o criminoso, e cabe aos agentes contratados especialmente para isso investigar o resto das informações. Porém, o governo considera relevante apenas os casos que tenham a ver com terrorismo, tratando todos os outros crimes como irrelevantes. Não conseguindo lidar com isso, o criador da Máquina contrata um time de agentes independentes, para deter os crimes e ajudar os “irrelevantes”. E é aí que entra o foco da nossa atenção hoje.

Samantha Groves – que a gente conhece como Root -, interpretada pela Amy Acker, e Sameen Shaw, interpretada por Sarah Shahi, são duas das agentes responsáveis por deter as ameaças. Root é um gênio da computação, uma hacker que consegue prever a existência da Máquina – e a única que usa “ela” quando fala da IA -, e que não é uma pessoa com muitos escrúpulos ou que tem uma proximidade muito grande com outras pessoas. Pra todos os fins, a própria Máquina se torna a melhor amiga dela. De maneira parecida, Shaw é uma pessoa que também não tem muitas conexões com a humanidade. Descobrimos ao longo da história que ela praticamente não tem emoções e o único sentimento que ela sente é raiva, de muita gente, a quase todo momento. Ela trabalhava para outra vertente do governo, que era responsável por matar pessoas que oferecessem perigo, e com o tempo acabou se juntando ao grupo dos que impediam os crimes – inclusive foi muito difícil pra ela parar de matar as pessoas nas missões.

Mas o texto é sobre elas, é sobre o relacionamento delas. Pras duas, homens são dispensáveis. As relações mais próximas que Root tem foram com mulheres e é sabido que ela sente atração por mulheres, desde quando era mais jovem e da mesma maneira, Shaw também sente forte atração por mulheres. Logo de início, já rola uma química forte entre elas e à medida que o tempo vai passando e elas vão se conhecendo, essa química vai aumentando até o ponto em que é inevitável perceber que existe sim algo entre elas. A série não trata de maneira explícita, não mostrando beijos nem declarações muito profundas, mas o ponto mais importante não é exatamente esse. Elas são muito diferentes, sendo dois opostos bastante opostos. Mas ao mesmo tempo, são muito parecidas. E elas dão muito certo juntas exatamente por essa mistura, pelas diferenças e pelas semelhanças, que fazem com que elas se unam para ser mais juntas do que seriam separadas. Person of Interest retrata um casal lésbico mais foge daquela coisa de usar estereótipos para fazer isso, além de abordar o relacionamento de com muito respeito.

 

Orange Is The New Black, Netflix, 2013 – Atualmente

Texto by Henry Ribeiro

Criada por Jenji Kohan e baseada no livro de Piper Kerman, “Orange Is the New Black: My Year in a Women’s Prison”, que aborda sua experiência na prisão, a série surpreende pelo mosaico de diversidade que representa. Reúne variedade de identidades raciais, de sexualidade e de gênero. São mulheres reais representando mulheres reais, muitas delas homo ou bissexuais (assumidas ou não, e às vezes ou não).

Diferentes tamanhos, tipos e cores. Conversam sobre assuntos que vão além de homens. Têm romances e casos lésbicos não estereotipados ou retratados segundo o fetiche masculino. E uma trans representada por uma mulher trans, a atriz Laverne Cox no papel de Sophia.

A história central seria a de Piper Chapman, a mocinha classe média-alta que acaba na prisão por seu envolvimento amoroso com a traficante internacional Alex Vause. Mas a série vai muito além disso. Cada personagem e cada uma de suas vivências tem o seu momento e ganha complexidade no roteiro de Jenji Kohan. Através de uma inteligente exploração do recurso de flashbacks, a série retoma as trajetórias das personagens e revela como elas chegaram à prisão. E, claro, mostra muito acerca do lado lésbico da maioria delas, algumas vezes apenas por conveniência, para conseguir algo – coisa que, sabemos, acontece até na vida real. E mesmo Chapman, que começaria como uma integrante deslocada diante da profundidade de suas colegas de prisão, acaba ganhando novos contornos ao longo de sua experiência – e crushes também.

A representatatividade trazida por OITNB tira o silêncio trazido pela própria mídia quebradora de tabus: enquanto mostra-se muito hoje acerca da representatividade gay, a série aborda quase que exclusivamente homossexualidade feminina, bissexualidade e transexualidade. Vale a pena conferir as cenas (quentes, muitas vezes) e ver o porquê dessa série ter se tornado a queridinha atual do movimento!

 

Unbreakable Kimmy Schmidt, Netflix, 2015 – Atualmente

Texto by Andy Lucena

Unbreakable Kimmy Schmidt é uma produção da Netflix, em que é contada a trajetória de Kimmy, uma mulher que foi enganada por um homem louco que prendeu ela e mais 3 mulheres numa espécie de porão subterrâneo, ele alega que o mundo vai acabar e com o suporte de uma religião falsa engana as 4 mulheres e abusa delas em diversas formas.

A série começa quando Kimmy descobre da farsa que viveu durante todos esses anos e volta ao mundo real, descobrindo que ele não tinha sofrido uma apocalipse nem nada assim. É nesse contexto que ela conhece Titus, com quem passa a dividir um apartamento em New York.

Bom, é sobre Titus que vinhemos falar aqui. Ele é um homem negro, gordo e homossexual, cheio de caras e bocas extremamente engraçadas, muito ligado à cultura pop como qualquer boa gay do vale e sem papas na língua.

O mais legal em Titus é que ele não é perfeito e isso é muito bem retratado em UKS. Ele tem seus demônios, erra e acerta como qualquer ser humano e ainda assim é impossível não amá-lo, afinal, acima disso tudo é notável o coração bom que ele tem, mesmo em meio a tanto egoísmo em alguns momentos.

Além de tudo isso, Titus ainda é usado como uma ótima porta aberta para discussão de padrões de beleza dentro do meio LGBT, dentro da indústria musical e teatral, já que ele é um cantor/ator que não deu certo.

E como tudo em Unbreakable Kimmy, todas as problemáticas são colocadas com bastante humor e leveza, mas que abrem espaço pra muita conversa sobre todos esses temas que são importantes de serem discutidos.

Separei para vocês essa versão maravilhosa do Titus para um dos hinos da Queen B, se ele não te conquistar com isso, você tem sérios problemas haha.

 

The Fosters, ABC, 2013 – Atualmente

Texto by Netto Ferreira

Trazendo várias vertentes em torno de um assunto principal, The Fosters vem mostrando bastante representatividade e apoio à causa quando se trata do mundo LGBTQ+. A premissa do seriado já encontra-se muito relacionada ao assunto, mas não pensem que para por aí.

The Fosters é um drama que fala sobre a vida de um casal lésbico e seus desafios em cuidarem de um lar com crianças adotivas. A princípo, Stef Adams Foster (Teri Polo), já foi casada e teve um filho desse casamento, Brandon Foster (David Lambert), e é atualmente conjugue de Lena Adams Foster (Sheri Saun). Elas são mães adotivas de Mariana e Jesus Adams Foster (Cierra Ramirez e Jake T. Austin, sendo depois substituído por Noah Centineo). E essa família acaba sendo surpreendida pela chegada de Callie e Jude Jacob (Maia Mitchell e Hayden Byerly)

O seriado, por sua vez, traz consigo momentos de reflexão, assuntos tidos como tabu pela sociedade e consegue sempre arrancar umas lágrimas daqueles de coração mole que nem eu. Quem não lembra a repercussão que tiveram as cenas de Jude com as unhas pintadas? Sendo assim, com toda a carga emocional e social que a série carrega nessas quatro temporadas já transmitidas, não consigo indicar alguma produção televisiva da atualidade que consiga transparecer tais assuntos com tanta naturalidade, gentileza e fofura como The Fosters faz.

Só por esses motivos ela já não poderia faltar nessa lista, o resto vou deixar para vocês descobrirem.

 

The 100, CW, 2012 – Atualmente

Texto by Bruna Alves

The 100 é uma série adaptada de um livro de mesmo nome, escrito por Kass Morgan, produzida por Jason Rothenberg e transmitida pela emissora The CW.

A série se passa 97 anos depois de uma guerra nuclear que dizimou quase toda a vida na terra. Após a guerra, estações espaciais que orbitavam a terra se uniram e formaram a “Arca” onde ali esperaram 97 anos para tentar voltar ao planeta. A série então gira em torno de 100 jovens delinquentes que foram mandados á terra como uma forma de “teste” para descobrir se finalmente o planeta poderia ser habitada por humanos novamente.

Até ai todo mundo já conhece a história, mas é a partir do episódio S02E06 – Fog of War que somos introduzidos á nossa amada Heda.

Lexa foi muito bem recebida por críticos e fãs da série e principalmente pela comunidade LGBT, por ser uma personagem lésbica de extrema importância e força na série. Após demonstrar interesse amoroso por Clarke, as duas tem um relacionamento cheio de problemas e intrigas. Ao longo de sua terceira temporada, a série explora mais a sexualidade de Clarke que é uma das protagonistas da série, o que leva The 100 a ter uma grande representatividade para as mulheres lésbicas e bissexuais.

Tanto Clarke quanto Lexa, foram símbolos de inspiração e representatividade para a comunidade LGBT por ocuparem um espaço tão importante em uma série adolescente com um público tão grande.

E o que causou muita tristeza e revolta para muitos fãs foi o terrível “fim” que a personagem teve. Após a morte “tosca” de Lexa, surgiram diversas discussões e a comoção da comunidade LGBT. Que levantou questões como:

Mulheres lésbicas e bissexuais nunca podem ter um final feliz?

Ou podem ocupar um cargo tão importante por muito tempo?

Depois de muitas discussões e protestos no Twitter, por exemplo, uma tag foi criada em protesto a morte da nossa querida personagem e ao que isso significa.

#LexaDeservedBetter

E então, Lexa se tornou um grande símbolo de luta, pois mulheres lésbicas e bissexuais devem ser representadas na TV, nos filmes e nas séries.

E elas merecem ter um final feliz.

“Nós merecemos mais.”

Como diz na imagem acima que foi retirada da própria tag e um importante lembrete que devemos lutar por essa representatividade, até que não só as mulheres bi ou lésbicas, mas toda a comunidade LGBT, seja melhor representada na mídia e não do jeito pejorativo que infelizmente ainda prevalece até hoje.

Para quem quiser descobrir mais sobre The 100 deixamos o vídeo do trailer da série logo abaixo!

 

Looking, HBO, 2014 – 2015

Texto by Dandy Souza

Se tem algo que resume a frase “consideramos justa toda a forma de amor” é a série Looking – produzida pela HBO e dividida em duas temporadas.

A relação entre os amigos Patrick (Jonathan Groff), Dom (Murray Bartlett) e Augustin (Frankie J. Alvarez) é ambientada em San Francisco e nela será contada um pouco da vida como ela é, em termos de relacionamentos. Um dos personagens que proporciona uma análise mais aprofundada, da necessidade de enxergar o amor, é Patrick. Vamos entender um pouco esse personagem?

Patrick está em busca de um relacionamento que faça a diferença – daí o título Looking que, traduzido para o português, significa procurando. Ele idealiza tanto um companheiro que deixa de viver a vida, com as melhores coisas que ela proporciona.

Uma prova clara de que idealizações demais é capaz de cegar, é quando Patrick conhece Richie (Raul Castillo), um cabelereiro que não tem ambições na vida e é satisfeito com sua atual situação – atitude esta muito comum com aqueles que tiveram um passado com dificuldades financeiras. Apesar de todo o carinho e companheirismo que Richie tem a oferecer, Patrick tem dúvidas se realmente é aquilo que ele quer. Em contrapartida, ele se envolve com seu chefe, Kevin (Russel Tovey), que é casado e passa a ser o “outro” da relação. Escolheu tanto, para entrar em um relacionamento que não lhe é dado o devido valor – infelizmente não tem como te defender Patrick.

Além das consequências de um amor idealizado, a série aborda a importância do autoconhecimento.

Patrick é um exemplo clássico das pessoas que aprendem algo vivenciando. É indiscutível dizer que, apesar de discordarmos, vivenciamos suas alegrias e tristezas. O personagem cresceu bastante, após vários erros e acertos. O fato dele analisar sua postura, assim como suas dificuldades,  foi um grande passo para seu desenvolvimento pessoal. Afinal é errando que se aprende.

Como qualquer história, Looking tem sua mensagem: Assim como a vida, o amor precisa ser vivenciado. Caso contrário, você será frequentemente decepcionado. E que a concepção de amor não deve estar associada apenas ao de relacionamento entre casais, mas também de relacionamentos fraternais e familiares.

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Dando sequencia a tradição dos nossos posts do Panela’s Pride hoje trazemos um pouquinho talvez sobre o mais famoso filme brasileiro para o público LGBTQ… Hoje Eu Quero Voltar Sozinho!

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Lacuna Filmes, 2014

Texto by Dam Souza

Eu não quero voltar sozinho é mais um filme do sensível e criativo diretor Daniel Ribeiro que mostrar de uma forma muito fofa o despertar do amor entre dois amigos. O grande plot dessa que poderia ser uma história clichê é que um dos amigos é cego, o que serve como plano de fundo para o desenrolar de uma doce história.

Quando o filme mostra que o afeto homossexual que muito é marginalizado pela sociedade surge tão puramente como qualquer outro sentimento entre duas pessoas, mesmo um dos lados não tendo a visão, nós, como espectadores ficamos cada vez mais envolvidos nessa história a tal ponto que a cegueira dele vira só um detalhe diante de um amor tão lindo que nasce entre os dois. Se tem algo que o filme nos diz a todo momento é que ali não importa se são pessoas do mesmo sexo ou não, a coisa mais importante ali e que mais chama a atenção é a sutileza com a qual tudo se desenvolve. O medo e a insegurança, mesmo que muito comuns, aqui, funciona como coisas naturais da vida, e não são explorados de forma forçada, com a intenção de chocar o espectador, pois, além da apaixonante personalidade do protagonista, existe um grande equilíbrio entre o sentimento e o desejo. O que acaba não dando a necessidade de nus frontais, cenas de sexo e longos beijos, até porque, o foco principal aqui é a forma mais pura do amor até então desconhecido entre eles.

Creio eu que a falta de beijos e sexo no filme, não foi por moralismo, mas sim pela necessidade exata do que a história pede. Eu Não Quero Voltar Sozinho é uma emocionante reflexão sobre relações humanas cheias de possibilidades e a sua importância vai além da deficiência visual, do sentimento homossexual ou do ciúme entre amigos. Trata da manifestação de um sentimento que pode ter diversas fases e mesmo assim continua inexplicável até que se sinta. Este é um filme sobre seres humanos e sobre o amor em sua forma mais pura.

Gostaram da nossa seleção? Ainda temos mais dois especiais e o próximo será um poquinho diferente desse e do anterior, vamos pegar duas séries IMPORTANTES para o meio LGBTQ e destrinchar elas, peace by peace! Até a próxima pessoal!

THE END

Lindomar Albuquerque

Canceriano com ascendente em Sagitário, ou seja UMA ÓTIMA PESSOA! Atualmente um louco que faz Doutorado e que já se formou em Química. Viciado em The Voice, séries e Indie Rock. Gosta de gastar o tempo que não tem para escrever sobre The Voice, The Flash, Bates Motel, Orphan Black, The Vampire Diaries e Westworld.


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