Posts Populares

Feud – 01E04 – More, or Less

The glory days came back!!

Sim meus amores, acabaram as gravações a expectativa é grande e agora vamos para a verdadeira guerra.

Feud a todo tempo sempre destacou o verdadeiro desejo tanto de Joan quanto de Bette. Enquanto Joan queria voltar a ter o seu reconhecimento e ser popular novamente, Bette queria provar que ainda era a mesma atriz visceral e forte da sua época de ouro, só que, em uma época totalmente sexualizada onde não se  tinha mais espaço para atrizes de idade com a beleza “gasta” as chances de Baby Jane serem um fracasso eram enormes, pois, não era apenas uma, mas duas atrizes que estão totalmente fora do olhar do público e que ninguém mais dava nada. Com o lançamento e o sucesso inesperado do filme, vimos tudo voltar ao seu devido lugar; Joan sendo aclamada pelo público e Bette sendo enaltecida pela crítica, só que algo estava fora do lugar, pois, Joan queria seu reconhecimento da crítica para chegar no Oscar, porem nós sabemos que isso não vai acontecer não é verdade?

Ryan fez questão de expor toda a sujeira que é o mundo de Hollywood, não importa o quão bem você possa ir, ou o quão promissor você seja, o que realmente vale é dinheiro e nada mais. Warner deixa isso bem claro para Aldrich, os sonhos dele não importavam, para Warner, Aldrich é só mais um operário com aspirações grandes demais para o seu alcance. Será que hoje em dia algo mudou? Creio eu que não e afirmo que está cada vez pior.

Pauline x Joan

Pauline e o seu sonho de fazer história, Joan e seu único desejo de não ser esquecida. Foi assim que contemplei as duas naquele dialogo maravilhoso. É impressionante como em cada episódio Ryan consegue tocar em temas tão delicados de forma tão sútil e reflexiva. A atriz e inclusive a mulher daquela época era tida como um objeto que não pode pensar, ter opinião própria e seu único dever é ser eternamente bela. Pauline era o oposto de tudo aquilo, como braço direito de Aldrich ela absorveu e nutriu tudo o que podia para criar coragem o suficiente de dirigir o seu próprio filme, porém, quem vai creditar dinheiro e confiança para uma mulher diretora? Isso mesmo, ninguém! Pauline foi até Joan, pois, esperou encontrar nela o apoio de outra mulher que luta para não ser engolida por essa sociedade machista e que não aceita se passada para trás, mas o que ela realmente encontrou foi uma mulher insegura, totalmente a merce desse poder machista e que a única coisa que bastava era o seu reconhecimento de volta, mas não pelas mãos de uma mulher.

Posso dizer que a cena da Catherine Zeta com a Kathy Bates foi o testemunho perfeito de tudo o que é Hollywood ou a fama em geral. Enquanto você está no topo os sonhos e tudo aquilo de mais lindo que podemos ter nós temos, mas, quando tudo acaba o que fica é o alcoolismo e a solidão. E ai temos talvez indícios do que será dessa história daqui para frente, Joan amargurada, frustrada e totalmente defasada pela fama e o fim triste de seu sucesso. E ai é que dói na gente, pois, imagina como deve ser você um dia ser a coisa mais especial e no outro você é totalmente esquecida e descartada como um nada? Não existe nada que doa mais do que o esquecimento e o abandono, lidar com isso é muito complicado e por isso que a cada episódio eu entendo e admiro cada vez mais tanto Joan quanto Bette por viver e sobreviver em uma realidade tão cruel como essa.

Bette fez jus a sua chance e agarrou Baby Jane como a oportunidade de ouro da sua vida e fez daquela uma verdadeira campanha politica para a sua indicação ao Oscar. Enquanto Joan estava totalmente deprimida por não ter o retorno que esperava do filme, Bette simplesmente foi a luta e aproveitou cada porta aberta que a foi concedida. Mas como o episódio relatou a todo tempo, as mulheres são objetos para Hollywood e por mais fama e sucesso que Baby Jane tenha feito, ninguém está interessado em duas senhoras e Bette sentiu isso quando não viu nada acontecer para ela, e por mais que a indicação do Oscar acontecesse, ela sabia que só isso não seria suficiente e que se não ganhasse, nada mudaria para ela.

Pausa para a passagem conturbada do Frank Sinatra nesse episódio só para nos revelar que ele era o baita de um cuzão. 

O episódio encerra nos dizendo que nada mudou para ninguém e por mais sucesso que Baby Jane faça, ele não passará de um filme “bote salva-vidas” para duas estrelas ultrapassadas que no fim das contas continuaram no mar do esquecimento. É triste saber disso? Muito! E se preparem, pois, Joan já sabe que não foi indicada ao Oscar e ai se tudo estava ruim, a tendencia é ficar pior.

Esse talvez tenha sido o episódio mais fraco de todos e eu queria ter visto muito mais das gravações do filme no geral. Mas posso afirmar que a série capturou perfeitamente todo o espirito daquela época e tratou a história como ela realmente deveria ter sido tratada.  Ter Joan e Bette em um mesmo filme foi algo épico, mas nada que mudasse a dura realidade delas. Para mim o grande destaque desse episódio e quem de fato carregou a mensagem que ele queria passar foi Mamacita e Pauline nos entregando cenas realmente maravilhosas e trazendo uma perspectiva mais bonita dessa realidade machistas em que a série é abordada.

Está no ar o 2º recrutamento de reviewers do Panela de Séries! Venha se juntar a nós paneleiros! Saiba mais clicando AQUI.

gostou da matéria? deixe um comentário!

  • Bruno D Rangel

    Eu gosto tanto da Jessica Lange que minha visão fica distorcida e pra mim ela e sua Joan Crawford roubam o show. Mas conversando com um amigo, a impressão que fica pra ele é que Joan é como se fosse a vilã e Bette a mocinha. Sei que nenhuma das duas impressões é a intenção da série, mas fiquei curioso por ser duas visões tão diferentes de um mesmo show.

    Não entendo por que Joan entregou o papel de mais destaque em atuações para Bette. Assistindo ao filme, com certeza Jane teve mais destaque do que Blanche, tendo inclusive o nome no título do filme.

    Estou curioso pra ver como serão os próximos episódios e até que ponto da vida das duas a série chegará.

Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.


Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries • Hosted by flaunt.nu