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Feud: Bette and Joan – S01E01 – Pilot (Series Premiere)

“Conflitos nunca acontecem por causa do ódio,

Conflitos sempre acontecem por causa da dor.”

Mais uma obra prima do nosso querido Ryan Murphy. Feud é uma verdadeira obra de arte, desde a sua fotografia estupenda a atuações realmente monstruosas. Bom, para quem ainda não sabe, Feud irá abordar o grande conflito entre Joan Crawford e Bette Davis vividas por Susan Sarandon e a nossa deusa Jessica Lange. 

Para que você entenda melhor a história que será plano de fundo da série, eu irei dar algumas informações sobre Joan e Bette:

Joan Crawford:

Joan Crawford nasceu Lucille Le Seur em 1905 no Texas. Em 1925 ela foi forçada pelo presidente da MGM, a trocar seu nome por um de maior apelo ao público, tornando- se Joan Crawford. pela MGM Joan atuou em inúmeros filmes durante seus 18 anos de contrato. Assinou com a Warner em 1943 e dois anos depois ganhou um Oscar por “Almas em suplício” e continuou fazendo filmes de sucesso pela Warner, como: “Precipícios D´alma” e “Johnny Guitar”. Sua carreira ganhou fôlego em 1962 com o sucesso de “O que terá acontecido a Baby Jane” e continuou atuando até 1970. Em 10 de Maio de 1977, aos 73 anos, Joan faleceu.

Bette Davis:

Bette Davis que na verdade se chama Ruth Elizabeth Davis, nasceu em 1908 em Massachusetts. Estreou na Broadway em 1929 e em 1932 assinou um contrato com a Warner. Teve uma  carreia de muito sucesso  na década de 1930, ganhando dois prêmios Oscar, um em 1935 por “Perigosa” e outro em 1938 por “Jezebel”. Durante a década de 40 atuou em inúmeros filmes, incluindo o clássico “A estranha passageira”. Em 1949 o contrato de Bette com a Warner chega ao fim, mas, no ano seguinte ela ressurgiu no papel que lhe deu mais uma indicação ao Oscar, o aclamado “A Malvada”. Até o fim da década, Bette manteve sua carreira estável mas logo veio o declínio. Porém, em 1960, Bette voltou em “O que terá acontecido a Baby Jane”  Bette Davis faleceu em 6 de Outubro de 1989.

Feud veio cumprir a sua promessa de ser uma série clássica e sofisticada e percebemos isso desde sua abertura tão delicada e muito convidativa (Me lembrou um pouco a abertura da novela A favorita) e que nos introduzia ao que estava por vir. Mesmo com todo glamour e todas as coisas fascinantes que Hollywood pode oferecer, algo que é, e sempre será vilão das estrelas é o tempo; ele que não perdoa e faz questão de deixar a sua marca. e logo de inicio percebemos isso quando Joan, vê que perdeu seu posto para a até então iniciante, Marilyn Monroe. Outra atriz que fez parte da lista de desafetos da Crawford e ninguém sabia ao certo o porque, até que anos depois descobriu-se que as duas tiveram uma noite juntas mas a Marilyn não curtiu muito e deu um fora em Joan. A seguir trechos de uma declaração dada pela própria Marilyn ao seu psiquiatra:

“Fomos até a casa dela depois de um coquetel. Fomos para a cama e ela teve um orgasmo gigantesco, gritando como louca. Depois queria mais, no que eu disse que não tinha gostado de fazer isso com outra mulher, ela se tornou rancorosa comigo.”

A exigência de ser sempre eterna é algo que destrói muitos artistas e com Joan não podia ser diferente, o tempo passou e ela não era mais a menina dos olhos do público e aceitar isso não era tão fácil assim. E depois de algum tempo fora da telas e da morte de seu marido, o até então dono da Pepsi naquela época,  Joan tenta voltar a ativa mas percebe que o mercado não está mais tão favorável assim para ela. as décadas de 50 e 60 se eu não estou enganado foi quando a sensualidade tomou conta do mercado cinematográfico e o que vendia eram corpos bonitos e sexo, coisa que não competia mais a Crawford. Amei a forma como Ryan introduziu a realização da forma de como foi feita a criação do filme O que terá acontecido a Baby Jane e mesmo que não tenha sido dessa forma como foi mostrado na série, o gatilho de que aquele filme seria um divisor de água para Joan, foi  bem sucedido.

Assim como Joan, Bette também sentiu o preço do tempo e viu sua carreira entrar em declínio. Conhecida sempre por sua atuação intensa e sua entrega a seus personagens, deve ter sido doloroso para ela sair de protagonista para ser apenas mais uma atriz de apoio em uma peça de teatro mau frequentada. e no fundo ela sabia que O que terá acontecido a Baby Jane seria a única forma de fazer com ela pudesse se sentir viva novamente, mesmo que para isso ela tenha que “amar” Joan Crawford.

Algo que eu percebo que o Ryan enfatizou muito, é o mundo em que essas divas vivem, onde, tudo tem que girar em torno delas e em favor delas. Tanto Joan quanto Bette sabiam que aquela era a sua oportunidade de não cair no esquecimento, porém, mesmo assim elas preferem se colocar sempre uma acima da outra, nunca no mesmo patamar. E toda essa arrogância e falta de humildade contribuiu para a dificuldade do Robert Aldrich conseguir uma distribuidora para o filme das duas. Na teoria juntar Bette e Joan no mesmo ambiente seria algo fácil pelo simples fato das duas estarem tão necessitadas do filme, mas o ego da duas, óbvio, nunca iria deixar que fosse tão fácil assim e até o cachê seria motivo de drama.

Um fato atestado e comprovado é que toda diva tem uma vida sentimental e pessoal realmente desastrosa, até porque deve ser muito difícil conviver com pessoas onde o ego é maior do que tudo e sempre virá acima de qualquer coisa. vemos isso claramente no relacionamento defasado de Bette com o seu marido, o também ator Gary Merrill. E o que falta de dedicação para elas na vida amorosa, tem de sobra para a vida profissional, o brilho no olhar das duas entrando no set de gravação foi algo realmente muito emocionante, mesmo com um tom delicado de humor, foi algo muito especial de presenciar. Bette Davis e Joan Crawford, sabem que são as duas maiores estrelas de sua época e que as duas tem cacife para sustentar tal titulo e talvez esse tenha sido o pivô para a guerra da duas, nesse mundo de ego e aparência, não há espaço para duas rainhas principalmente se elas disputam o mesmo papel, logo, uma nunca reconhecerá o feito da outra. Quando Bette foi até o camarim da Joan eu já estava esperando uma guerra de alfinetes daquelas, mas fui surpreendido por uma declaração da Bette dizendo que Joan é sim uma boa atriz e que quando ela manda bem, ela manda muuuuuuuito bem.

Só que toda essa troca de elogios não duraria por muito tempo e logo temos a boa e velha Bette e Joan de sempre. Não sei se Ryan irá levar isso por toda série, mas amei a troca para preto e branco quando rola as gravações do filme, é uma mudança sutil e de muito bom gosto, pois, traz um ar mais realista e a atuação da Jessica Lange, nossa, que covardia, o nível de realismo dela foi tão bom que por um momento eu não sabia se ela estava interpretando Blanche Hudson ou a Joan crawford. O brilho no olhar dela, a excitação por estar ali novamente foi algo contagioso.

Se Joan mergulhou de cabeça e abraçou a personagem com a sua vida, Bette simplesmente deu vida a Baby Jane, trouxe ela para realidade á sua maneira intensa e passional, o que faz com que todos tirem o chapéu e a aplaudam de pé pela grandeza dessa atriz tão ousada e intensa.

O episódio chega a seu fim nos advertindo que nem nós e nem Joan e Bette sabem nada uma sobre a outra mas que irão descobrir assim como nós também iremos. Feud é simplesmente maravilhosa, Susan Sarandon e Jessica Lange estão simplesmente assustadoras de tão boas, o clima vintage, a perfeição no cenário, na fotografia é algo surreal. Geralmente em um piloto de série nós não sabemos muito o que esperar da história, pois, sempre perdemos muito tempo conhecendo os personagens, já em Feud, Ryan conseguiu de uma forma brilhante e muito inteligente lincar a apresentação dos personagens com a história tornando o piloto agil e muito claro, sem espaço para especulações ou duvidas.

Feud é uma série para quem gosta de boa atuação, se é isso que estávamos procurando, com certeza encontramos!

É isso amores, o que vocês acharam do piloto? curtiram? Se sim deixa aqui seu comentário tá? Beijos e até a próxima!!

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Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.

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