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Feud – S01E03 – Mommie Dearest

Sem Palavras!

É surpreendente como Feud consegue subir de nível em cada episódio nos mostrando versões tão diferentes e peculiares de Joan e Bette. A série não quer só mostrar a guerra entre elas ou simplesmente pinta-las como megeras fúteis e superficiais, pelo contrário, nesse terceiro episódio vimos duas mulheres totalmente despidas de suas capas e mascaras e revelando vulnerabilidades adquiridas com o decorrer de suas vidas.

Quando vi o nome do episódio, eu já esperava por algo realmente muito sentimental e mais delicados, pois, para quem não sabe, Mommie Dearest é uma biografia de Christina Crawford, filha mais velha de Joan e que continham relatos sobre o relacionamento dela  e de seu irmão com Joan Crawford. Se vocês forem atrás da biografia de Joan, verão que ela não teve filhos biológicos e todos os seus quatro filhos foram adotados. Nessa biografia Christina alega que Joan  era emocionalmente e fisicamente abusiva com ela e seu irmão Christopher. Muitos amigos próximos a Joan confirmam a história de Christina e muitos outros alegam que tudo não passa de uma mentira. Verdade ou não, “Mommie Dearest” se tornou um grande Best-seller e virou até filme anos mais tarde.

Quando vimos as gêmeas, filha de Crawford, sendo influenciadas por B. D. filha de Davis a fumarem cigarros, percebemos desde então a drástica diferença na realidade daquelas garotas.  Pois, enquanto B.D é toda confiante e dona de si, as filhas de Crawford são totalmente inseguras e inocentes de certo ponto.

Ryan continua a nos impressionar cada vez mais com a sua inteligência e delicadeza, ele conseguiu tocar em um assunto tão delicado como abuso infantil de uma maneira tão sofisticada que é de tirar o chapéu. Eu estava esperando por tudo nessa série, menos presenciar uma cena de Bette e Joan sentadas na mesa de um bar fazendo confissões uma para outra de suas infâncias traumáticas e turbulentas. A cena foi tão densa e com tantos sentimentos envolvidos que era difícil não se emocionar ou não imergir naquele momento. Ver Joan confessar que perdeu a virgindade com 11 anos de idade com o seu padrasto e como isso interferiu em sua vida foi algo realmente forte e até m pouco pesado, mas, serviu para nos mostrar de onde vem toda essa sexualização e essa compulsão por ser eternamente bela. Joan era escrava do sexo desde pequena e essa foi a forma mais fácil que ela achou para lidar com tanta dor e desprezo, principalmente de sua mãe. E assim como vimos uma Joan totalmente perturbada e com problemas emocionais gravíssimos, Entendemos também porque Bette é tão dura e fria emocionalmente, depois de ser abandonada por seu pai e parar em um colégio interno totalmente rigoroso e longe de sua mãe que se matava para ter os filhos de volta, realmente precisava ter um coração de aço para aguentar tudo isso. E mais uma vez somos apresentados a mulheres de verdade com medo, frustrações, magoas e longe daquele personagem construído pela mídia e por Hollywood.

Porém, além de todo esse misto de emoções, algo que também foi muito visível é a admiração que uma tem pela outra, e que apesar de toda guerra de egos que rola entre elas, no fundo, no fundo o que realmente existe nisso tudo é admiração, respeito, e orgulho entre duas mulheres extremamente fortes, decididas e que não aceitam ser engolidas pelo tempo. E se o sucesso do filme é um pretexto para que elas assumam isso; que seja!

Todo esse momento vulnerável e sensível acaba, pois, em um lugar como Hollywood onde tudo é naturalmente falso e manipulado, ninguém estava realmente interessado em querer saber se podia sair algo bom entre Joan e Bette, o que eles queriam mesmo era a guerra, era uma contra a outra e o mais doloroso disso é saber que quem mais alimentou toda essa guerra foi uma outra mulher, Hedda cumpriu bem o seu papel e meteu mais lenha na fogueira para que o incêndio ficasse completo. Por um outro lado tivemos cenas memoráveis de uma tentando sabotar a outra. Vocês sabiam que Joan realmente usou um cinto com pesos para dificultar a cena para Bette? E que realmente Bette colocou um freezer da coca-cola do lado do da Pepsi só para provocar Joan Hahaahahah’

Ryan continuou  majestosamente abordando assuntos delicados de uma forma muito sofisticada. Bette reconhecer o talento de Bob e se interessando para conhecer mais sobre ele foi algo realmente expressivo e aquela sequencia da cena do sexo oral no cinema até Bette indo resgatar Bob na prisão, pois, ele não podia ligar para sua mãe, também significou muito, até porque,  vivemos com isso e vemos isso todos os dias, pessoas que tem medo de revelar o que realmente são e de amar quem realmente querem amar, pois sabem que não serão aceitos por sua família e na sociedade em que cresceu.

Hollywood e todo o seu excesso de atenção sempre foi cruel com as suas estrelas que devido ao tempo vão “perdendo” o seu brilho e sendo cruelmente substituídas por outras. Enquanto jovem, e no auge da beleza, a fama seduz essa mulheres cheias de vida á ponto de defasarem totalmente suas vidas amorosas e o relacionamento com seus filhos, mas, quando a fama as abandonam, a única coisa que fica é o medo de terminar sozinha, sem ninguém para dividir as frustrações e as dores. Joan estava passando justamente por isso e sentia mais do que ninguém o peso da idade. A cena dela sozinha naquela casa imensa e o seu pânico da solidão só acentuou essa marca que o sucesso deixou não só em Joan mas em várias outras estrelas.

Mais doloroso que a marca do sucesso na vida dessas mulheres foi a cena em que Joan decide adotar mais uma criança e esse direito é simplesmente negado pelo fato dela estar velha. Essa cena me doeu igual quando jogamos álcool na ferida sabe? Emocionalmente eu já estou totalmente ligado a essas mulheres e a cada episódio quando temos uma nova camada de cada uma delas essa ligação só fica mais forte e por isso é impossível ver uma cena tão brutal como essa e não se emocionar, não sentir a dor dela.

Se teve alguém que me cativou por completo nesse episódio, esse alguém é Bette Davis. O que foi a cena dela consolando a filha e se mostrando toda solicita com a garota dizendo que ela deu o seu melhor e que era para ela ficar tranquila? Totalmente diferente daquela Bette seca e dura que conhecemos não é? E ela ligando para sua filha caçula que sofre de problemas mentais? Perceber a culpa que ela sente por ter sido ausente só evidencia como Bette é muito além daquela rocha impenetrável.

O episódio acaba com uma cena monstra da atuação da duas e com uma frase no final que foi muito além de atuação:

“Poderíamos ter sido amigas esse tempo todo.” 

Essa frase vai muito além de ficção, aquilo era a pura realidade, era a forma que as duas sabiam se expressar e assumir os seus maiores sentimentos, a cena foi de uma delicadeza tão grande, mas tão grande que o telespectador conseguiu sentir o gatilho de Bette ao dizer aquela frase.

Não tenho mais o que dizer de Feud, eu estou completamente apaixonado por exatamente tudo nessa série. A forma como Ryan tem levado cada episódio e cuidado com o qual ele tem mostrado a história dessas duas é algo realmente encantador. A atuação de Susan e Jessica estão assustadoras, é impossível não se arrepiar com tanta profundidade, vocês tem noção que aquilo é a interpretação dentro da interpretação? Um personagem dentro de outro personagem e fazer isso se descaracterizar nenhum dos dois é realmente magnifico. É impressionante como nós temos DUAS protagonistas, não uma principal e outra coadjuvante. Temos duas estrelas brilhando juntas de formas iguais e cada uma a sua maneira.

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  • Bruno D Rangel

    Vejo a Joan preocupada em mostrar que ainda é bonita e Bette preocupada em mostrar que ainda é talentosa. Sei que ambas querem mostrar os dois, mas fica bem claro que cada uma tem suas prioridades, tanto que é indicada ao Oscar pelo filme. Quero só ver quando essa indicação chegar a série.

    Só uma correção. Na cena do cinema, Bette ajudou Victor Buono e não o Bob.

    • Dam Souza

      Menino, eu passei o episódio todo achando que era o Bob Hahahahahahahah imagine? Também estou ansioso para a chegada dessa indicação e eu quero ver mais a atuação delas no filme, tu não acha que ta faltando não?

      • Bruno D Rangel

        Os dois primeiros episódios tiveram atuações delas no filme e fiquei achando que essa seria a toda a temporada. Mas daí já no início do terceiro episódio já estão gravando as cenas finais. Eu fiquei: “ué?”. Mas vamos ver como ficarão os próximos episódios.

        • Dam Souza

          Siiiim, tive a mesma sensação e no quarto episódio eu fico tipo: WTF?????? Mas jááá?

        • Dam Souza

          Menino, eu fiquei do mesmo jeito e tipo, no quarto episódio minha reação foi: WTF MAS JÁÁÁÁ???????

  • Eduardo

    Feud é maravilhosa – e vai “piorar”, kkkk com a chegada da cerimônia do Oscar e as consequências.
    E tb considero que a série não é apenas de Susan e Jessica, até coadjuvantes com 1 minuto de tela conseguem seu momento de brilho e colaboram pra “densidade” da história, como neste episódio. Mas a Hedda de Judy Davis ainda não consigo engolir…

    • Dam Souza

      Hedda realmente foi o principal pivor dessa guerra entre elas, eu to esperando uma atuação explosiva para as duas quando chegar o momento da indicação ao Oscar

Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.


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