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Feud – S01E05 – And the Winner Is… (The Oscars of 1963)

Anda the Oscar goes to…

Estou tentando achar palavras para descrever essa série e não estou conseguindo. Sério, a forma como tudo vem sendo construído do primeiro episódio até aqui, me levou a questionar se a série teria pano até a season finale e eu fiquei com muito medo dela ficar desinteressante, mas, eu nunca estive tão enganado em toda minha vida como agora. Esse quinto episódio redirecionou todo o enredo da série (Pelo menos na minha opinião.) e uma história que já parecia óbvia e do conhecimento de todos, se tornou inteiramente surpreendente e nos leva a questionar qual será o fim dessas duas personagens de Hollywood e quando digo personagem eu não me refiro a Baby Jane e Blanche não, estou falando de Bette Davis e Joan Crawford. Eu vi muita gente julgando a Joan por sua atitude mesquinha em derrubar a Bette e ainda receber o Oscar em nome de outra atriz, porém, quando falamos de Joan ou Bette não estamos falando de duas simples mulheres que vivem no século 21 e conseguem “lidar” com o esquecimento e desprezo. Estamos falando de mulheres que foram completamente sugadas por Hollywood seja por sua beleza ou por seu talento e que depois foram amargamente cuspidas e descartadas como objetos sem valor algum em um época completamente menos libertária que os dias de hoje e que as mulheres não eram ouvidas.

E se engana quem pensa que que Bette e Joan foram as únicas inimigas mortais de Hollywood, Ryan nos fez o favor de nos lembrar da eterna rivalidade entre as irmãs Olivia de Havilland e Joan Fontaine, duas atrizes mundialmente reconhecidas e respeitadas por seus trabalhos mas que sofreram do mesmo mal que Bette e Joan; Imprensa!

Essas duas deusas do cinema e teatro estiveram brigadas na maior parte de suas vidas, e chegaram a confessar que se odiavam desde a infância. Brigaram pelos mesmos papéis, no caso de E o Vento Levou, Olivia acabou sendo a vencedora, e deu vida a querida Melanie Hamilton Wilkes. Quando veio a versão de Rebecca, de Alfred Hitchcock, Joan foi quem ganhou destaque e ficou com o cobiçado papel da segunda Sra. Winter. As duas também disputaram o Oscar no mesmo ano, e Joan venceu. Joan sempre alegou que Olivia fora o seu pior pesadelo e fazia questão de salientar o quão má a irmã era com ela. o desafeto das duas durou uma vida inteira e existem relatos de que Joan morreu e elas nunca fizeram as pazes.

E mais uma vez de uma forma totalmente delicada e inteligente, Ryan toca num ponto que talvez seja o principal inimigo de todo e qualquer artista: A imprensa. Era muito mais agradável alimentar o desafeto de Joan e Bette do que trabalhar contra essa rivalidade, o lucro, o brilho, a curiosidade das pessoas estavam no ódio das duas e vimos isso estampado em Feud. Joan é sem duvidas a que mais foi influenciada pela mídia, das duas ela era a que tinha o ego mais inflado e a que mais vivia e se dedicava para a imprensa. Isso é visível quando seu desejo de vingança e ressentimento faz com que ela vá exigir sua presença como apresentadora em uma das categorias do Oscar e isso era só o inicio de seu plano de vingança contra Bette, Joan estava disposta a destruir toda e qualquer chance que de sua inimiga de levar mais um Oscar para casa. E para isso ela se junto a Hedda e resolveu mover seus pauzinhos com alguns dos votantes do Oscar.

Dou outro lado Bette esta totalmente insegura e nervosa quanto a sua indicação e mesmo tudo conspirando a seu favor era impossível Bette não se sentir dessa maneira. E por mais que ela tentasse se desligar totalmente da Joan, isso era praticamente impossível, dois dos maiores nomes de Hollywood se juntam em um filme e uma delas é simplesmente engolida pela outra, isso, claro não passaria batido, mas Bette fez questão de fingir que Joan não era parte de seu sucesso o que com certeza contribuiu e muito para o aumento do ressentimento de Joan e claro alimentou ainda mais a má fama que Bette tinha naquela época. Mesmo não concordando com sua atitude com Joan, se tem uma coisa que eu admiro e muito em Bette é que ela nunca fez questão de se enquadrar nos padrões perfeitos da fama, ela nunca ligou por não ser a mais bela, nunca ligou por não ser a miss simpatia igual suas amigas e principalmente nunca quis ser o que os outros queriam que ela fosse. Bette era dona dela mesma e a sua dor não era o abandono da mídia, mas sim o fato de não poder mais fazer o que ela mais amava que era atuar. E para muitos isso pode até passar desapercebido, mas o fato de Bette ir ao tapete vermelho com Olivia de Havilland foi alto tão significativo para aquela época sabe? Duas atrizes igualmente reconhecidas e juntas em um mutuou apoio. Na verdade eu creio que Baby Jane escreveu tudo para que no lugar da Olivia estivesse a Joan mas não foi isso que aconteceu.

Joan também encontrou muito apoio das outras atrizes quando mendigou entre as indicadas alguém que deixasse que ela fosse receber o troféu no lugar delas. No fundo todas sabiam que Joan tinha sido alvo de uma grande injustiça e que merecia ser reconhecida, mesmo que para isso ela colha os louros de outra pessoa. Tivemos a participação da deusa dona da porra toda chamada Sarah Paulson que deu vida a atriz Geraldine Page e o incrível é que por mais que tenha sido uma participação pequena, Sarah consegue passar verdade de uma forma real e intensa.

Uma cena muito forte e que mexeu muito comigo foi a da anne bancroft que concedeu a Joan a oportunidade de receber o Oscar em seu nome e deu a ela o reconhecimento que Joan tanto esperou das pessoas. A emoção que a toma naquele momento e como Jessica passou aquilo foi muito lindo de ver.

O ponto alto do episódio é nas preparações de cada uma delas para a grande noite. Enquanto Bette ta ali toda simples e pratica, Joan chamou um verdadeiro batalhão e quer mesmo chamar a atenção e roubar a cena. EU AMO a forma como Joan se veste toda em cores prata em forma de protesto ao Oscar.

E se a cena entre Anne e Joan foi totalmente tocante e emocionante, a cena do dialogo entre Bette e Olivia foi de tirar o coração do lugar, a forma como Bette se referiu ao seu Oscar e de como ela era dependente do reconhecimento do mundo para com o seu talento me deixou alguns segundos totalmente perplexo e impressionado com tanto amor e entrega aquilo que ela realmente amava.

A cerimonia se inicia e a série faz questão de reproduzir tudo fielmente como deve ser, amei a sacada da série em nos apresentar o Oscar de uma maneira simples e resumida através daquela cena de plano-sequência com a Joan. E a hora em que é anunciado a vencedora da categoria de melhor atriz, vimos Bette e Joan ali no mesmo lugar, no mesmo espaço novamente, porém, separadas pelo abismo criado por seus egos e por pessoas maldosas que destruíram duas atrizes tão maravilhosas. De um lado Bette e tendo somente o seu talento como arma e confiando totalmente nele. Do outro lado Joan e todo a sua magoa e rancor e pronta para tomar o espaço que ela julga ser seu e foi roubado tão injustamente. Ela também deveria estar ali competindo tete a tete com Bette e era isso que ela queria uma aprovação de que era melhor que sua rival.

A grande cena de Bette perdendo o Oscar para Joan/Anne, foi uma obra-prima de tão linda e visceral que foi. a sensação que Bette sentiu do chão desmoronar, das luzes se apagarem e de tudo que estava tão perto de alcançar escapar por suas mãos, foi simplesmente de tirar o folego e provocou um sentimento rela e verdadeiro de perca em nós telespectadores, não tem como ver uma cena daquelas e não querer tomar aquele Oscar e dar a Bette.

De contrapartida Joan tomou tudo aquilo de Bette, pois, ela se julgava merecedora de todo aquele reconhecimento, ela quem deveria ter sido indicada, ela quem deveria ter sido aclamada pela critica e era ela quem deveria estar indo buscar aquele Oscar. Joan fez com que aquela noite fosse dela e naquela altura do campeonato, ter um Oscar com o seu nome nem era mais importante, o que importava mesmo era ela presenciar o momento de derrota de Davis e que ela visse quem realmente merecia estar ali.

O episódio termina nos mostrando que Joan não estava tão satisfeita com o seu “triunfo” e que no final das contas todo aquele glamour e atenção recebidos não valeu de nada e no fim aquele Oscar iria para outras mãos que não seriam as dela.

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  • Bruno D Rangel

    “ela nunca fez questão de se enquadrar nos padrões perfeitos da fama, ela nunca ligou por não ser a mais bela, nunca ligou por não ser a miss simpatia igual suas amigas e principalmente nunca quis ser o que os outros queriam que ela fosse.” PERFEITO!

    Na cena do discurso, achei que Joan ia soltar uma alfinetada a qualquer momento, mas ela se comportou. Prendi a respiração. Achei que nos bastidores ela iria provocar Bette, mas também não precisou. Aquele olhar de desprezo falou por si. Bette totalmente destruída foi triste, mas também lindo de se ver.

    A cena sequência com os bastidores do Oscar também foi magnífica.

    Sarah Paulson <3 O tom dela me lembrou muito o de Bette e Dot de AHS Freak Show *-*

    • Dam Souza

      Eu ainda fico chocado com o nível da atuação da Jessica e da Susan. Naquela cena em que Bette desabafa com Olivia sobre a solidão e a sua necessidade de ganhar outro Oscar, nossa, eu realmente fui contaminado com os sentimentos dela. E sabe uma coisa que eu ando me perguntando, Bruno? Como será nas premiações para enaltecer Susan e Jessica? KKKKKKKKKK’

  • Eduardo

    E sem falar que as coadjuvantes também roubaram “os móveis”: Catherine Zeta Jones e sua Olivia toda delicadinha, mas sabendo ser malvada durante seu depoimento (ainda que a História diga que Joan Fontaine era pior); Sarah Paulson/Geraldine Page virando paçoquinha só com um telefonema de Jessica Lange/Joan Crawford (tio Murphy foi cruel reprisando ACS Coven, né não?). Mas quem me botou no chão foi Serinda Swan (quem?)/Anne Bancroft, e a foto das duas neste post resume tudo. Prefiro acreditar que AB agiu daquela forma mais por piedade de Joan do que por ódio a Bette – dói menos em mim. Senti falta de mais “um segundo de tela” com o ponto de vista de Lee Remick, mas ao mesmo tempo ela não fazia falta.
    Mas acho que o mais doloroso é saber que ainda existem muitas Joans e Bettes nos dias de hoje, e com muito mais aliad@s e ferramentas e “discursos de ódio” para se destruir mutuamente.

    • Dam Souza

      Catherine foi uma peça tão importante nesse episódio e de uma qualidade de atuação não é? Na verdade tudo em Feud é muito delicado, muito bem feito e planejado e não tem como você não se impressionar. Agora, trazendo para a realidade, tu já pensou como será para premiar Susan e Jessica?

      • Eduardo

        Olha o Oscar 63 que vai ser o Emmy 2018: Susan e Jessica indicadas por Feud, Sarah Paulson por AHS (de novo), Reese Witherspoon e Nicole Kidman por Big Little Lies, Jackie Hoffman e Alison Wright esquecidas… Vai ser um banho de sangue na tv americana… kkkk

        • Dam Souza

          Siiiiiim to bem curioso hahahahahha

Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.


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