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Feud – S01E07 – Abandoned

O que está sustentando Feud ainda até o seu último episódio de fato é a atuação.

Não vejam isso como um defeito, muito pelo contrário, só mostra a grandeza de um elenco e direção tão competentes que tem força o suficiente para entregar episódios finais com atuações fortes mais com uma história que já chegou ao fim vamos por assim dizer. Tecnicamente na minha opinião, Feud teria que se encerrar no dia do Oscar, pois, ali foi ápice do rancor entre as duas. Passar desse acontecimento de fato foi muito interessante e nos deu uma outra perspectiva da história e de como ela pode mudar o nosso ponto de vista. Se Feud perdeu a força? Eu afirmo que sim, mas, nem por isso deixou de ser a maior série que você respeita!

Dentre tantas qualidades, uma das coisas que eu mais amei em Feud, foi a forma como em cada episódio Ryan abordou temas tão importantes e que foram ingredientes fundamentais para a guerra entre Joan e Bette. E algo que sempre foi muito evidenciado na série desde o seu primeiro episódio, foi a qualidade de cada uma das duas; enquanto Bette era aquele monstro da atuação que arrancava arrepio de todos, Joan Sempre foi sustentada por sua beleza e sedução que irradiava de seu espírito.

O episódio fez questão de mostrar isso em um dialogo de Bette com Aldrich, onde, ela reconhece que nunca foi bonita e que todos queriam que ela se parecesse com Joan Crawford. O que não era diferente para Joan, quando Bette apareceu com toda aquela sua atuação feroz, visceral que ia além de um personagem, Joan sentiu que aquilo o que Bette tinha era simplesmente o que faltava nela. Como a industria não perdoa e não se importa com o sentimento das pessoas, alimentar o ponto forte das duas e salientar os seus pontos fracos, foi a melhor forma de fazer dinheiro.

Em meio em toda aquela vingança de Bette para com Joan, uma cena que para mim foi perfeita e mostrou mais uma vez os monstros que são Jessica e Susan, foi a cena em que Joan vai confrontar Bette e as duas simplesmente reconhecem que o que falta em uma a outra tem de sobra, aquele momento ali foi de puro desabafo e nos rendeu um dos diálogos mais lindos que já vi e que simplesmente resume todos os anos de frustração de uma para com a outra.

Sempre rolou um mistério do motivo do afastamento de Joan Crawford do filme A maldade na alma (Hush, Hush Sweet Charlotte), A série optou por dizer que a doença de Joan não passou de fingimento para se vingar de Bette e cancelar o filme, porém, na maioria das fontes de pesquisa que relatam esse assunto, todos dizem que Joan estava de fato mal. O que foi ou não verdade, não podemos afirmar, mas, que foi ótimo ver Joan fazendo a convalescida e dando em cima do médico, isso foi.

Nunca foi segredo que todas as divas que vivem para suas carreiras, geralmente possuem uma vida amorosa e pessoal totalmente defasada e solitária. Tanto Joan quanto Bette viveram para suas carreiras, elas não precisavam pensar duas vezes em largar filho, marido, e família para se entregarem a todo aquele glamour e gloria que Hollywood oferecia a elas. Bette só tinha BD e Joan só tinha Mamacita. A série então no seu penúltimo episódio começa a abordar a solidão das duas que agora só teriam a companhia das boas lembranças dos seus dias de glória.

Bette e BD sempre tiveram um relacionamento frágil e de muitas crises, quando BD resolveu se casar, de inicio Bette não concordou, pois, nunca foi uma mãe muito atenciosa e não levava a sério os sentimentos de sua filha. Quando Bette aceitou a ideia do casamento de BD, o que me pareceu era que ela estava dando para uma criança um brinquedo que ela quer muito mas que depois ela iria enjoar e voltaria para o colo de seu pai. Bette planejava toda uma super produção para o casamento de BD e esse era o brinquedo, deixar que ela “brincasse” de casinha e depois que enjoasse voltasse para casa, afinal de contas, Bette já não tinha mais ninguém com quem terminar seus dias de solidão e BD era a única com quem poderia contar. Quando BD joga na cara de Bette que vai embora, pois, aquilo tudo ali era para a mãe e não para ela, acho que ali Bette percebeu que no final de tudo não tinha mais ninguém.

A mesma coisa era Joan que já não tinha mais ninguém e fazia questão de afastar a todos que se aproximavam dela. Mamacita sempre foi a outra metade dela, entendem? Ela era as pernas de Joan e sabia que sem ela, Joan não iria a lugar nenhum e por mais erros que possa cometer, Joan sempre sabia que Mamacita estava ali por ela e para ela. A depressão profunda de Joan já era algo visível e aquela ideia de fingir que estava doente impedindo que a produção do filme fosse adiante só para se vingar de Bette, com certeza só agravaria mais isso. Quando ela descobre que foi substituída por  Olivia De Havilland em Maldade na Alma, Joan simplesmente surta e mais uma vez joga um vaso em direção de Mamacita que cumpre a sua promessa e abandona Joan. Ela agora se viu totalmente destruída sem carreira e sem as suas pernas para poder seguir em frente.

Bom, agora só falta mais um episódio para o desfecho dessa história tão delicada e tão cheia de cicatrizes como é a história dessas duas lendas. Por mais que elas possuam um histórico brilhante e que sempre sejam lembradas como deusas, o final das duas foi a solidão e o abandono, até porque nunca haverá dinheiro, sucesso ou reconhecimento no mundo que compre o amor verdadeiro, pois, no final de nossas vidas a única coisa que realmente fica são aqueles que nos amam pelo o que realmente somos.

 

 

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Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.


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