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Feud – S01E08- You Mean All This Time We Could Have Been Friends? (Season Finale)

Acabou!

Em toda minha vida eu nunca vi um trabalho tão lindo, tão real e tão critico ao mesmo tempo. Talvez algumas pessoas vejam Feud como uma simples forma de homenagem a Bette and Joan ou que simplesmente seja uma série de boa atuação para arrecadar prêmios. Só que essa série foi muito além disso, o principal papel dela não foi uma homenagem, mas sim uma forma de protesto para mostrar o que a sociedade, a mídia, os homens são capazes de fazer com esses artistas, sabe? A pressão de ser bela eternamente, de estar sempre em evidência para não ser esquecido, tudo isso faz com que pessoas normais como eu e você simplesmente sejam maquinas que não tenham direito de pensar, falar ou agir; que apenas viva para ser uma caricatura do imaginário do público e nada além disso.

Bette e Joan aqui não são apenas dois personagens icônicos que fizeram história, aqui elas são mães, mulheres, profissionais, amigas, e principalmente donas delas mesmas. Ao longo de oito episódios essas coisas foram as que mais me marcaram de uma certa forma, porque elas não tiveram a chance de ocupar todos os papeis que as foram atribuídos. Toda a fama, glamour e bajulação das pessoas privaram tanto Bette quanto Joan de guardarem o melhor da vida que é o amor das pessoas que as cercam. Joan debilitada sem aquela luz de uma imponência vitoriana que ela tinha era realmente doloroso, só que mais doloroso que perceber essa luz se apagando dela, é ver como ela aceita o fato de ser engolida pelo tempo e cansada de tanto lutar ela se entrega e apenas espera que o fim chegue. Aquela cena do delírio de Joan serão uma das coisas que nós nunca iremos esquecer, pois, ali estavam os pontos altos de sua vida: Hedda a que manipulava e sustentava aquele personagem chamado Joan Crawford; Jack Warner, aquele que foi responsável pelos dias de glória e pelos dias de dores de Joan, e por fim, Bette Davis, que estava predestinada a fazer companhia a Joan desde o inicio e que só precisava aceitar o fato de que elas se completavam. Não tinha como não chorar ou se emocionar, pois, é impossível você não perceber o estrago que a fama e que as pessoas causaram em Joan. Nessa mesma cena do delírio, o dialogo dela e Bette totalmente desarmadas e com uma admiração mútua, era tudo o que teria sido.

Joan sempre se mostrou mais sensível, mais vulnerável o que era totalmente oposto de Bette; Bette era uma rocha impenetrável que não podia ser facilmente afetada. E assim como Joan Crawford era um personagem altivo e cheio de graciosidade, Bette Davis também era um personagem forte, com características acentuadas que gritava o seu talento para os quatro cantos do mundo e ela precisava gritar, pois, ela fugia dos padrões de beleza e nunca seria reconhecida por isso, Bette sabia que as pessoas precisavam engolir o seu talento para que a reconhecessem por isso, ou ela nunca chegaria onde sempre sonhou. Ela ao contrário de Joan lutou pela sua carreira até o fim de sua vida, e ao longo dessa série podemos vê-la se despindo de suas frustrações e magoas e ao mesmo tempo a presenciamos vestir esses sentimentos e dar mais força a ele. Bette também nunca quis aceitar que estava sendo engolida pelo tempo e o dialogo dela com Victor foi muito cru e real, eu imagino como deve doer você simplesmente ser descartada ou esquecida porque está velha e mesmo com tudo isso, Bette não deprimiu e muito menos parou, ela queria que as pessoas soubessem que ela ainda estava ali e que não aceitaria ser descartada.

E por fim nos despedimos de Bette e Joan, duas estrelas além de seu tempo que foram totalmente devastadas pela fama, pelo machismo e pelos padrões impostos por nós como sociedade. O nome do episódio:

“You Mean All This Time We Could Have Been Friends?”

Para quem não sabe é uma das frases finais do dialogo entre Jane e Blanche usado em What Ever Happened to Baby Jane? onde, as duas simplesmente percebem que deixaram escapar uma vida de amor e companheirismo e poderiam ter evitado um final tão triste. E Baby Jane sempre foi a representação da relação de Bette e Joan, duas mulheres fortes que eram muito maiores que o tempo em que viviam e que poderiam ter feito muito mais se simplesmente fossem amigas. Bette era o complemento de Joan e Joan o de Bette uma tinha o que faltava na outra e por saber que as duas juntas poderiam ser indestrutíveis, a mídia resolveu separa-las usando o ego e o orgulho de ambas mostrando que duas estrelas juntas não podiam brilhar lado a lado.

Bette sempre teve todo o brilho para si  e quando o assunto era talento, reconhecimento e respeito, ela sempre levava a melhor, pois, essas coisas faziam parte de sua carreira e por possuir uma personalidade muito mais forte e contundente, Bette bem la no fundo sempre teve todas as atenções, ela sempre será a grande e brilhante atriz que teve uma carreira invejável e isso nunca mudará.

Já Joan, bem, Joan Crawford sempre foi imortalizada por sua beleza incomparável e como ela conseguia hipnotizar as pessoas com tanta graciosidade. Sempre impecável e com traços perfeitos, Joan era aquilo que as pessoas podiam ter de melhor para se inspirarem em ser um dia, e talvez por isso ela nunca teve o reconhecimento merecido por seu talento. Joan, de forma mais sutil e singela conseguia imprimir uma marca ao que fazia que era impossível não nota-la só que isso por muitas vezes não fora o suficiente para que ela provasse o seu valor e que a beleza não era tudo o que ela tinha a oferecer.

Feud chega ao seu fim nos trazendo uma perspectiva totalmente diferente do que esses ícones realmente representa para nós nos mostrando que por trás de tudo aquilo haviam duas mulheres com frustrações, medo e que não queriam perder o seu único e verdadeiro amor: Talento!

Feud foi de uma maestria e perfeição que nunca será superado, Ryan Murphy vai ter que fazer algo realmente interplanetário para chegar aos pés de Feud: Bette and Joan só queria agradecer a Jessica e Susan por nos presentearem com atuações de arrancar a alma e deixar para vocês que nos acompanharam nessa obra-prima um muito obrigado e nos veremos na Season2!

E só pra não esquecer, deixo o convite para o nosso 2º recrutamento de reviewers do Panela de Séries! Venha se juntar a nós paneleiros! Saiba mais clicando AQUI.

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  • Bruno D Rangel

    Demorei, mas assisti! QUE SÉRIE! QUE ATUAÇÕES!

    Me emocionei diversas vezes. Destaque para as cenas das duas com suas filhas: Bette com BD e Joan com Cindy.

    A cena do delírio também foi maravilhosa e a frase final me deu arrepio. Com certeza uma das melhores coisas que já assisti na vida. Espero realmente que venham muitos prêmios pela frente.

    Ao final do episódio, fiquei alguns minutos pensando em tudo o que aconteceu com as duas e chorei.

    Não conhecia as duas, mas após o início da série assisti aos filmes em que elas ganharam Oscar e What Ever Happened to Baby Jane. Me sinto como um verdadeiro fã de Bette Davis e Joan Crawford.

    SENSACIONAL!

  • Eduardo

    E não foi apenas o “acerto de contas” entre Bette e Joan, cada uma lidou com as mulheres de suas proprias vidas – Joan reatando com Mamacita e perdoada por Cindy, Bette odiada por BD, Faye Dunaway zoando a porra toda (kkkkk).
    Lindo tb o encontro de Joan com seus “fantasmas”: não havia o que/como perdoar, só restava seguir em frente.
    Feud: série do ano do primeiro semestre!

    • Dam Souza

      A série acabou e ficou um vazio não é? Ryan precisará se superar muuuuuuito para bater Bette and Joan

Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.


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