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Game of Thrones – S07E06 – Beyond the Wall

Esse episódio foi uma sucessão de coisas absolutamente loucas e bombásticas, mas nada foi muito surpreendente.

“Nossa, como assim? Teve dragão, teve luta com white walkers, teve Rei da Noite, teve Sansa descobrindo os outros rostos da Arya, teve Gendry correndo (daqui a pouco esse guri vai entrar nos Jogos Olímpicos de Westeros), teve sacerdote de fogo morrendo, teve dragão morrendo e voltando com os olhos azuis e tu realmente tá dizendo que nada de muito surpreendente aconteceu?”. Sim, teve tudo isso, e foi muito legal de ver as coisas acontecendo. Mas quantas delas realmente foram surpreendentes?

O episódio começa com o grupo que todo jogador de RPG sonhou em fazer parte (tinha guerreiro, paladino, clérigo, dois caras que já renasceram, um cara que consegue renascer pessoas, um cara que se curou de uma doença incurável) indo atrás dos white walkers pra esfregar na cara da Cersei. Nada de muito relevante acontece durante algum tempo, afinal de contas eram sete caras caminhando na neve e no gelo. Têm alguns diálogos e conversas entre eles, aprofundando um pouco a relação entre aqueles caras, mas nada digno de muita atenção. As coisas começam a ficar interessantes quando o Cão-de-Caça percebe que eles tão chegando perto da “montanha no formato da ponta de flecha” que ele viu nas chamas, e isso quer dizer que eles tavam próximos do objetivo. À medida em que eles vão se aproximando da montanha, começa a nevar muito, de um jeito que eles não conseguem ver muito do que tá na frente deles. Mas, aparecem umas sombras se aproximando deles. Sombras, tão ao norte, enquanto eles tão indo atrás de zumbis do gelo, não tem como ser uma coisa boa. E de fato, não eram.

Ursos imensos de olhos azuis atacam o grupo e começam a matar uns figurantes que tavam lá só pra carregar o white walker (foi nessa hora que eu tomei um susto genuíno – e acho que essa foi a coisa mais surpreendente do episódio todo). O Beric e o Thoros usam as espadas de fogo, o Jon usa a Garralonga, o Gendry usa aquele martelo louco dele e o resto luta com o que tem nas mãos. e eles até conseguem alguma vitória por algum curto tempo, mas um dos ursos pega o Thoros e faz ele de brinquedo até alguém chegar e matar o bicho. O Beric toca a espada de fogo nos ferimentos, pra ver se a situação dá uma melhorada, mas não dura por muito tempo.

Depois que a batalha acalma, eles começam a ouvir um barulho próximo, e descobrem que tem um pequeno grupo de white walkers caminhando por aí. Eles armam a emboscada mais batida de todos os tempos e atacam os zumbis, mas deixando um pra levar pra Cersei ver que eles são reais. Durante essa luta, o Jon tá combatendo um dos caras que andam de cavalo junto com o Rei da Noite e dá um golpe nele com a Garralonga. Imediatamente, ele cai ‘morto’ e todos os outros zumbis do lugar também desabam, o que faz com que eles percebam que os white walkers voltam a ser só mortos quando o criador deles volta a morrer.

Mas veja só, a emboscada não passou de uma emboscada dentro de outra, um inception, uma inceptioscada, porque o resto do exército da morte tava ali do lado, só esperando pra atacar. O Jon percebe que a coisa vai dar ruim e que vai dar uma merda sem tamanho, então ele manda o Gendry voltar correndo pra Eastwatch e avisar a Daenerys que deu merda e que eles precisam de ajuda, urgente. E lá vai o Gendry, descendo o morro da vó Salvelina, em desabalada corrida. Enquanto isso, os outros começam a correr, procurando algum lugar que esteja a salvo dos zumbis e tudo que eles encontram é um lago congelado, que tá quase quebrando e derrubando todo mundo dentro da água gélida. Eles ficam ilhados no meio desse lago, e os white walkers fazem um círculo ao redor deles, e ficam ali, parados, sem fazer absolutamente nada. E, aparentemente, muito tempo se passa até alguma coisa acontecer.

Falando disso, a gente precisa falar sobre a passagem do tempo em Game of Thrones. As coisas acontecem de um jeito que não faz muito sentido, cronologicamente falando. Nos outros episódios, a passagem do tempo não era importante pra história, então fazia sentido que eles pulassem algumas coisas, até porque a temporada é mais curta e ano que vem acaba tudo. Mas nesse episódio, mais do que nunca, o pessoal perdeu a mão. Os caras caminharam por muito tempo, mas muito tempo mesmo, até achar um white walker. Daí, o Gendry volta correndo dali, correndo sem parar, durante uma noite e uma parte do dia, até chegar em Eastwatch e avisar o Davos pra mandar um corvo pra Daenerys, avisando o que tá acontecendo. Daí escrevem a carta, colocam no corvo, mandam o corvo atravessar o continente quase até chegar em Pedra do Dragão pra Dany montar no Drogon e ir de volta até lá. Só o deslocamento do Gendry, no meio da neve e do frio, já deve ter durado umas boas horas, então não dá pra dizer que tudo aconteceu bem rápido, certamente não tão rápido quanto a série quis nos mostrar. Mas, pra fins de “vamos entregar pro público o que eles tão pedindo”, que é basicamente o que a série vem fazendo, funciona.

Voltando. Enquanto eles esperam alguma coisa acontecer, sentadinhos e juntinhos pra não passar tanto frio, eles percebem que o Thoros não aguentou os ferimentos e acabou morrendo ali mesmo. Ou seja, o Beric perdeu o cara que renascia ele. Dos sete, já eram cinco. Eles queimam o corpo do Thoros, afinal de conta não dá pra dar arma pro inimigo e ficaram por ali, esperando.

Depois de tanto esperar, o Cão se irrita. Pega uma pedra e joga na direção dos white walkers. Acerta a ‘cara’ de um deles, desmantando parte do crânio. Ainda assim, eles não se mexem. Ainda irritado, ele joga outra pedra, que daí sim é o estopim. Um a um, os white walkers começam a ir na direção deles, e eles se preparam pra batalha. Todos eles são ótimos guerreiros, então é natural que eles fossem se sair bem enquanto o número de zumbis fosse razoável. Mas assim que a horda se soltou e veio com força, as coisas começaram a se complicar. O Tormmund quase foi morto messe processo. E eles resistiram bravamente, até o momento em que tudo parecia estar perdido. Só que, de repente, surge fogo do céu e a cavalaria (ou dragoaria?) chegou.

Mas antes disso, é importante falar que a Dany e o Tyrion tão se bicando cada vez mais. Ao que tudo indica, a Nascida da Tormenta tem alguns lampejos do gênio do pai, e o Anão quer evitar isso a todo o custo. A gente não tem nenhuma dúvida da genialidade do Tyrion, mas como andou falhando algumas vezes, é até normal que a Dany tenha esse pé atrás. E é estranho essa importância que ele dá pra questão das famílias, já que trouxe de novo a questão dela ter queimado os últimos dois membros da família Tarly (conhecidos). E, em uma cena curta, ele aconselha que ela não vá resgatar Jon, dizendo que ele sabia dos riscos quando decidiu embarcar nessa missão suicida e ela insiste, dizendo vai ir e pronto, basicamente. O legal desse trecho é ver que os dois tão movidos por fortes sentimentos, o Tyrion de saber que não tem mais pra onde ir se a Daenerys morrer e dela, se importando cada vez mais com o João das Neves.

Daí os dragões chegam tocando o terror, criando um círculo de proteção ao redor dos sobreviventes (e do white walker capturado). E eles fazem isso de maneira bastante efetiva, eliminando com o problema de maneira bastante rápida. PORÉM, AH PORÉM, o Rei da Noite olha pra aqueles dragões e tem uma ideia muito genial e resolve lançar uma lança de gelo em um deles. O alvo é o Viserion, que tá voando bem feliz, fazendo a cobertura do terreno. A lança acerta em cheio e já começa a jorrar sangue e ele começa a cair rapidamente. Quando o pessoal percebe o que aconteceu já é tarde demais e o dragão já caiu no gelo e tá afundando nas águas congelantes do Norte.

E o Rei da Noite quer ainda mais e começa a mirar no Drogon, que tava pousado com a Dany resgatando o pessoal pra saírem da lá. O Jon percebe o movimento e começa a gritar desesperadamente pra eles irem embora, mesmo sem ele, e a Dany até reluta em um primeiro momento, mas percebe que ia perder outro dragão se não fosse embora de uma vez. O Rei até chega a atirar a lança na direção deles, mas o Drogon esquiva.

E nesse processo de avisar o pessoal, o Jon acaba caindo na água, agarrado por white walkers. A gente só vê a Garralonga parada do lado de fora da água, e então o Jon consegue sair da água, com muita dificuldade. Mas agora ele tá cercado por white walkers de todos os lados, e a ajuda acabou de ir embora. Imagens de dor e desespero começam a passar pelas nossas cabeças, mas quando tudo parece perdido, de novo, chega o tio dele, o Benjen Stark, montado em um cavalo e segurando uma espécie de corrente com fogo na ponta. Ele mata os mais próximos, ajuda o Jon a subir no cavalo e diz que não tem tempo deles fugirem juntos. O cavalo dispara e o Jon consegue ver o tio sendo despedaçado antes de apagar.

Em Eastwatch, a Dany tá no alto da Muralha, olhando para o vazio, esperando de maneira um pouco preocupada a volta do Jon. Sor Jorah insiste que eles precisam ir embora, afinal de contas ela ainda tem que mostrar pra Cersei o white walker, mas daí soa o som da trombeta que identifica a chegada de um patrulheiro e um cavalo se aproxima. As roupas do Jon chegam a estar duras, quebradiças, de tão congeladas que ficaram. Ele ainda tá vivo, mas nesse processo de tentar salvar a vida dele a Dany percebe as marcas de ferimento que ele tem no peito e fica com aquela pulga atrás da orelha. Quando o Jon acorda, eles já tão a bordo de um navio com bandeiras Targaryen indo pra Porto Real. E depois que eles ficam um bom tempo de mãos dadas e se olhando, a gente já sabe o que vai acontecer em próximos episódios.

Lá em Winterfell, as coisas tão começando a dar errado, porque o pessoal não confia muito na Sansa. Eles elegeram o Jon como o chefe da porra toda, não ela, e a ausência dele, sem nem sequer dar um sinal de vida, preocupa todo mundo lá. E tudo só piora quando a Arya confronta a irmã, mostrando pra ela o pergaminho que encontrou no fim do último episódio. Por mais que a Sansa tenha sido ‘forçada’ a escrever aquilo, é a letra dela dizendo pro Robb jurar lealdade à família que viria a matar todo e qualquer Stark que conseguissem. E é nisso que a Arya foca dizendo que tava lá no momento em que mataram o pai delas, que a Sansa tava do lado dos assassinos. Aí vem uma discussão de uma dizendo que passou por atrocidades que a outra não seria nem capaz de imaginar, mas a Arya diz que mesmo sob tortura não trairia a família. Ou seja, o plano do Mindinho tá funcionando absurdamente certo.

Preocupadíssima, a Sansa vai procurar o próprio Mindinho pra pedir conselhos, afinal de contas ele é a pessoa mais próxima que ela tem lá. Naturalmente, ele diz que não faz ideia de onde a Arya tirou aquilo e eu até acho que ela tá acreditando nele. Depois de conversar com a Brienne (que tá super escanteada nessa temporada, tirando aquela excelente cena de luta onde ‘REZA A LENDA’ a Catelyn/Lady Stoneheart passa no fundo da imagem), ela resolve ir revistar o quarto da Arya, achando que a guria vai ser burra o suficiente pra deixar o negócio lá. Mas o que ela encontra é muito mais perturbador. Ela acha um monte de rostos, de várias pessoas, inclusive do Walder Frey, aquele cara muito legal que arquitetou o Casamento Vermelho (eu tõ sendo absurdamente irônico aqui, gente). De repente, chega a Arya, que sabia de tudo que a irmã tava fazendo. E começa uma cena meio tensa, na real, com a Arya querendo jogar um jogo com a Sansa, o jogo dos rostos. A Lady Stark tá visivelmente tensa, querendo muito saber o que são aqueles rostos que a irmã guarda numa bolsa e a Arya explica parcialmente, dizendo que pode usar aqueles rostos, e outros, pra se tornar quem ela quiser. “Eu posso até me tornar você”, ela diz, pegando aquela adaga de aço valiriano e indo na direção da Sansa, que nem consegue mais fingir que não tem medo. Mas, assim como entrou, a Arya entrega a adaga pra irmã, vira as costas e vai embora.

Voltando pro norte, a gente vê uns zumbis segurando umas correntes. Um monte de zumbis, uma corrente imensa. E eles tão puxando alguma coisa do fundo da água. E vão puxando. E puxando e puxando. Eventualmente, algo emerge. Um dragão, morto, que tinha caído ali no fundo daquele lago. E o Rei da Noite vai indo na direção do dragão, e quando ele saiu todo da água, ele toca no focinho do Viserion. E, alguns segundos depois, os olhos foscos e sem vida se tornam azuis.

 

P.S.:

Sabem aquela montanha que o Cão vê nas chamas? Aquela pra qual ele precisa ir e por ela passam milhares de mortos? Pois então, essa montanha é a mesma na qual o primeiro white walker foi criado, pelos Filhos da Floresta. O Bran, num dos sonhos verdes, vê a cena junto com o antigo corvo de três olhos, mas naquele tempo, tudo ainda era verde, colorido e cheio de vida. Ela diz que usaram os white walkers na guerra contra os humanos, e que naturalmente a coisa saiu de controle. Ou seja, o Deus da Luz levou o Cão, o Beric, o Thoros e o Jon pro lugar onde tudo começou, veja só.

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  • Bruno D Rangel

    Bran precisa interferir urgentemente pra controlar as coisas no Norte. To torcendo muito pro reencontro da Arya e do Jon, mas acho que nessa temporada não vai rolar.

    Algumas correções: Cão de Caça e não de Guerra. Beric e não Berric. E foi só um urso que os atacou. Há diferenças entre White Walkers e wights. WW são os transformados e wights são os mortos revividos.
    Cara, os mortos não estavam parados por nada. O lago quebrou e eles não tinham como passar, precisavam esperar congelar de novo. Quando o Cão atirou uma pedra e ela não chegou até os inimigos, eles perceberam que o lago estava novamente congelado e avançaram. Não foi porque ficaram “irritados com as pedras” como tu disse.

    • Rafael Augusto

      Obrigado pelas dicas, a maioria delas foram corrigidas já. Porém, vamos falar sobre as outras questões que você apontou
      https://www.youtube.com/watch?v=Z748JxvL7I0 nesse vídeo tem a cena da luta. De longe, o Gendry vê um bicho com os olhos azuis à distância, então a pessoa que está mais a frente começa a correr, tendo o urso atrás dela. Logo em seguida, ela é atacada pelo lado. Pode ter sido um jogo de câmeras para confundir as pessoas, mas, da maneira que foi feito, é possível interpretar que haja mais de um urso. Eles lutaram com um só, então também é possível achar que era um só, mas, de novo, pelo jogo de câmeras feito, existe a possibilidade de ter mais do que um.
      Existe sim essa diferença entre white walkers e wights, mas nos livros, não houve na série uma menção dizendo as diferenças de nomenclaturas entre as duas ‘espécies’ A gente, tendo lido os livros, sabe qual a diferença entre cada, mas tem gente que lê essa resenha que não teve esse contato, então colocar nomes diferentes só iria complicar a compreensão dessas pessoas. Lembra que o público da série não é mesmo que leu os livros e é importante pensar nelas também quando se fala sobre esses aspectos mais específicos.
      Daí vem a parte mais… complicada do teu comentário. Entendo que sim, é possível que eles tenham esperado o gelo congelar pra poder atacar de novo, como tu disse. Mas sabe, os white walkers, segundo uma das profecias, vão congelar o oceano pra atravessar a Muralha. Então, em tese, eles não precisariam esperar esse tempo todo – que não ficou bem claro na série, mas que foi de alguns dias – pra atacar. O que eu acho? Depois de ler e pensar sobre, prestei mais atenção na teoria que diz que o Bran é o Rei da Noite. Lendo ela, percebi que ela faz bastante sentido, inclusive sobre a questão do Rei da Noite conseguir cortar contato do Bran com o animal que ele tá wargando e sobre ele sempre saber a localização do Stark. Ou seja, se a teoria for real, tudo que o Bran sabe o Rei da Noite sabe. Então, sabendo que os Jon pediria ajuda da Dany em uma situação de perigo, ele não ordenou o ataque e ficou lá, esperando, para dar tempo suficiente dos dragões chegarem lá. E essa possibilidade ganha mais força porque, prestando bem atenção, haviam três lanças nas mãos dos white walkers que acompanham o Rei da Noite. 3 lanças pra três dragões.
      Mas desde já, brigado por ter lido e por ter feito o comentário. Esse tipo de discussão é bastante importante.

Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.


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