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Kidding – S01E01 – Green Means Go [SERIES PREMIERE]

“I’m not that word. I’m not a P”.

Olha, preciso confessar que gosto bastante do período que estamos vivendo no mundo das telinhas. Não só os produtos estão sendo produzidos com muito mais cuidado e consciência social, mas também há uma onda de grandes atores de cinema se aventurando em séries e mini séries para televisão.

Ano passado me deliciei apreciando Reese Witherspoon e Nicole Kidman em “Big Little Lies”; há uma semana finalizei “Sharp Objects”, e continuo maravilhada com a atuação forte e marcante da Amy Adams; ano que vem voltaremos a nos inspirar com Winona Ryder em “Stranger Things”. E agora, temos Jim Carrey sendo brilhante e encarando seus próprios demônios – tanto dentro, quanto fora – em tela.

A série está listada como “comédia”, e isso levou muita gente a pensar “ah, mas uma comédia do Jim Carrey”. Mero engano, né? “Kidding”, já nesse piloto, nos mostra o quão carregada emocionalmente buscará ser. Tocando em assuntos densos, e sendo guiada pela desenvoltura sentimental do Jim. E quem já assistiu “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” sabe bem do que ele é capaz quando colocado numa atmosfera mais dramática e suntuosa sentimentalmente.

Sendo assim, nesse piloto somos brevemente apresentados à nossa história. Iniciamos exatamente 1 ano após o acidente de carro fatal que levou um dos filhos de Jeff a falecer precocemente. Jeff, também conhecido como “Sr. Pickels”, é um famoso apresentador de TV infantil e mesmo com tudo desmoronando a seu redor, ele tem que manter a postura alegre.

É deprimente ver tão de perto o quão falso e mascarado é o mundo do entretenimento, o quanto os sorrisos na nossa TV são plásticos e toda a atmosfera de plenitude de existência pode ser forjada. É uma depressão abafada, coberta por plumas coloridas e piadinhas engraçadas.

Quando as câmeras estão rolando, Jeff precisa deixar de existir para dar espaço ao Sr. Pickels, e isso está sempre sendo evidenciado por seu pai/produtor executivo. Notoriamente, toda a vida de Jeff é traçada por essa dualidade. De um lado, os laços pessoais, emocionais, a verdade crua. Do outro, os vínculos profissionais, impessoais, a ilusão racional.

Essas linhas se “enlaçam” quando Jeff praticamente implora para fazer um episódio sobre a morte, como lidar com a perda para crianças. Fica claro que o Mr. Pickels inevitavelmente é também afetado pelas desnivelações da vida de seu ator. Embora Jeff tenha todas as melhores intenções, ele não consegue chegar a seu objetivo.

Mais uma vez o racional, o prático, o confortável é feito… E ele acaba, enfim, por gravar um episódio sobre cores e sua vinculação com datas de mercado, e é este que acaba indo ao ar.

Jeff assiste todos a seu redor desmoronarem pouco a pouco. Sua ex esposa passa por “uma fase rebelde”, seu filho sai da linha e desconhece limites, sua irmã é imprudente e conflituosa, e sua sobrinha começa a experienciar as bizarrice de seus pais.

Toda essa sujeira que comumente jogamos para debaixo do tapete sempre acaba por eclodir, cedo ou tarde. Esse “ponto de virada” parece chegar para Jeff, quando ele decide que precisa mudar. Ser – forçadamente – gentil em situações de estresse, retrair seus sentimentos amargos, engolir os sapos, tudo isso parece ir matando a alma aos poucos.

Quando Jeff raspa parte de seu cabelo, é sua forma de dizer “basta”. É quando ele decide expressar seu descontentamento, é seu grito por socorro. É um claro ato de rebeldia ao que lhe foi dito (“esse cabelo, essas roupas, essa atitude, tudo é parte do seu personagem”). Não dá para viver para sempre sendo apenas um reflexo do que esperam de você. E foi nesse tom que “Green Means Go” encerrou.

Sempre esperamos o melhor das pessoas, mas às vezes é preciso reconhecer o obscuro, para poder chegar no fim de tudo.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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