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Panelaço: Especial Mês do Orgulho LGBT 2018

Junho é o mês do Orgulho LGBTTQ+ e não podíamos deixar de fazer um Panelaço especial para comemorar, com mais séries incríveis que mostram personagens LGBT fortes, carismáticos, cheios de personalidade e incríveis a sua própria maneira e com suas próprias histórias, e não somente como alívio cômico ou pano de fundo para os personagens héteros. Já convido vocês a lerem o especial enoooorme do ano passado, dividido em quatro lindas partes (Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4), cheio de séries maravilhosas jorrando amor e representatividade. Vamos à lista desse ano?

Dear White People

Texto por Andy

Com DWP o papo é reto! Ela fala de racismo da forma mais direta, clara e objetiva e se ela te incomoda, acho bom você repensar algumas coisas, talvez você tenha problemas. Entretanto Dear White People não é só questão racial, ela é LGBT também e vem tratar a sexualidade de um grupo extremamente oprimido, a comunidade negra LGBT, que acaba sofrendo preconceito tanto entre seus irmãos negros heteros cis, quanto entre seus primos brancos LGBTs. E existe beleza aqui também: sem dúvida um dos personagens mais bonitos nessa série é o Lionel, interpretado pelo lindo do DeRon Horton. Lionel foi construído de forma perfeita para retratar como muitas vezes o homem gay se sente no mundo: como um completo desajustado, que não se encaixa em lugar nenhum. Suas vivências como homem gay negro o tornaram introspectivo, tímido, atrapalhado e com medo do que as pessoas vão achar dele, afinal ele é julgado por todo lado. É na trajetória de Lionel na série que percebemos como o mundo pode ser cruel com LGBTs negros, como isso afeta a autoestima individual e que por trás da aparente igualdade, união e aceitação da comunidade LGBT, existe uma faceta racista não muito explorada e comentada. Mas nada disso torna Lionel menos inteligente, muito pelo contrário: ele é um dos alunos mais brilhantes do campus, um ótimo jornalista e extremamente apaixonado pela profissão que escolheu estudar. É difícil não se apaixonar por ele também.

E os LGBTs não se encerram por aí: recentemente tivemos o prazer de descobrir que uma das personagens mais patricinhas, mimadas e aparentemente frescas em DWP também é lésbica! Sim, estou falando de Kelsey Philips (e isso não chega a ser um spoiler pois foi retratado de forma extremamente natural na série). Kelsey é extremamente interessante por ser o tipo de personagem que as pessoas olham e a última coisa que vão pensar sobre ela é que ela é lésbica, portanto, mais uma quebra de esteriótipos aqui, ainda mais quando falamos de mulheres lésbicas negras. Esperamos realmente que na terceira e já confirmada temporada tenhamos o prazer de ter um episódio inteirinho dedicado a ela.

Queer Eye

CAN YOU BELIEVE? O remake produzido pela Netflix da popular série dos anos 2000, “Queer Eye For The Straight Guy”, é um dos maiores acertos do serviço de streaming até hoje. Você ri, você chora (muito), e o sucesso foi tanto que a série teve sua premiere em fevereiro de 2018 e agora em junho já ganhou sua segunda temporada. Temos um Panelaço destinado exclusivamente a este hino de série, que você pode ler aqui, mas pra quem não conhece a série traz cinco gays que “reformam” a vida de uma pessoa por episódio. Temos Antoni como expert de comida e vinhos, Tan como estilista, Bobby como arquiteto e designer de interiores, Karamo com cultura e experiências e o meu favorito, Jonathan, como cabeleireiro e barbeiro.

Duas coisas devem ser ressaltadas sobre a série: primeiramente, eles não possuem aquele tipo de atitude próprio de programas de makeover, que basicamente esfregam na cara da pessoa que ela é um lixo, não sabe se vestir, se portar, e tem um mal gosto crônico. Eles sempre partem do pressuposto da empatia e da funcionalidade, e somente dão dicas e aconselhamento para que a pessoa se torne a melhor versão possível de si mesma. E segundo, a série não reforça nenhum tipo de estereótipo. Os Fab 5 já são bastante diversos (Karamo é negro, Tan tem origens indianas, Antoni é canadense e tem origens – salvo engano -, no leste europeu, e Jonathan é a pessoa mais chamativa e fabulosa que você vai conhecer na sua vida), mas o próprio programa “reforma” as pessoas mais diferentes possíveis para mostrar que, independente de quem seja, um pouco de aconselhamento e estilo fazem bem a todos. O programa já trouxe héteros, gays, mulheres, pessoas de cor no geral, e até gente que votou no Trump. Sem preconceitos aqui (de verdade). YAAAS, QUEEN!

American Crime Story


Texto por Andy

ACS é mais uma das séries antológicas que tem o dedinho do Ryan Murphy. A cada temporada somos apresentados a um crime real que causou polêmica no mundo todo. Enquanto na primeira temporada pudemos saber os detalhes do caso O.J. Simpson, na segunda temporada embarcamos no assassinato de Gianni Versace, cometido pelo serial killer Andrew Cunanan. Essa temporada foi excepcional por abordar em tantas camadas o assassino, que era gay assim como o próprio Versace, e mostrar a dificuldade de Gianni em viver como um estilista famoso mundialmente e explorar sua sexualidade.

A série foi muito criticada por não abordar tanto os Versace e se ater mais ao Andrew, sua vida e todo o caminho que ele percorreu até cometer o famoso assassinato, mas infelizmente muitas pessoas não entenderam que o foco da temporada nunca se propôs a ser o Gianni e sua família, e sim sobre a negligência da polícia em investigar a violência contra LGBTs, e isso a série fez com maestria. Se a polícia tivesse dado a atenção necessária ao primeiro assassinato cometido por Andrew, Gianni poderia estar vivo atualmente. Foi necessário que alguém muito rico e famoso morresse para que a polícia tomasse uma atitude de fato e ainda assim eles não foram tão eficazes. Tudo isso pela clara homofobia existente na época, que faz com que mesmo as instituições que deveriam nos proteger não se importem com vidas LGBTs, como se essas vidas fossem de segunda categoria e não merecessem a mesma atenção e cuidado.

O interessante na segunda temporada de American Crime Story é compreender que apesar de toda a sua crueldade, Andrew também foi vítima de um sistema homofóbico e capitalista. É óbvio que nada disso diminui todas as coisas horríveis que ele fez, mas abre uma reflexão para pensarmos como e quais indivíduos estão sendo formados por esse sistema. Além de tudo isso, Darren Criss (ele mesmo, o Blaine de Glee) está impecável na pele de Andrew Cunanan, assim como a Penélope Cruz na pele de Donatella Versace.

How To Get Away With Murder


Texto por Andy

How To Get Away With Murder é aquela série conhecida por seus episódios cheios de polêmicas, assassinatos, traições, jogos judiciários e, de novo, assassinatos. Mas, sem dúvida, uma das grandes qualidades desse universo criado por Peter Nowalk e produzido por Shonda Rhimes é a diversidade presente no cast. É importante perceber a inclusão de personagens negros e latinos colocados ali de forma extremamente igualitária, todos dotados de personalidades muito complexas e profundas. O mesmo serve para seus personagens LGBTs. Está bem claro que a sexualidade e a raça não são o foco da série e, sinceramente, isso é um das coisas que mais atraem aqui. Costuma ser chato quando a única pauta de um personagem negro, latino ou LGBT é sua sexualidade ou raça, mas pessoas não-brancas e não-héteros não se resumem às suas orientações sexuais e/ou etnias.

Logo na primeira temporada fomos introduzidos a Connor, um dos alunos de Annalise que, além de gay, sabia usar sua sexualidade para conseguir informações e que foge do estereótipo do homem gay muitas vezes retratado pela grande mídia. No decorrer das temporadas as camadas desse personagem só foram se aprofundando e o público foi capaz de amá-lo e odiá-lo em diversos momentos. E foi graças ao Connor que fomos apresentados a um dos personagens mais amáveis da série, Oliver, que traz um contraste direto a Connor, frio, calculista e muito esperto, por ser completamente doce, ingênuo e carinhoso. Além dessas características, Oliver é um dos personagens asiáticos da história e também colocou em pauta a discussão sobre o HIV e o preconceito existente na comunidade LGBT com pessoas que vivem nessa condição. Foi bonito ver o amor entre Connor e Oliver superar essa barreira, afinal já passou da hora das pessoas entenderem que não existe problema nenhum em se relacionar com quem é soropositivo, desde que se tome as devidas precauções, questão que a série também aborda com maestria. Além disso, é interessante perceber como esse casal é abordado na série de forma muito natural, como deveria ser em todos produtos audiovisuais, afinal, eles são um casal comum, com momentos bons e ruins. E com certeza a construção dos dois personagens como pessoas inteligentes e fortes é muito simbólica numa sociedade que adora estereotipar a comunidade LGBT.

Não podíamos encerrar esse assunto sem falar sobre a dona e proprietária da série. Annalise Keating também é uma mulher negra bissexual, e o mais interessante nisso é a forma que com que essa nuance da personagem foi abordada, sempre extremamente natural e sem tornar isso uma enorme questão para a personagem e aqueles que a rodeiam. Foi na segunda temporada que descobrimos sobre seu romance de anos com Eve Rothlo, interpretada pela maravilhosa Famke Janssen, e todos nos apaixonamos por esse casal incrível. Claro que essa personagem não foi introduzida na série à toa: ela foi mais uma que estava envolvida na teia de crimes e dramas de Annalise, mas foi realmente incrível ver essa faceta de Annalise e torcer muito para que o casal desse certo.

13 Reasons Why

13RW é atualmente uma das séries mais inclusivas dentro da temática adolescente. Temos diversos personagens LGBTs, todos em idade escolar e todos com suas histórias pessoais quanto à aceitação própria e dos amigos e família. Ryan é assumidamente gay desde sempre (assim como o ator, Tommy Dorfman), e sofre com certo bullying escolar por ser tão abertamente ele mesmo, mas nunca deixa que isso o afete e não esconde sua sexualidade ou seu jeito de ser em nenhum momento. Courtney, que descobrimos que é lésbica, tem muitos problemas de aceitação própria por ter medo do que as pessoas da escola vão comentar (porque sabemos como adolescentes podem ser infernais), mesmo tendo como pais um casal homoafetivo que dá a ela todo o apoio do mundo. E Tony, que inicialmente parece ser um estereótipo do personagem latino machão mas também é gay, e tem que lidar com toda a questão de querer esconder sua sexualidade a todo custo de todos, até porque é muito mais difícil se assumir quando se tem todo o peso da masculinidade tóxica imposta aos homens latinos, além do peso da religião e da família. Além disso, não podemos deixar de citar o Brandon Flynn, ator que faz o Justin, que se assumiu gay após a estreia da série e atualmente namora o cantor Sam Smith. Cuidado para não desmanchar numa poça de amor e shippagem ao ver uma foto dos dois!

Please Like Me

Please Like Me é a melhor “dramédia” que você vai ver na sua vida. Pode me cobrar. A série, que foi finalizada no final de 2016 e conta com quatro temporadas, conta a história de Josh, um jovem universitário da Austrália que possui literalmente todos os problemas do mundo e lida com eles de maneira bizarramente bem humorada, através principalmente do sarcasmo e da autodepreciação. Não chega a ser um spoiler, mas na primeira cena da série temos Josh em um encontro com sua então namorada, Claire, em que ela termina com ele porque ele é gay, o que ele mesmo ainda não tinha admitido para si mesmo. A partir de então, ele começa a lidar com sua sexualidade com o surpreendente apoio de sua família e amigos, o que se torna uma das coisas mais legais da série, porque temos por aí uma variedade enorme de casos em que a pessoa LGBT é rejeitada e sofre horrores nas mãos de literalmente todos ao seu redor, mas faltam algumas histórias em que isso não acontece, e a pessoa é aceita e amada exatamente do jeito que é.

Josh tem uma família estranha e linda, além dos melhores amigos possíveis, e além da sua sexualidade ele também lida com diversas outras questões presentes na vida de muitos jovens como o desejo de aceitação, as relações amorosas problemáticas, depressão na família, mortes, problemas de autoimagem, entre muitos outros, e o melhor é que a série é muito, muito real. A melhor recomendação possível para quando se quer rir, chorar e aprender muito.

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E assim terminamos nossa homenagem em mais esse Pride Month! Espero que tenham curtido, e se esquecemos de algo, deixem nos comentários!

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Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

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