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Panelaço: Os Melhores Filmes de 2016

Sempre teremos o Cinema!

2016 não foi um ano muito legal, muitos acontecimentos ruins, um número seguido de tragédias e pareceu que Shonda Rhimes e George R. R. Martin decidiram se juntar e escrever o roteiro de um ano. Entretanto, nem tudo foi ruim e sempre podemos contar com o Cinema para escapar de toda a crueldade da realidade. Em um ano que os blockbusters decepcionaram um pouco e os filmes alternativos foram aqueles que conquistaram o nosso coração, eis a escolha do Panela para os melhores filmes que estrearam no Brasil (Cinema, Home Video, VOD) em 2016.

 

6º – Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings), dirigido por Travis Knight.

Ultimamente, as animações que se destacam no ano costumam apresentar várias mensagens políticas e sociais que se espalham por camadas de interpretações que o filme apresenta, Kubo não escolhe esse caminho para o sucesso, pelo contrário: aposta na simplicidade e despretensão para conquistar o público. Isso não quer dizer que não seja uma obra superficial, nada disso, Kubo é visualmente estupendo, musicalmente encantador, tematicamente fascinante e nos chama a atenção justamente por apoiar-se na pura força de uma história cativante sendo bem contada. Seja adulto ou criança, homem ou mulher, rigoroso ou não, Kubo e as Cordas Mágicas com certeza guardará um lugar especial em sua memória ao apresentar camadas de graça e beleza que lhe arrebatarão do início ao fim.

 

5º – O Quarto de Jack (Room), dirigido por Lenny Abrahamson.

Ao ler a sinopse de O Quarto de Jack, a primeira coisa que passará pela cabeça da pessoa será que se trata de um drama pesadíssimo e, embora este pensamento não esteja completamente incorreto, essa ideia é consideravelmente equivocada. Mostrando a história do ponto de vista de Jack, o filme nos apresenta sua chocante trama com a ingenuidade do olhar ingênuo e curioso de uma criança, mesmo que nunca esqueça do quão denso e pesado sejam os temas abordados aqui. Com Brie Larson e, principalmente, Jacob Tremblay apresentando atuações poderosas, o resultado final é tão aterrador quanto lindo de se ver e mais do que justifica sua aparição nesse panelaço.

PS: Apesar de colocar o link do trailer abaixo, eu recomendaria a quem ainda não viu o filme não apertar o play, pois isso estragaria um bocado da experiência que a obra pode proporcionar.

 

4º – A Chegada (Arrival), dirigido por Denis Villeneuve.

Os trailers nos vendem um filme grandioso de ação, uma invasão alienígena agitada e empolgante, porém, quando reservamos um tempo para assisti-lo de fato, o que encontramos é um longa intimista sobre a sociedade como um todo com reflexões sobre linguagem, tempo e a vida humana.  Falando assim, parece aquele filme intelectualóide, moroso e incrivelmente chato, mas, acreditem, passa longe disso. Sempre estabelecendo tensão e mantendo o público fisgado no que está acontecendo, Villeneuve (que também dirigiu Incêndios, Os Suspeitos, O Homem Duplicado e Sicario) entrega um trabalho instigante que não só marcará a sua experiência como espectador como também o mudará como ser humano. Destaque para a atuação contida de Amy Adams e para a já inesquecível trilha sonora.

 

3º – Aquarius (Aquarius), dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Com ou sem protesto em Cannes, esse ano não teve obra mais representativa para a alta qualidade do Cinema nacional que Aquarius. Poderia escrever palavras e mais palavras ressaltando o quão inteligente e rico é o roteiro, poderia tecer elogios incansáveis sobre a exemplar direção de Filho, porém, não consigo lembrar do filme sem focar na intensa atuação de Sonia Braga. O filme é tão dela que (mesmo que não seja SÓ dela) é impossível assistí-lo sem ter vontade aplaudir a cada momento onde, com a menor contração de lábios, a atriz exprime uma impressionante complexidade emocional com tão pouco esforço. O Cinema nacional está vivo, minha gente, e Aquarius é uma das maiores provas disso!

 

2º – O Lagosta (The Lobster), dirigido por Yorgos Lanthimos.

Imagine um lugar onde qualquer pessoa solteira é imediatamente presa e levada para um hotel para encontrar um parceiro em 45 dias e que, caso não encontre, é transformado em um animal de sua escolha. Uma premissa bem louca e curiosa, mas que serve como o pilar principal para uma das obras mais originais dos últimos anos. Apresentando um ponto de vista sarcástico, ácido e cru sobre o amor/paixão e sobre como a sociedade trata esses sentimentos, O Lagosta nos faz refletir, apreciar sua genialidade e até mesmo torcer para que uma relação verdadeira nasça nesse mundo tão desesperançoso. Definitivamente não é um filme que você esquecerá com facilidade.

1º -… Opa! Vamos trocar um pouquinho a ordem e guardar o primeiro lugar pra mais tarde e apresentar a menção honrosa aqui, vamos? Então vamos!

Menção honrosa: Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight), dirigido por Thomas McCarthy.

O vencedor do Oscar de Melhor Filme do ano não podia deixar de aparecer por aqui. Com uma trama polêmica e um tema extremamente relevante, Spotlight nos prende pelo ritmo ágil, pelo ótimo elenco e pelo roteiro impecável que, mesmo não apresentando grandes momentos, chama a atenção pelo todo irretocável e por focar na parte investigativa sem nunca esquecer de apontar o dedo na polêmica que aborda. Um dos grandes filmes do ano que por pouco não entrou no nosso top 6.

Agora sim chegou a hora de ver quem ocupa o primeiro lugar deste Panelaço. Preparados ou não, aqui vai…

1º – Carol (Carol), dirigido por Todd Haynes.

Há filmes que impressionam pela grandeza das atuações, há outros que impressionam pela genialidade do roteiro, alguns chamam a atenção só por serem genuinamente divertidos, no entanto, existem aqueles casos raros de filmes que transcendem a soma de características e nos apaixonam pelo todo, e é nesse último patamar que Carol se encontra. Seja tecnicamente ou dramaticamente, o romance entre Therese e Carol é de uma grandiosidade tão ímpar que deve ser celebrada por qualquer um que a veja. É uma história que defende a bandeira LGBT sem nunca fazer disso seu ponto principal, é um romance que nunca se limita a mostrar apenas o lado doce de um relacionamento ainda que nunca deixe-o de lado, é um estudo de personagens que em momento algum soa pretensioso ou vazio, é de uma excelência técnica que nunca é voltada apenas para conquistar o maior número de prêmios e sim para auxiliar o funcionamento (a fotografia, o figurino e a trilha sonora são personagens tão essenciais ao filme quanto Carol e Therese), é um filme completo como poucos e que não poderia estar em outra posição dessa lista que não fosse o topo. Se você ainda não viu esta obra-prima, faça um favor a si mesmo e veja o quanto antes!

Houveram outros ótimos filmes esse ano que não garantiram um lugar nesta lista, mas isso não significa que eles não são dignos de serem lembrados. Dito isso, quais filmes vocês acham que mereciam um lugar nessa lista? Teriam citados os mesmos que apareceram aqui? Comente e nos mostre os seus favoritos de 2016 e vamos torcer para que o ano que vem nos tragam filmes tão maravilhosos quanto esses citados. Até lá!

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Autor

Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.


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