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RuPaul’s Drag Race – S09E11 – Gayest Ball Ever

Sobre o Ball, Dorothy, Basics e Injustiças (?)

Top 5, junto com SnatchGame, é um dos momentos mais importantes e aguardados pelos fãs do show. Temos o desafio do Ball, para todas que amam um fashion (afinal, é para isso que tou aqui) e que exige criatividade, inovação e identidade das racers, além de praticamente garantir uma vaga na final e ter certo pesa na coroa, vide Sharon e Violet.

Nesse ponto do jogo, a competição está acirrada, os pesos mortos se foram e não tem mais para onde esconder. Ou mostra ou vaza. Com as chances estreitas para algumas e mais tempo em conjunto no workrom para costurar (ou fazer intriga), questionamentos e confrontos surgem. É inevitável. Toda temporada (- a 6) temos ataques e lavagem de roupa na reta final. Esse ano não teve uma hora de ep como no passado, Derrick x Naomi, mas mesmo assim, rendeu bem. Por partes.

Nina se foi, sem grandes surpresas ou lamentações (volta Valentina) e o clima já é outro na sala. Ela era como uma parte fora de sincronia das demais. Querendo ou não, essa estranheza, destoava e transformava toda a atmosfera ao seu redor (não que seja sua culpa).

O mini-challenge deu as caras de novo, nos trazendo o venenoso Pupett. Reading versão 2.0, agora interpretando outro oponente, com mais acurácia e qualidade que o .1, pois temos menos queens, tecnicamente melhores, e mais tempo de tela para conhecer as deficiências de cada.

Sempre temos ótimas leituras, e nesse o destaque foi Sasha, congando a Trinity e suas plásticas, ainda puxando para coito com cavalo vulgo Nina. Morri nessa parte. Sasha cansou de provar por A+B que é natural e saber ser engraçada-esperta. Trinity aproveitou para atacar Shea, como ela tem amado fazer, e Pepper saiu com uma Alexis verde. Shea foi ok, com certeira alfinetada nas partes baixas preguiçosas que Peper faz. Ruim, só Alexis, que nos deixa a ouvir grilos em sua leitura. De péssimo gosto e sem graça. A única que aplaudiu foi a RuPaul por educação.

Sasha ganhou o mini, e com ele a responsabilidade de elaborar uma coreo de ginastica artística para apresentar antes da entrada do Ball. Em geral essas danças antes são meio pombo e aperitivo para o principal, mais tradição mesmo. Quem diria, que esse poder chato lhe traria ataques da Alexis, louca a procura do mais banal motivo para criticar e tentar desestabilizar as demais.

O que o desespero não faz neah gente. Quem antes dava uma de centrada, forte competição para Trinity, agora tá no maior desilusional, achando ser uma gatinha campeã, quando não passa de uma B Bitch (não vou dizer o adjetivo, pois a própria já pegou trauma). Fato é, ela se acha extratosfericamente melhor do que tem conseguido mostrar. Por cima, fica com raivinha, quando as outras não dão a pitada de senso crítico que ela precisa na execução do look. Pegou o ep todo para se passar. Do começo ao fim, cavando mais fundo seu poço.

Para o Ball, tivemos quase como o prometido, o mais gay de todos. Temas: Arco-íris, Sexy Unicorn (que de tão usado no carnaval desse ano, caiu para manjado abusado no próximo, junto com a fantasia de índio e sua apropriação cultural) e Village People Extravaganza, cada uma pegando um personagem. Posso falar a verdade? Amay demais essa homenagem a cultura e seus símbolos, só poria mais esforço a procura de outra ideia que não VP. O resultado, no geral, foi maravilhoso: com duas excepcionais, duas boas e uma péssima. Meu ranking pessoal ficou assim:

Alexis Michele:

Look arco íris estridente e brega, que laço era aquele senhor ?, meus olhos arderam ao ver. Do unicórnio: um maio (de novo), peruca e rabo branco, com investimento nas ferraduras, que estavam mal feitas. Não gastaria procurando uma palavra mais apropriada que a com B. Look nativo, outra derrota. Você espera um Raja flashback, a bicha aparece com uma flecha na cabeça, um corpete rodeado de joias azuis, que segundo ela, estavam a chamando para construir o look todo em cima delas (ou seria sua derrota?), e um pano jogado como parte de baixo. Não acertou em um sequer. Assim fica difícil para os Alexisfãs, se é que existem.

Peppermint:

Look arco íris bonito, não é aquela coisa que original, mas representou bem essa coisa Parada, muito vista, mas sem ser feio. No do unicórnio ela tentou ir além, uma coisa meio futurista, mas ficou cheio de partes e sem coesão entre. O look Couro não foi gagging, mas novamente, não ficou feio, ela foi pelo convencional, assim não tem erro. Seu diferencial ficou por conta do personagem incorporado para vender a roupa, convincente e divertido, fazendo valer o conjunto. Desconte na performance garota. Biscoito e ponto para ela. Porém, é como Trinity bem lembrou: com Pepper estamos deixando passar os detalhes e relevando os erros por conta de sua personalidade.

Trinity Taylor:

Trinity aqui só está na frente de PepperMint, pois conseguiu ficar bonita em todos os looks plus incorporar um novo personagem em cada. O arco íris foi discreto, trazendo o mínimo para não fugir da proposta e bem a cara da Trinity. Unicórnio nada demais, só que remetendo a um conceito da infância, o que foi uma boa ideia. Não gostei da cintura para baixo do look policial, mesmo assim a parte de cima, corpete, make, hair, boné, são boas suficientes para passar.

Shea Coulee:

Look arco íris fugiu das cores principais do tema, não tinha íris, mas foi colorido, neon, grafite. As manchas no corpo que a diferenciaram. O do unicórnio estava ok, amei essa coisa cavalo negro de couro, que apesar de visto, teve representação on point. A construção sim que estava bem fashion street descolado com aquela capa de remendos maravilhosa, já quero para mim! Sou do ramo da construção e vou incorporar o turbante em baixo do incomodo e brega capacete de trabalho.

Sasha Velour:

Acima das outras por motivos de perfeição em todas suas peças. Além de execução certeira nas três categorias, cada uma carrega um porque por detrás. Sasha trabalha com contextualização. Não é só a roupa pronta, jogada, digerível, ela te leva a outro conceito dali. Só naquele mono pluri cromático forte, com casinha da Dorothy embaixo da coroa, ela já tinha me ganhado. Quando ela disse descontruir o arco íris, pensei no álbum do Pink Floyd e algo do tipo físico. Mas jamais esperava por aquela referência, que inclusive só consegui catar inteira depois. O do unicórnio foi também o melhor de todos na concepção medieval no período. Só o cowboy que esperava mais, preferindo assim o da Shea que o dela, não deixando por isso, de ser lindo e chique. Aprendi aqui Magnólia a fazer um vestido bafo com esse tema.

Deliberações sensatas, as duas convidadas com ótimas críticas, especially Joan Smalls, que é do bziness. Uma delas sobre Alexis eu particularmente gostei:

Expectativa x Realidade

A crítica que não me desceu direito e soou infundada foi quanto a Sasha não ser o que se espera de uma drag, por ser muito chique, fashionista, minimista. Oi? Tá certo que esperamos certo exagero vindo uma drag, o que não quer dizer que todas devam atender a isso. Até por que Violet não era das mais over de top no quesito estética e mesmo assim ganhou. Sasha tem seu estilo próprio, inteligente e refinado, diga-se por sinal. Não abusar das proporções não é motivo para coloca-la no “ah não é drag”.

Ru preferiu a capa da Shea e temos assim mais uma injustiça para a conta de Sasha, que não vem sendo reconhecida como merece. Se fosse isolado, uma vez, ok, mas já se acumulam quatros vezes, duas seguidas, que ela merecia um win e ficou no safe. Tudo por motivo de: plot. Nas duas de baixo, ela deixou de ser escolhida em troca das que precisavam mais desesperadamente de um win, Pepper e Alex, e nas duas últimas em troca de acirrar a competição entre Trinity e Shea, que convenhamos, aí que está a coroa. Edição e cotação definem.

Sahsa é muito zen, evoluída (nem carne come) para essa jogo onde se valoriza o fator fierce. É como se ela não quisesse ou fosse tão competitiva quanto Trinity, Shea e Alexis, mas na verdade, ela se tornou muito de boa a ponto de não se importar com o resultado caso bom ou ruim. Ela faz seu trabalho, se dedica e põe o melhor que pode nele, pois ama o que faz. Isso devia contar de alguma forma. Contudo, sabemos que: o bonzinho só ganha no final quando sofre bem muito pelo caminho, podendo mostrar assim toda sua resiliência, aka Jinks. Nessa season não temos espaço para nenhuma Roxxxy com esse clima bff instaurado.

Para dubar, Pepper (com Trinity escapando por pouco) e Alexis (merecidamente). A música, Macho Man, clássico, hino, cara das gays. Há outras preferíveis, mas não para Pepper dona e proprietária na empresa lip sync. Teve presença, entrega, peruca surpresa e passinhos próprios de robô. Pisou na Alex, que só tirou um bigode e fazia passos constrangedores de feio. Já vai tarde embuste.

Ficamos com o top 4 e não há espaço para uma das meninas. Quem vai ficar de fora? Pepper ou Sasha? Aposto na primeira. Se a última sair vai ser muita sacanagem com um histórico impecável desses. E vocês, o que acham? Justice for Sasha? São team Shea ou Trinity? Ou Pepper, rs?

 

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  • Renan Lima

    Sasha novamente sendo injustiçada. Estava esperando sua review justamente pra comentar isso: “crítica que não me desceu direito e soou infundada foi quanto a Sasha
    não ser o que se espera de uma drag, por ser muito chique, fashionista,
    minimista.”. Concordo com você, acho que Rupaul’s drag race ressignificou o que pode ser considerado drag. Raja e Violet estão aí pra provar que uma drag pode ser sim fashionista e chique, assim como também pode partir de um exagero.

  • Bruno D Rangel

    Concordo que a Sasha deveria ter sido a melhor. Achei até a Trinity melhor que a Shae. Sou fã da Pepper e mesmo achando ela mais fraca que as outras, espero muito que vá para final.

    Também não vejo tanta vontade de Sasha de ganhar. Parece que ela está sempre ok. Tudo bem que ser uma sem noção como a Alexis é demais, mas acho que falta vontade de ganhar pra Sasha.

    A final para mim seria Peppermint, Shae e Sasha.

    PS: congando e TROUXIA (essas palavras não existem!!!) foi demais. Até entendi que congando era pra ser gongando, mas “trouxia”? Não entendi.

    • Robson Abrantes

      Nem acho que seja falta vontade de ganhar da Sasha, suspeito que, por ser vegan e seu comportamento em geral, ela segue uma filosofia oriental, de desapego aos desejos e ambições como forma paz e equilíbrio interior. Só assim para não se abalar e sofrer por decisões externas e fora de seu controle, como as feitas por Ru.
      Viajei, mas é isso que ela me passar. Só que, sei que não é para equilíbrio que vemos o show. Queremos garra, sangue nos olhos.
      E obrigado pelas dicas e presença 🙂 Trouxia realmente não existe (cabeça exausta ao revisar), e até há pouco morria achando que a palavra é congando haha. Fui pesquisar, e é bem interessante sua origem num reallity de calouros. Como lembro dela assim desde adolescente e para não cometer injustiça (Sasha) pela sua companhia, vou deixar dessa vez como neologismo.

Robson Abrantes

Engenheiro civil na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, vício que não conseguiu largar desde então.


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