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Sharp Objects – S01E05 – Closer

“I guess that’s why I never loved you”.

Particularmente, eu acho muito legal quando o nome do episódio acaba se tornando sua própria sinopse. O episódio dessa semana foi intitulado “Closer” (algo como “mais íntimo” em português), e isso resume de forma bem redonda toda a sua intenção: criar vínculos.

De forma discreta e em falso espírito de união, nós adentramos o mundo das relações de Camille, algo que vinha sendo pouco explorado, sempre deixando um ar de mistério quanto à isso. Mas essa semana nos vimos uma Camille despida – em muitos sentidos – e isso foi bem forte, precisamos admitir.

Vimos Camille chorar e ser honesta quanto seus sentimos com seu chefe, que uma relação muito presente, no entanto, pouco explorada até então. Vimos Camille se aproximar de Amma e tentar entender suas oscilações, assim como vimos Amma se humanizar um pouco mais em relação a sua irmã mais velha. Vimos Camille se tornar mais íntima, no sentido primo da palavra, do detetive Richard. E a cereja no topo, ao menos para mim… Vimos Adora admitir que nunca foi capaz de amar sua filha.

Todos esses vínculos estão marcados em Camille, alguns permanentemente em forma de cicatrizes. E à medida que aprendemos um pouco mais sobre eles, conseguimos enxergar com mais clareza toda a angústia de alguém que nasceu e cresceu em um ambiente pouco nutrido de amor e de extrema hipocrisia.

Não estou querendo dizer que somos frutos do meio, não inteiramente, mas somos altamente influenciados pelos acontecimentos à nossa volta. Citando Adora, Camille é “uma rosa rara e delicada”, e é mesmo, mas precisou desenvolver espinhos afiados e grossos para se defender, mas que acabaram apenas por ferir a si mesma.

Em nosso feriado, a investigação dos assassinatos acabou ficando de lado, e nesse ponto não avançamos muito. Embora, todo o foco que tivemos em Adora e em sua “agressividade velada” tenha deixado um gostinho suspeito para nós. Adora sempre sabe a melhor forma de ferir seus alvos, como vimos na cena em que ela induz Camille a mostrar seu corpo à Amma. É uma tortura psicológica, mas muito efetiva e com requintes de crueldade bem fortes. Ela manipula situações e pessoas, sempre conseguindo atingi-los nos pontos fracos e ainda saindo por cima no maior estilo “olha o que VOCÊ me fez fazer”. É um tipo de perversidade que me assusta, pois é bastante cínico e traiçoeiro.

E essas mesmas características podemos notar em Amma. Essa menina faz mil e uma loucuras, morde e assopra, chuta tudo por ar e no fim, sempre é a vítima. Inclusive, isso me faz desconfiar MUITO da adolescente. Porque se prestarmos atenção, Amma está sempre sendo “vítima de seu meio”, nunca autora. É uma levada bem interessante para a personagem, mas também bem suspeita.

Começou a ficar claro pra gente que Amma adora ser o centro das atenções e não suporta estar em segundo plano. Na cena do surto na peça, ela estava constantemente olhando para Camille e perdendo cada vez mais a cabeça sempre que notava que a irmã não estava focada nela. Ela olhava para mãe e sentia-se satisfeita com a atenção. Olhava para o professor e o via devotado 100% à ela. Mas olhar para Camille e notar seu desinteresse era desconcertante. E ela pira de vez quando Bob ataca John, e de repente TODA a comunidade (inclusive sua mãe) voltam seu interesse para outras pessoas.

Podia ser apenas pira do doce que ela meteu pra dentro? Podia sim, mas até pela levada do episódio, eu acredito que esse surto significou muito mais coisa subjetivamente. Ele nos mostrou que Amma é tão complexa quanto Camille, quanto Adora. É alguém multifacetado e que atua com muita facilidade, sem falar das oscilações de personalidade.

E ainda sobre Amma, todo o final do 4º episódio permaneceu no ar, né? Não tivemos uma explicação clara do que realmente aconteceu e o que verdadeiramente foram aquelas visões da Amma em decomposição no maior estilo Violet de AHS: Murder House. E pelo visto, vai ficar em aberto mesmo e cabe a nós presumirmos o que quisermos. Bem “toma aqui, seja criativo”. Por enquanto, eu vou optar por ignorar e dizer que foi imaginação da Camille do que PODERIA encontrar enquanto procurava sua irmã.

E por falar em finais, as cenas de encerramento dessa semana foram bem intensas, né. Eu confesso que fiquei tão abalada quanto Camille ao ouvir Adora admitir com todas as letras que jamais foi capaz de amar sua própria filha, dar uma justificativa tão chula quanto “você é fria, como seu pai”, e finalizar com “espero que isso te conforte” e com a maior serenidade na fala e no olhar. Gente, como assim?! Essa mulher é perversa de uma maneira assustadora. Ela aponta o dedo à Camille, mas não consegue enxergar seus próprios demônios, e olha que não são poucos.

Desesperadamente, Camille tanta se livrar desse estigma avançando à uma relação mais íntima com Richard, muito embora não seja exatamente o tipo de intimidade dos outros vínculos do episódio. Eu não sei como Richard irá reagir quando finalmente enxergar a Camille “de verdade”, conhecendo suas cicatrizes internas e externas, mas vimos que Camille ainda não está pronta para pagar pra ver.

Me parece que tudo em Wind Gap é um pouco sórdido e seus vínculos são profundos e doloridos, como se cada um naquela cidade carregasse 70kgs de culpa nas costas. Mesmo sem conhecermos o verdadeiro assassino, acho que já é seguro afirmar que Natalie e Ann foram vítimas de Wind Gap, em sua mais pura essência.

 

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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