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Strike – S02E02 – The Silkwork, Part 2 [Season Finale]

Quando apenas os protagonistas importam

A conclusão de The Silkworm chegou e com ela a solidão veio também a confirmação de que dois episódios é um número muito pequeno para conseguir transpor com qualidade satisfatória toda a história de uma investigação de Cormoran. A série pouco se importou com o caso ou deu atenção a ele, focando mais em qualquer outra coisa possível do que no mistério em si, e enquanto isso foi um acerto de Cuckoo’s Calling, aqui se mostra um erro de principiante.

Enquanto nos três primeiros episódios o que vimos foi uma construção paralela do caso e o desenvolvimento dos personagens fixos, aqui pareceu como se o caso em si fosse nada mais que uma pedra no sapato, um descartável plano de fundo para o que acontece com os protagonistas, e isso é um descaso e tanto, já que no livro toda a investigação é intricada, sombria e inteligente enquanto na série é superficial e apressada.

Não tem como se acompanhar uma série investigativa onde a investigação não seja minimamente instigante. Não tem como se envolver pela trama que está sendo contada se a própria série quer se distanciar o máximo possível dela. Não tem como se escrever um texto de tamanho decente avaliando os aspectos quando nem a própria obra decidiu dar qualquer atenção àquilo que estava contando. Foi um caso que acertou pelo tom macabro e pela abordagem gráfica, mas que peca em todo o resto, por nunca se permitir fluir organicamente na série como a morte de Lula Landry. E a resolução foi tão Scooby-Doo, no pior sentido do termo, que só faltou tirarem a máscara da Tassel e descobrirem que era o Owen ali.

Ainda assim, eu preciso tirar um tempo para continuar elogiando a melhor coisa que toda essa investigação trouxe, que foi a relação entre Dodo e Leonora. Por mais fria que fosse a abordagem diante de todo o caso, por mais apressada que fosse a cadência da investigação nesses episódios, elas duas conseguiram toda a minha torcida para o reencontro mesmo passando quase toda essa segunda parte de The Silkworm separadas uma da outra. Isso só prova que, se a adaptação tivesse mais tempo, a série conseguiria conferir ao caso do assassinato de Owen o tratamento apropriado e é uma pena que não tenha tido.

Mas se tem algo que a série não errou até agora, com caso ou sem caso, foi no tratamento de seus personagens centrais, que se antes eram apenas Robin e Cormoran, depois desse episódio fica claro que Matthew está ganhando espaço e pode se tornar um empecilho na relação entre o detetive e sua secretária (ou seria “parceira”?). Já ficou claro no episódio passado que ele não gosta nem um pouco de Cormoran e nesse episódio ele até vocalizou uma desculpa para manter o chefe da noiva longe do casamento, mas nenhum desses sinais foi tão forte sobre seu descontentamento com o emprego de Robin quanto o momento onde ela deixa de lado um momento entre os dois pra priorizar o emprego.

Reagindo à recusa da noiva com uma frieza clara e uma raiva nada contida, fica óbvio que ele está alimentando um sentimento negativo sobre a relação de Robin e Cormoran. Para muitos, o culpado disso seria o próprio emprego ou o parceiro, mas para Matthew a culpa de situações como esses é única e completamente de Cormoran e tenho certeza que ainda veremos esse ódio, ou ciúmes, explodir em algum momento e eu não sei se dará para consertar tudo depois dessa explosão.

E se Matthew parece ameaçar a relação entre Cormoran e Robin, a dinâmica entre esses não poderia estar melhor. A evolução de uma convivência formalmente funcional para uma amizade linda foi um desenvolvimento fascinante de se acompanhar. Nada na combinação desses dois parece minimamente deslocado ou forçado, muito pelo contrário, é incrível como mesmo depois de cinco episódios eles sejam os momentos onde a série brilha mais e nos conquista mais.

Em momentos como a festa e como aquele onde ele se apoia nela após machucar com a perna servem para retratar o nível de companheirismo entre eles assim como demonstra o quão conectados eles já são. Ver o detetive dando mais liberdade a ela nas investigações e até mesmo num âmbito mais pessoal é algo que mostra ao público que a conexão entre eles vai muito além de um romance e é por isso que ela é tão eficiente em nos conquistar. Eles se compreendem tão bem que ver as diversas facetas de suas dinâmicas se torna facilmente o ponto mais alto da série e isso é um tipo de vínculo que não vemos facilmente por aí.

Com uma adaptação atrapalhada pela falta de tempo, The Silkworm encerra a segunda fase de Strike com um tom meio agridoce tanto pelo fato de que poderia ter sido melhor, quanto pelo fato de que só veremos mais episódios da série em 2018, mas já posso dizer que a jornada até aqui valeu a pena e que eu mal posso esperar pelo que vem pela frente com Carreer of Evil. Até lá!

 

PS’s:

  • Perceber que os outros personagens enxergam Robin como um capricho/objeto de Cormoran é triste pra caramba e sintomático do machismo presente na sociedade. Uma camada interessante que espero que seja melhor explorada futuramente.
  • Michael Keillor volta a dirigir a série, eu te imploro!
  • Desculpem pelo atraso nas reviews, especialmente nessa última. Vida anda tão corrida que esqueci de postar na hora certa.

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Autor

Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.


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