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Supernatural – S13E01 – Lost and Found [Season Première]

13 anos depois…

Quem é fã de Supernatural ou quem pelo menos acompanha a série até hoje já teve que aguentar diversas piadinhas sobre a série como “não tem mais assunto”, “só tem enrolação “o mundo acabar e SPN não” e por aí vai. Não vou dizer que não tivemos momentos onde a série não parecia estar indo para lugar nenhum porque a sexta e a sétima temporada ainda existem, porém é incrível a capacidade que a série tem de se renovar ainda que se mantenha fiel a si mesma. E a renovação não é no sentido de mudar completamente, de virar outra série e sim de buscar novas maneiras de contar a mesma história de Sam e Dean (e Cas) contra o mundo.

Após o ciclo das cinco primeiras temporadas, é possível detectarmos isso na oitava temporada, onde houve a inclusão de toda a mitologia do Men of Letters, na décima temporada, que abandonou um grande vilão para observar as relações entre os personagens (isso ficou melhor no papel, mas…), e na décima primeira, que enxergou a série como um drama familiar diante de todo o arco entre Deus e a Escuridão. Esses pontos demonstram que Supernatural está disposta a sair do lugar comum, a se arriscar mesmo após tanto tempo no ar, a não se contentar com fórmulas pré-estabelecidas, e isso parece ser o caso desse décimo terceiro ano.

O Nefilim vindo de Lúcifer recebeu toda a introdução de um big bad (o vilão da temporada), teve toda uma atmosfera criada para isso no final da temporada passada e mesmo assim o que vimos nesse episódio foi um personagem quase que completamente diferente do esperado. Sim, o temperamento dele é complicado e afirmar que ele é bom ou que está do lado do bem é algo precoce demais, mas sua aparência indefesa e frágil, somada à facilidade com que os anjos conseguiram lhe atacar, desconstrói tudo aquilo que esperamos de um vilão clássico. E essa desconstrução ganha mais força quando vemos a dinâmica entre Jack e os Winchester.

Inicialmente com o gênio de Dean entrando no meio da relação entre eles na forma de um tiro, podemos ver rapidamente que esta não será a comum narrativa de caça e caçador, mas algo distinto e instigante que pode levar a série para vertentes inesperadas. Ao mesmo por ora, Jack está ao lado de Dean e Sam e isso pode criar uma proximidade entre eles que mude as regras do jogo como conhecemos. Ele pode, por exemplo, adquirir as características morais de um caçador, ele pode jogar Sam e Dean um contra o outro (de novo não, pfvr!), ele pode se afeiçoar aos irmãos e num provável encontro com Lúcifer ficar do lado deles, pode até acontecer o oposto e Sam e Dean se afeiçoarem a ele e mesmo assim terem que matá-lo. São diversas possibilidades que tornam o preparo de terreno imprevisível e empolgante.

Falando dos irmãos, eles foram bem coadjuvantes nessa première, quase como se a série fosse sobre o Nefilim e eles que estivessem chegando agora. Ainda assim tivemos tempo para ver como cada um absorveu os acontecimentos da finale e admito que a reação de cada um deles é a razão de eu amar SPN. Com Sam reagindo a tudo com o seu ar de passividade e que “é o que é” enquanto Dean chega a pedir ajuda até de Chuck para reverter o quadro atual, a série mantém uma coerência com seus personagens que muitas não conseguem nem com a mudança de uma temporada para a outra. Já se passaram treze anos e Dean continua sendo aquele que fez o pacto com o demônio para salvar o irmão enquanto Sam continua sendo aquele que nem tentou trazer o irmão de volta quando esse foi para o inferno. É um tratamento de harmonia ímpar e que é um dos principais motivos de a série ser o fenômeno que ela é.

E essa coerência não se aplica apenas a como cada um dos Winchester reagiu aos acontecimentos, mas também a como os acontecimentos impactaram ambos. Tivemos a morte de Castiel e Mary indo para a realidade alternativa com Lúcifer e o que visivelmente afetou mais e foi o foco desse episódio foi a morte de Castiel. Essa importância desnivelada faz sentido com o que já vimos, uma vez que o anjo já passou por diversas coisas com eles e já havia se provado como um fiel escudeiro enquanto a mãe deles era basicamente uma memória e que na primeira oportunidade real que tem de passar um tempo com os filhos, opta por ficar longe deles. Isso não quer dizer que isso seja errado ou certo, mas que é coeso com tudo o que acompanhamos até então e que também reflete na recepção do público com cada acontecimento.

Abordando mais especificamente a morte de Castiel, não sei dizer se realmente foi uma morte ou se ele voltará. Embora particularmente tenha achado a morte em si anticlimática demais para uma despedida definitiva, o funeral que acompanhamos nesse episódio foi tão singelo e comovente que eu realmente não sei se um retorno seria bem-vindo. Trazê-lo de volta significa diminuir ainda mais o impacto das mortes dos personagens, implicaria numa dinâmica pai e filho entre ele e Jack e provavelmente haveria um repeteco entre ele e Lúcifer. Não me entendam mal, eu amo Castiel e acho ele o melhor personagem da série toda, porém, o seu retorno seria mais do mesmo e negaria toda a proposta de mudanças dessa première. Se ele voltar, espero que seja por razões muito bem explicadas e que seu retorno me surpreenda.

Finalizando o episódio, pudemos ver o que aconteceu entre Mary e Lúcifer e admito que não faço ideia do que irá acontecer nessa trama. As regras da realidade alternativa não ficaram muito claras durante a season finale e não dá para montar alguma teoria sobre o motivo que tio Lú tem para precisar da Winchester mãe viva (barganhar?), mas sei que quero que isso seja resolvido o mais rápido possível para não ficarem enrolando nisso de Sam, Dean e Jack nessa realidade e Lúcifer e Mary na outra.

Com um episódio sólido e que aponta para pontuais mudanças na dinâmica da série, a décima terceira temporada Supernatural inicia muito bem e prova que ainda tem muito potencial para aproveitar e histórias para contar. Espero que o restante dos episódios façam jus a esse.

 

PS: Não sei se foi proposital a escolha, mas achei o ator que faz Jack um tanto parecido com o que fez Adam. Será que estão querendo realmente fazer um terceiro Winchester acontecer?

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Autor

Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.


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