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Supernatural – S13E05 – Advanced Thanatology

Quando o excesso de consequência quebra um personagem.

Que viver é difícil, todos sabem. A proporção de vitórias e derrotas na vida é extremamente desbalanceada e essa proporção não é nada melhor no caso dos irmãos Winchester. Deixando de lado as vezes em que eles morreram e voltaram à vida, eles passaram por diversos insucessos para serem bem-sucedidos, tanto em meras investigações quanto em situações grandiosas. Ainda assim, os reveses nunca haviam atingindo nenhum deles tão fortemente como os eventos do final da temporada passada atingiram Dean. Ele já havia perdido a mãe uma vez, Castiel algumas vezes e perde-los no mesmo dia de maneira inesperada foi o estopim para extinguir o seu ânimo de seguir em frente.

Para qualquer um que já passou por um processo de depressão ou que vive com essa condição, foi muito fácil de identificar a situação pela qual Dean está passando. Ele não sente nada, não acredita em nada e ficar vivo não faz diferença para ele. É um tema pesado, mas que cai bem na progressão da série, combina com um dos temas da temporada e que funcionou bem com o caso da semana.

No caso da progressão do desenvolvimento da série, é importante notar que já vimos comportamentos que apontavam para essa condição em outras temporadas. Quando ele volta do Inferno na quarta temporada e se sente fora do lugar, quando ele abandona a esperança de encontrar Deus na quinta temporada, quando optou por se sacrificar pelo irmão ou por ir para o purgatório ao matar Dick. Em cada um desses momentos, Dean mostrou que não consegue viver sozinho, que ele não é capaz de seguir em frente sozinho e que as perdas lhe afetam mais profundamente do que pareciam, então vê-lo nesse episódio depressivo faz completo sentido dentro desse contexto.

Combina com um dos temas da temporada porque, assim como aconteceu na décima temporada, ela está falando intensamente sobre laços afetivos. Os laços de Dean com Mary e Castiel foram brusca e violentamente cortados no final da temporada passada e isso doeu tanto que ele entrou num estado anestésico onde não consegue mais se importar, emocionalmente falando. Sim, racionalmente ele é capaz de reconhecer que Jack (ainda) não fez nada de errado, ele ainda é capaz de entender como os outros se sentem e, depois do episódio passado, ele compreende que jogar a frustração da sequência de derrotas nos outros não traz melhora alguma. Porém, ainda assim, o “nada” interno é excruciante demais para suportar e é impedindo ou evitando qualquer laço mais profundo que ele consegue “extravasar” esse incômodo.

Já sobre o caso da semana, a ligação é ainda mais direta. Repararam que Sam disse que o tal fantasma tratava sobre casos como ansiedade e depressão? E que na hora que os irmãos chegam na casa a primeira coisa que o fantasma faz é afastar Sam e atacar Dean? Por mais genérico e pouco criativo que fosse o caso, ele nos serviu para reforçar o episódio depressivo de Dean e para desenvolver uma parte da mitologia da série que eu gosto bastante.

A concepção da Morte como um personagem assim como a ideia por trás dos ceifadores e a personalidade dos próprios personagens de toda essa trama sempre me fascinou em Supernatural, então vê-la avançando um tanto nesse episódio me deixou bastante empolgado. Billy havia chamado a minha atenção desde sua primeira aparição e vê-la novamente aqui me fez ficar bem contente, saber que ela é a nova Morte foi quase como receber dos produtores um presente de natal antecipado.

Sei que alguns fãs odeiam a personagem por algum motivo que ainda não entendi nem um pouco direito, porém a atriz carrega uma aura de onisciência e de senso de comando tão forte que a considero completamente adequada para interpretar este cavaleiro do apocalipse. Fora que perceber que o setor administrativo dos ceifadores muda de acordo com quem está no controle, assim como aconteceu com o Céu e o Inferno, é um toque legal e indubitavelmente característico da série.

E até mesmo esse acréscimo à mitologia mostrou-se importante para o desenvolvimento do estado depressivo de Dean, uma vez que ele mostrou certa inconsequência em se matar para resolver o caso da semana e uma indiferença em retornar à vida e isso provavelmente irá resultar em algo maior no futuro da série. Pode ser um tanto antecipado demais afirmar isso, mas creio que essa depressão dele junto com a afirmação da Morte de que esta ainda não era a hora dele, sinalizam que o vazio da condição de Dean pode levá-lo a tomar uma decisão extrema em uma situação de igual magnitude em algum momento da temporada.

Aliás, se é para falar de vazio, é melhor falar sobre o retorno de Castiel do Vazio. Foi estranho, rápido, sem explicação aparente e muito conveniente esse retorno acontecer após um episódio tão pesado para Dean e após ele dizer que “precisava de uma vitória”, porém creio que o retorno abrupto de Castiel será, provavelmente, muito mais negativo do que positivo. Não só acredito que os roteiristas nos oferecerão um relacionamento abalado entre o Castiel e Dean, como também a própria presença de Castiel deve afetar a dinâmica dos irmãos com Jack, dinâmica esta que já não está tão boa em relação a Dean. Resta esperar os próximos episódios para saber se estou certo ou não em pensar nisso.

Denso, equilibrando mitologia e procedural, desenvolvendo Dean maneira ótima e encerrando com um ótimo gancho, Supernatural trouxe neste “Advanced Thanatology” um episódio excelente, cheio de decisões acertadas (Jack não era realmente necessário aqui) e que mantém o nível digno da temporada. Se continuar assim, teremos uma das melhores temporadas após a quinta e mal posso esperar para que essas expectativas se concretizem.

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  • Bruno D Rangel

    Episódio serviu mesmo só pra mostrar que a Billie é a nova Morte. Gostei da explicação.

    Achei egoísta com Sam a atitude de Dean não se importar com a volta ou não de sua morte.

    Fiquei esperando a participação do Castiel o episódio inteiro, pois seu nome estava nos créditos e fiquei frustrado de aparecer só na última cena.

    Achei que Billie se interessaria mais por Jack, mas me pareceu que ela nem deu bola.

Autor

Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.


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