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Supernatural – S13E09 – The Bad Place

Para onde vamos a partir daqui?

Um questionamento latente a cada renovação de uma série é “o que ela ainda pode mostrar de novo? ”. Para certos casos, as respostas são amplas. Game of Thrones, por exemplo, é uma série que apresenta tantas possibilidades que essa dúvida não é só facilmente respondida como gera uma comoção em torno de seu futuro. Já séries como Big Little Lies parecem ter explorado tudo aquilo que poderiam oferecer e uma renovação parece sugerir mais uma enrolação do que outra coisa.

Supernatural já se encontrou em ambos os lados das respostas para essa pergunta. Nas cinco temporadas iniciais, a série parecia inesgotável em suas ideias e cada novo ano era empolgante e ainda mais grandiosas que anteriormente. Esse sentimento mingou do sexto ano para frente e a sensação que ficou relutantemente foi a de uma série esticada, ainda que tão divertida quanto anteriormente. Claro que negar que a adição da mitologia dos Men of Letters ressuscitou a série em termos de trama ou que o aparecimento de Amara recapturou o espírito de grandiosidade não visto há muito tempo seria exagero de minha parte, no entanto a cada novo passo que a série dá, a incerteza toma conta. E é exatamente dessa maneira que estou me sentindo em relação à inclusão destes novos universos na série.

Já vimos realidades paralelas antes, é verdade, só que nenhuma delas interferia de fato na trama central como as inseridas agora. No passado, o que existia eram realidades que não afetavam a estrutura do mundo “normal”, que eram mais um recurso para abusar do humor e da metalinguagem do que qualquer outra coisa. Agora estamos diante de diversas possibilidades, e são possibilidades que podem tanto macular a mitologia ainda consistente quanto enriquecê-la. É um novo caminho, nunca percorrido, e isso me empolga e me alarma na mesma intensidade. Porém, se depender da maneira como essas realidades foram tratadas nesse episódio, a empolgação toma a frente com facilidade.

Recolocando Jack como eixo central da história logo em seu início, o episódio já deixou claro que seu objetivo era, ao contrário do tenebroso oitavo, avançar a trama central. E, para avançar, houve uma retomada de pontos abordados anteriormente como a desconfiança de Dean sobre o filho de Lúcifer. Este ponto em particular merece elogios por dois aspectos. O primeiro e mais óbvio é que os roteiristas não resolveram isso de maneira apressada, mas sim de forma mais calma, permitindo que tanto público quanto personagens amadurecessem e digerissem as resoluções aqui mostradas. O segundo elogio é em relação à “como” essa desconfiança foi deixada de lado.

Ao invés de nos mostrarem o que realmente aconteceu e nos fazerem apreciar a descrença injustificada (até agora, ao menos) dos personagens sobre o nefilim, o roteiro tomou uma decisão tão inteligente quanto simples. Montando o episódio de forma a suscitar a dúvida sobre o caráter e as ações de Jack, o roteiro nos colocou no ponto de vista dos irmãos Winchester e nos fez experimentar todas as suspeitas em relação ao personagem. E isso só tornou ainda mais bonito o momento em que Dean aceita Jack como parte da família, pois também foi o exato momento em que a parcela do público que estava com um pé atrás sobre ele pode finalmente reconhecê-lo como parte do time.

Outras retomadas de núcleo que tivemos foram as de Jody e Patience, que ficaram de coadjuvantes boa parte do tempo, mas que mostraram bons vislumbres do que vem pela frente. Em termos de desenvolvimento narrativo, Jody foi quase que nula para o episódio, servindo quase exclusivamente como plot device para o arco de Jack e os irmãos. Já Patience continuou sua luta interna entre seguir uma vida normal ou abraçar sua vida de vidente. Em nenhum momento ficou a menor dúvida sobre qual seria a escolha dela, contudo, o que eu acho que importa em tudo isso é sua relação estremecida com o pai. Algo me diz que isso trará certos problemas para ela e/ou fará com que ele se torne um caçador por ela. Espero que, caso alguma dessas coisas aconteça, não demore tanto assim.

Assim como houveram retomadas para o avanço da história, também tivemos um acréscimo bastante intrigante com os dreamwalkers. Seres humanos com a capacidade de viajarem para outros mundos durante seus sonhos não é algo exatamente inovador, uma vez que os sonhos são tratados quase como acontecimentos místicos até hoje, porém, sua combinação com a realidade que vimos durante a finale da temporada passada deixam as coisas um tanto diferentes.

Finalmente oferecendo alguma explicação para aquele mundo distorcido que vimos pela primeira vez na temporada passada, a série dá um passo ambicioso (até) demais para a frente. Pelo que sabemos, esses novos universos podem conter de um tudo. Tudo mesmo. Dinossauros, inclusive. E por mais curioso que eu esteja em ver como isso tudo será desenvolvido daqui para frente, não há como não ficar com um pé atrás quando isso pode afetar a nem tão firme assim lógica interna da série. Ferir essa lógica a essa altura do campeonato não é algo saudável, nem perdoável e provavelmente acarretará na dispersão de uma das fã-bases mais fieis do mundo das séries de TV. Resta torcer para que os roteiristas saibam lidar com isso daqui para frente.

Com uma guinada impressiva na qualidade de um episódio para o outro, Supernatural cimenta um sólido início de temporada com um mid-season finale emocionalmente efetivo, brilhantemente conduzido (o que foi o trabalho de câmera desse episódio? Acho que nunca vi a série usar tantos recursos -e tão bem- assim!) e empolgante como nenhum outro da temporada conseguiu ser, e a cena dos anjos violando os selos não me deixa mentir sobre isso. Se depender do que vimos até aqui, a resposta para a pergunta que inicia a review é: para uma das melhores temporadas da série após a quinta. E considerando que eu adoro a oitava (injustamente desconsiderada por muitos) e a décima-primeira tanto quanto as duas primeiras, essa afirmação significa mais do que pode aparentar.

PS: Mesmo com os elogios, não consigo deixar de achar que Dean apontando a arma para Kaya foi extremamente forçado e desnecessário. Desconstruíram um personagem só para gera uma cena “tensa” que nem foi tensa.

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Autor

Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.


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