A minissérie baseada no livro homônimo de J.K. Rowling finalmente chegou à TV e posso afirmar que a sua estreia espantou qualquer dúvida que se poderia ter sobre a eventual qualidade da série. Competente em qualquer aspecto que você possa imaginar, o episódio de estreia desta adaptação, apesar de não ser exatamente empolgante, é eficiente o bastante para garantir que o espectador tenha uma hora de bom entretenimento.

The Casual Vacancy conta a história dos habitantes da cidade de Pagford, aparentemente uma ordinária cidade do interior. Um desses habitantes é Barry Fairbrother, que participa do Conselho e morre inesperadamente, deixando a sua vaga disponível, E é a partir desse ponto central que toda a trama se desenvolve. Antes de fazer comentários mais específicos sobre a produção televisiva, deixo claro que não li o livro e, portanto, não poderei falar nada sobre a adaptação em si. Não que eu ache que isso seja importante para avaliar a série em si, afinal série é série e livro é livro, entretanto eu gostaria de pedir que evitem falar spoilers sobre a trama nos comentários e queria avisar de antemão sobre o fato de não poder fazer tais comparações. Dito isso, vamos ao episódio.

Mergulhado em um clima cínico, irônico, desesperançoso e, até certo ponto, realista, este episódio trata de estabelecer logo em seu início que não tem a menor pressa de se desenvolver. Somos apresentados a cada personagem desta cidade como quem se muda para uma cidade e conhece seus novos vizinhos. Muitos deles não passam (e nem precisam passar) de serem definidos pelos seus interesses ou por apenas uma característica que os defina em um primeiro momento, o importante aqui é que todos eles soam críveis o suficiente para fazer com que a trama ganhe fôlego. Em um primeiro momento, consigo destacar cinco destes personagens: Krystal, os Mollison, Simon e, é claro, Barry.

Começando por Krystal, preciso falar que, mesmo que a atriz peque por algumas escolhas poucos sutis na construção de sua personagem (o que é justificado pela pouca experiência), a sua personagem ganha força porque, aparentemente, depois de Barry, ela é a que mais parece estar ligada aos diversos núcleos da trama. Não sei até que ponto isso é verdade ou apenas uma suposição equivocada de minha mente, mas seria interessante ver a adolescente mais marcante deste início ganhar mais destaque nos próximos episódios.

Shirley e Howard Mollison se destacam porque, além de serem peças importantes no Conselho da cidade, os dois conseguem quebrar as expectativas do que esperamos de um casal de idosos em uma série. Astutos, maliciosos e tão cínicos quanto a própria série, ambos os personagens servem tanto como alívio cômico quanto como criadores de conflito, o que já é bom por si só. Mas como “bom” não é o bastante aqui, ambos ganham vida de forma bastante admirável, através de uma composição precisa de Julia McKenzie e Michal Gambon, fazendo com que os personagens cresçam ainda mais na série. Tenho certeza que eles serão responsáveis por alguns dos momentos mais marcantes e/ou divertidos da série.

Indo para um personagem que parece ser um dos mais odiados pelos habitantes de Pagford, Simon, o meio-irmão de Barry, tem uma personalidade impossível de lidar. Completamente instável e violento, o “pai de família” almeja conquistar a vaga que Barry deixou no Conselho e creio que isso gerará algumas situações bem interessantes daqui pra frente. De qualquer forma, espero ver Richard Glover com menos maneirismos nos próximos episódios.

Por último deixo pra falar do personagem central da série. Barry Fairbrother não é exatamente simpático como Krystal, repulsivo como Simon, ou divertido como os Mollison, mas mesmo assim ele consegue atrair a atenção do público com pouco tempo em tela, tanto que a sua morte gera a compaixão necessária para que nos importemos de fato com o acontecimento. Sendo a força motriz da trama, essa morte não só coloca os habitantes em disputa pela “Vaga Ocasional” como também parece que gerará ainda mais tensão pelo fantasma de Barry que vimos no fim do episódio. Não sei pra onde essa trama irá, só sei que estou bastante curioso para saber onde que isso tudo dará.

Ainda há alguns outros personagens que acho que merecem a atenção, é claro, embora não tenham dito realmente a que vieram neste episódio. Temos “Arf”, “Fats” e Gaia, que suspeito que ganhem mais destaque nos próximos episódios. Temos a viúva de Barry, que parece não estar tão abalada assim com a morte do marido. Os outros candidatos à vaga são personagens que devemos obviamente prestar mais atenção. Mas, dentre outros, acho que o principal nome a ser observado é Terri, pois se eu conheço o estilo de escrita de Rowling como acho que conheço, uma personagem tão fora dos padrões não passará pela história sem ao menos um grande momento.

Em um jogo de aparências onde tudo e todos parecem ser aquilo que realmente aparentam, The Casual Vacancy estabelece o seu espaço na TV de forma exemplar e provavelmente nos presenteará nos próximos episódios ao abrir e nos apresentar a cada camada de Pagford e de seus habitantes.

“I am the ghost of Barry Fairbrother and I am watching you”

icaro

Ícaro
Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.
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