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The Deuce – S01E05/06 – What kind of bad/ Why me?

Pais, maridos, cafetões, são todos os mesmos. Te amam pelo que você é, até que você tente ser outra pessoa. Ao menos cafetões são para frente sobre.”

Com a base consolidada, The Deuce deu uma parada nas apresentações e prepara o terreno para sua finale. Todos os personagens, e olha que são muitos, estão bem definidos em suas motivações e características. O contexto está claro e uma decisiva regra no jogo acaba de virar, o que afetará a vida de muitos diretamente. Depois de se apegar fortemente a essas histórias, difícil não ficar instigado a ver como as consequências se desenrolarão para cada um.

O estilo da série tem o toque já conhecido de David Simons e Pelicanos, para mim uma mistura de Profissão Repórter com o conteúdo histórico naturalista de Mad Men., O que falta em reviravoltas cabulosas e grandes acontecimentos sobra em qualidade.

A década de 70, uma das mais perigosas dos EUA em quesito de criminalidade, com enfoque na prostituição e pornografia tem sido bem representada na série. O único jeito de ver porn era nos cinemas especializados, os Peep Show, ou ilegalmente. E NY, como sempre na vanguarda da liberalidade nos EUA, de pelo em pelo foi afrouxando seu conceito de imoral/natural.

A mudança foi brusca e pode muito bem ser percebida pela diferença entre os filmes/tv antes e depois dessa brecha. Inclusive já foi abordada em outras séries, como The Sopranos, na qual Tony comenta como foi crescer criança nesses anos: parece que o mundo como você conhecia acabou.

Hoje em dia, o que a MBL não vê é que: um peitinho feminino é básico em qualquer filme de comedia teen, podemos ver pintos balançando e coitos explícitos em quase todo EP de GOT (que inclusive criou uma palavra nova, hipersexualização), até mesmo contar as pregas  de um ânus durante o jantar em família. Obrigado por existir RedeTv.

Na prostituição tiraram as mulheres da rua e jogaram exclusivamente para dentro dos bordeis. Não se enganem, foi menos para melhoria na vida delas e mais para limpar a sujeira dos olhos. Jogar para dentro de quatro paredes a imoralidade que você não quer encarar. Fora que parece uma condição muito degradante para qualquer lugar que se considere o mínimo civilizado. Hoje com Instagram, as únicas que continuam na rua são as trans.

Sem cafetões nos bordeis, será interessante ver como as meninas reagem a essa maior liberdade. Com um controle maior sobre o dinheiro que estão gerando pelo seu suor, algumas podem vir a se rebelar (espero), e com certeza haverá resistência da casa grande a essa abolição da escravatura das quengas, como C.C. já deixou claro para Lori. Se não de um jeito, com certeza de outro, essas mulheres ainda serão usadas em proveito dos homens. Desde que foi criada, a mulher criada ficou, Saramago.

Hoje em dia essa situação de proibir a profissão mais antiga e necessária aos macho parece ridícula. Além de inútil, pois os homens sempre serão dependentes do sexo e sempre terá alguém precisando de dinheiro. E assim a polícia finge que está fazendo um trabalho superimportante para a sociedade, prendendo num dia, soltando de manhã. Continua não sendo difícil achar mais serviços ineficazes da polícia, lei do estado, com intuito de coibir comportamentos vícios da natureza humana. Quis vocês conseguem listar, que daqui há alguns anos talvez sirvam de serie para nossos netos?

Você é uma Angela, que consegue perceber, ou um oficial Flanagam, que segue a ordem sem um olhar crítico, apenas se aproveitando para extorquir e tirar o maior proveito de.

Nas histórias, temos o elenco praticamente formado, e tem sido interessante ver as interações de cada um. Todas tem sua algo interessante a acrescentar, mas minhas favoritas diria ser: Abbey com atitude superior e destemida perante qualquer homem (me serve vadia não serve aqui), Candy, rainha da série, pelo seu desgaste, fundo do poço (a surra foi de partir, tão quanto as palavras daquele pimp para ela) e aguardada volta por cima, e Angela pelo seu futuro.

Os que estão tomando as rédeas do show claramente são Candy e Vinie, que tiveram metade do ep 6 para eles, junto com a máfia. O mote final será em torno desses dois núcleos que estão se delineando. O Bataclã inclusive já inaugurou. Falta Candy e sua empresa Brasileirinhas abrirem.

Para não deixar de citar, Darlene fez a Vanda e foi catar uma menina do interior, numa cena inicial que mais parecia flashback, prometendo emprego de modelo e trazendo ela para a vida. Coitada de Bernice, julgada e negociada como mercadoria. É dela a frase de título do ep 5, referente ao tipo de problema que se arranja quando volta sem dinheiro para o pimp, curiosidade que eu já tinha levantando na última review.

Abbey ficou puta com Darlene não por menos. Deu a passagem para ela sair da vida, e ao invés ela se aproveita para lucrar arrastando outra para esse inferno. O que é um pouco de prepotência da Abbey, achar que Darlene merece uma vida melhor. Cada um sabe de si. Darlene sonha com filhos, mas parece prefere ser puta controlada por cafetão, do que pela tia e pais. Suas prisões não tão diferentes assim.

O saldo geral da temporada até agora tem sido excelente, com todos os episódios exibidos acima da média geral de qualidade. Nesse ponto o medo de ter uma Vinyl 2.0 já não existe. Com dois ep para o final, tudo está bem amarrado e encaminhado. As apostas estão lá em cima e diria ser quase impossível ter um fim de temporada ruim ou saldo geral negativo. Agora é esperar para ver.

Category is: Aeroporto. Entre uma conexão e outro, por que não uma rapidinha.

P.S.1: Fomos jogados numa inesperada relação conturbada do passado de Aileen, envolvendo algum tipo de abuso com o pai (?). O negócio foi pesado pelo modo que ela saiu e posso dizer que não estava esperando por algo assim.

P.S.2: Tá difícil para os pimp e só vai piorar.

P.S.3: Como não amar essa trilha sonora, com “Pale Blue Eyes” do Velvet Underground dando as caras.

P.S.4: É só sexo. Barman sobre homossexualidade.

P.S.5: Desculpem a demora na review. Questões de ordem superior. Mas daqui para finale os outros ep vão sair rapidinho. Garanto.

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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