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The Deuce – S01E08 – My Name Is Ruby [Season Finale]

A carne mais barata do mercado é carne negra.

Como esperado, The Deuce não decepciona no ato final de sua temporada de estreia, calando a boca até dos mais pudicos, que esperam desesperadamente por grandes acontecimentos na final. Você quer tragédia Shonda Rhymes que choca e parta corações? Segura essa joia.

É natural, numa época pos-game-of-thrones com mortes e destroções de núcleos inteiros num finale, que sintamos falta daquela adrenalina, insegurança, reviravoltas e plots twist. Queremos ficar gagging e desesperados na finale. É isso que todo mundo gosta, ama, paga a Tv, baixa o torrent, é finale em sua própria definição e existência.

Aqui, quase nada acontece. É só acompanhar a conclusão, consequências naturais e esperadas que vinham sendo trabalhadas. Com uma exceção. Foi ruim? Não. Longe disso. tudo foi muito bem fechado e pudemos ter um glimpse geral de como cada personagem está num estilo música fundo consagrado por The Wire.

Os personagens, os quais passaram por uma adaptação as novas regras, estão todos mais ou menos estabilizados ou cientes desse novo contexto que estão inseridos. Nossos principais claramente souberam usar a oportunidade para subir na vida. Outros ameaçados de dias contados, e para maior das meninas, continua tudo na mesma. Só o lugar que mudou.

Candy diretora pornô quase uma Godard. Gêmeos nadando em dinheiro, a Ruth não querendo se envolver na parte de prostituição e Raquel gastando tudo no jogo. Darlene perdeu público nas ruas, agora passou para o pornô que tanto abomina.  Lori nossa Vivi, sendo bem-sucedida na carreira, com um bom homem ao lado para ajudá-la. C.C. talvez prestes a abondar os palcos, como aconselhado pelo cafetão aposentado. Melissa chegando no meio dessa relação que já está desfavorável a ela (saiu de love para cair logo com C.C.) e Shay sendo presa ao comprar drogas, não dedando (por enquanto) Larry, que está cada vez mais sozinho.

A história mais instigante nesse final foi da matéria para sair. Ângela parece não ter limites e para ter sua capa ainda quer que o policial se exponha. Dá a mão, pede o braço. Toda hora ficava um medo de que alguma merda ia acontecer, que iam descobrir dele estar sendo a fonte dela e assim fudendo os amigos. Quando os inimigos são os policiais, colegas de trab.

A parte mais triste ficou por conta de uma de nossas prostitutas favoritas, mais experientes e legais do ramo, Thunder Thighs, RIP. Quando Candy gritou por ela no carro sem resposta, já desconfiava do que vinha. A última vez que ia ter falado e não foi. Clichê. Só lamentar por tido sido tão aleatório e inesperado. Como que macho, escroto com sérios problemas óbvios, chega assim do nada, humilha e mata nossa rainha? Exijo respeito The Deuce!

Que morte estupida. Não dava para ela ter se jogado para o lado antes de cair naquela janela? Porra. Do nada. De novo. Só que dessa vez o corte foi fundo. O tiro veio como que para nos lembrar de não se apegar, essas mulheres são apenas objetos vulneráveis e descartáveis. Não são gente. Ruby diz seu nome antes de cair como que para lembrar, ei, sou uma pessoa. Gente. Ou menos que isso.

Alston e Abby parecem ser os únicos humanos a com sensibilidade ali. Abby sintetiza e funciona bem na série. Talvez pelo fato de ser educada e realmente perceber o que está acontecendo ali. Surpresa ao constatar que Vince seria capaz de dar uma surra num cara para limpar a honra de uma mulher, apenas porque essa mulher é sua. Orgulho. Não é nada puro que move ele. Várias mulheres podem estar morrendo em sua frente, que ele não importa. É desse jeito que é. Não há o que fazer. Conformista. A diferença com Abby é que ela se importa, além de feminista chega a ser humanista, pois sua solidariedade não é seletiva nem se resume a quem ela conhece. É sim direcionada a todas. Mesmo uma que ela nunca viu na vida.

No começo sua participação podia soar duvidosa, porém agora vejo como ela funciona como balança moral e norte. Vinda de um monte político civilizado com ideologias, para essa baixeza vil e sem escrúpulos.

Acabamos assim essa jornada maravilhosa que foi The Deuce. O cinema pornô como conhecemos está começando, o clássico Garganta Profunda acaba de ser lançado, e a série encerra com as portas do bordel fechadas. Para quem, não foi explicado.

O que faltou em grandes acontecimentos, sobrou em qualidade, nessa imersão profunda na vida de seus personagens ligados ao sexo que foi The Deuce. Com segunda temporada garantida, agora é sé esperar e torcer para um reconhecimento maior da série, que convenhamos, merece.

Eaí, gostaram desse ciclo de The Deuce? Vão acompanhar mais uma e aguardara ansiosos ou não? Merece o título de melhor estreia da fall, sim ou com certeza? Obrigado pela presença e até a próxima.

P.S.1: Enquanto umas morrem, outros lucram com isso. Pode-se dizer que as cenas mais chatas foram com o cara da máfia, amém?

 

 

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Robson Abrantes

Engenheiro civil na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, vício que não conseguiu largar desde então.


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