Depois do último episódio, tinha tudo pra dar certo e engrenar. Mas The Flash me enganou de novo.

As primeiras temporadas de The Flash foram muito boas, uma espécie de sopro de felicidade no universo dark que a DC tava construindo na televisão. O Barry tava sempre sorrindo, sempre buscando ser feliz apesar de ter toda uma carga de sofrimento e tristeza nos ombros. Admito que já considerei a série como uma das minhas favoritas, até porque as histórias trazidas eram em sua imensa maioria muito boas. Porém, ah porém, veio a terceira temporada. E assim que ela chegou, a qualidade foi embora.

Não sei exatamente o que se passa na cabeça dos roteiristas de The Flash. Gostaria muito de entender, pra ser bem sincero. Gostaria de entender o que leva pessoas a pegarem uma ideia que estava dando certo e transformarem em uma que visivelmente não funciona. O maior problema de Flash é a falta de originalidade. O vilão é sempre um velocista, que aparece sendo muito mais rápido do que o Barry Allen e que, no fim da temporada, é derrotado de algum jeito. E isso tá acontecendo nessa temporada. Tem o Savitar, o Deus da Velocidade, aterrorizando a vida do Team Flash só porque ele quer e porque ele pode. E um dos maiores arcos dessa temporada, se não o maior, é a morte da Iris pelas mãos dele no futuro, e em como o Barry e todo mundo do Star Labs precisa evitar que isso aconteça. Então, quando no episódio passado a gente descobriu que o Savitar na verdade é um Barry do futuro, eu pensei “AGORA VAI, CARA!”.

Olha o Savitar

E o início do episódio é muito bom em fazer com que eu continue empolgado. Eles explicam que o Savitar é na verdade um remanescente do futuro que o Barry, no futuro, criou pra derrotar o Savitar. Ou seja, o Savitar foi criado pelo Flash pra derrotar o Savitar. Parece complicado, mas como o conceito já foi usado várias vezes na série, até que a ideia tem certo fundamento. E explica o porquê da Caitilin Snow/Killer Frost ter confiado no Savitar tão fácil e rápido pra começar a trabalhar com ele e porquê o Savitar sempre tá um passo a frente do Team Flash, já que afinal de contas ele já viveu tudo aquilo. Partindo daí, eu comecei a acreditar que a série ia engrenar, que ia deixar para trás o musical crossover com Supergirl e aqueles outros episódios que não serviram para muita coisa na história. Mas The Flash me enganou de novo.

Sabendo que um Barry alternativo era o Savitar, e portanto as memórias do Barry eram as do Savitar, eles precisam de um jeito que impedisse que o vilão soubesse de tudo que o Team Flash ia fazer. Qual foi esse jeito encontrado? Dar um micro-choque no cérebro do Barry pra impedir que o cérebro dele criasse novas memórias. A ideia, devo admitir, faz algum sentido. Só que é aí que tudo começa a dar errado no episódio. A ideia dá errado e o Barry acaba sem memória nenhuma de quem ele é ou de quem são aquelas pessoas ao redor dele.

E, se o Barry tá desmemoriado, o Savitar também tá sem memória. E como a temática do episódio é essa coisa de ação e reação, de causa e efeito, a coisa não acaba aí. Se o Barry não tem memória nenhuma, o Savitar também não tem e, consequentemente, o Wally nunca ganhou os poderes do vilão pra se tornar o Kid Flash. Ou seja, mais um motivo pra salvar a memória do Flash.

E ainda têm outras histórias acontecendo ao mesmo tempo: o H.R. e a Tracy tentando criar a arma pra derrotar o Savitar e o clima que há entre eles; e a Iris surpreendentemente feliz com o Barry sem memórias e, consequentemente, sem os traumas e sofrimento que ele carrega e que tornam ele tão amargurado. Esse novo Barry é feliz, tá sempre sorrindo e a Iris percebe que talvez goste mais dele assim, leve, do que gosta do Barry sem amnésia e o episódio fica um tempo nisso mostrando as interações entre os dois e em como as coisas se desenrolam.

Fizeram um quadro pra explicar as voltas que tão dando nessa temporada

Na realidade, eu acredito que esse episódio é um grande filler, tipo aqueles episódios entre as batalhas do Goku contra o Majin Boo em Dragon Ball Z feitos pra mostrar o que tá acontecendo com o Picollo, com o Mr. Kaioh e em como o Gohan e a Videl tão lidando com o relacionamento deles. A gente não precisava disso tudo, a gente não precisava desse drama todo. Depois de sofrer tanto e precisar reunir vontade pra ver cada um dos 20 episódios anteriores, tudo que eu queria é que eles justificassem todo esse investimento. Mas não. “Agora que a gente tem tudo pra acelerar, vamos parar, dar dois passos pra trás e só depois continuar a história”. Só que Flash é uma série de um velocista e, depois de uma temporada lenta e arrastada, tava na hora de acelerar. E perderam a chance.

Rafael Augusto
Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.
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