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The Handmaid’s Tale – S01E02 – Birth Day

Se existe um nós, é porque existe um eles, certo?

Offred faz tudo o que pode parar passar mais tempo longe da casa do comandante, mas podemos julgá-la? Claro que não, se eu estivesse em seu lugar, tentaria era fugir, provavelmente, já que minha vida estaria presa num looping constante de ser alocada numa família, obedecer ordens, ter que passar por todos os tipos de abusos cometidos durante a Cerimônia, ter o bebê e ser alocada em outra família. Numa conversa com Ofglen enquanto voltavam pelo caminho mais longo, como sempre, ela descobre que estão destruindo todas as igrejas dos Estados Unidos, e provavelmente outras construções, apenas no intuito de apagar o passar e construir um novo futuro, sem nenhuma marca do que já aconteceu. E como Ofglen sabe disso? Ela faz parte de uma resistência contra o atual regime e quer que Offred se junte. Ela parece meio incerta, já que Nick disse que ela não deveria confiar em Ofglen, mas a mesma disse que havia um Olho na casa do comandante. E em quem Offred deveria confiar, naquela que está passando por tudo junto a ela, ou um homem que ela mal conhece?

O bebê de Ofwarren/Janine está para nascer, então todas as Aias vão até a casa para ajudar, assim como as esposas. E então temos uma cena um tanto quanto perturbadora. A esposa também está passando por uma preparação, como se estivesse em trabalho de parto. Ela encena as dores, as contrações, todo o sofrimento, como se aquela representação a fizesse fazer parte, também, do parto do bebê. O que me surpreende é o fato delas não usarem barrigas falsas ao longo da gravidez, pois só falta isso. Mas eu entendo os dois lados, me esforço a entender as duas mulheres, no caso: a Janine e a esposa. Por uma delas não pode ter filhos e por isso foi diminuída de sua condição como mulher. Se não fosse esposa de alguém com posses, estaria trabalhando como empregada. Ver outra mulher carregar o bebê que você não pode, ainda mais da forma que ele é concebido, é um tanto quanto traumatizante, então toda a encenação é feita para que ela se sinta parte do processo e não se sinta deixada de lado, sem função, desnecessária.
Já Janine, ela não escolheu nada daquilo, foi colocada naquela situação e acabou grávida. Ela é apenas um meio para um fim. Serve para o parto, mas não para a criação. Serve para a amamentação, mas não para a maternidade. Esse foi um dos tantos direitos roubados das mulheres, das férteis ainda por cima. As que tem a capacidade de gerar seus filhos, não possuem o direito de tê-los de verdade.

Durante todo o trabalho de parto, somos levados ao passado até o dia em que Hannah nasceu. Descobrimos que os problemas de natalidade não são novos, muitos bebês já nascem com problemas ou morrem com pouco tempo de vida. Com sorte alguns sobrevivem e um deles é Hannah. June tem sorte de sua filha nascer saudável, mas não todas as mães que tem. Algumas perdem o controle e acabam cometendo loucuras, como roubar um bebê. Sim, tentaram roubar Hannah ainda na maternidade. Tentaram levar a Hannah, a força, sem que June quisesse. Com Janine foi ainda pior, se possível. Levaram seu bebê, sem que ela pudesse vê-lo, segurá-lo, como se ela não existisse. O nascimento é, novamente, uma cena bizarra, onde a esposa se coloca na mesma posição que a Aia, porém acima, mostrando sempre seu status, e faz força como se também estivesse parindo. Sempre andando como se estivesse cansada ou com dor, a esposa se deita e recebe o bebê “recém parido”, como se fosse todo dela. Enquanto a Aia continua onde está, exausta, sofrida e sozinha, porque o seu bebê já seu foi. Tá, não totalmente sozinha, porque todas as outras estão ali por ela e entendem muito bem o seu sentimento no momento.

Comandante Waterford convida Offred para ir até o seu escritório, o que é proibido. Ela está preocupada com o motivo, talvez ela tenha descoberto coisas que ela anda conversando com Ofglen ou que ele queria fazer algo a ela. Mas quando chega lá, descobre que ele quer, apenas, jogar Scrabble. Todo o medo que ela estava sentido, diminui bastante, a ponto dela ter um ataque de riso ao voltar pro quarto. Durante os minutos que compartilharam no escritório, Offred Comandante quebraram diversas regras, inclusive de ser olharem e se comunicarem diretamente. A forma que ele se comporta perto dela, a sensação de que ele está à vontade, faz com que ela se sinta com um pouco de poder sobre ele. Porque quando um homem do status dele se mostra meio “vulnerável” sobre a presença dela, é porque ela exerce algum poder sobre ele e isso pode ser importante.

No dia seguinte, já disposta a contar tudo para Ofglen, Offred tem uma baita surpresa. Ofglen foi substituída. FUCK!
Não apenas trocaram sua parceira, ela foi trocada, substituída, como se não fosse nada. Não sabemos como ou porquê. Se foi porque descobriram de seu grupo de resistência ou se era porque ela estava recolhendo informações ou recrutando novas pessoas. Mas também não importa. O importa mesmo é o que aconteceu com ela.

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Thais Pereira

Feminista, leonina com ascendente em gêmeos e lua em virgem, viciada em memes, em Friends e problematizar na internet. Formada em História da Arte, mas consciente que nunca vai trabalhar com isso na vida. Normalmente eu escrevo e falo mais do que deveria. Eu mesma, Thais Mello.

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