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The Handmaid’s Tale – S01E03 – Late

Blessed Be The Fruit

Que The Handmaids Tale se mostrou uma série impactante em seus dois episódios iniciais, disso nós não temos dúvida, mas foi aqui, neste terceiro episódio, que o choque entre ficção e realidade levou a série a outro nível, deixando seus telespectadores alarmados com as cenas e a narrativa exposta, e perplexos pela proximidade em que a humanidade em alguns pontos se encontra com essa história.

O episódio abordou o presente e o passado por meio de flashbacks (muito bem construídos por sinal), e é por eles que eu começarei essa review. Aqui tivemos o estopim de tudo, com todas as mulheres norte-americanas tendo seus bens salariais confiscados, elas foram despedidas de seus empregos, e expostas a uma ameaça vestida de preto. Uma lei foi aprovada pelo governo, em que todas essas atrocidades acima citadas passaram a ser obrigatórias. Logo não demorou para a população se manifestar contra essa injustiça social, que foi conquistada depois de muita luta, e que agora retrocede rapidamente. Durante a manifestação, as coisas pareceram sair do controle, mas na verdade, o que aconteceu foi um exemplo de milícia demonstrando sua superioridade seleta e armada para a população. Sem hesitar, os homens de preto armados começaram atirar contra o povo que manifestava, e no meio disso, se encontrava June e Moira, que em uma cena chocante (da qual eu chorei bastante), correm tentando evitar serem mortas. É atordoante ver o detalhe dos tiros atingindo a população, e o medo de todos, estampados nos gritos e nos olhares. Essa cena faz parte de um medo real que vivemos hoje em dia, o medo da repressão política e social por parte dos chefes de estado e seus fantoches armados que tentam passar um ar de proteção, mas sabemos que a realidade não é essa, já que essa ‘proteção’ só alcança alguns pequenos níveis da nossa sociedade (traduzindo, só para os ricos). Além disso, o temor crescente por parte das mulheres, que hoje, depois de muita luta, conquistaram uma parte dos direitos, mas que ainda continuam a lutar para a igualdade social de gênero ser completa. Enfim, essa cena é uma das minhas favoritas e uma das mais chocante/assustadora da série, por toda sua construção e encenação, assim como por sua narrativa altamente factível.

Indo para o presente agora ao lado de Offred, acompanhamos sua ida para casa de uma das esposas visitar o bebê Angela, filha de Janine. Offred aparentemente estava grávida, já que sua menstruação não havia descido, com isso, ela estava recebendo todo o cuidado do mundo por parte de Serena. Ambas vão até o bebê Angela, e Offred acaba indo conversar com Janine, que se encontra consternada. É impressionante ver tamanha insensatez por parte das esposas com as Aia’s, tratando elas como um objeto em que estão “funcionais”, elas são bem tratadas, mas caso o contrário, são sempre maltratadas. Ao voltar para a residência, Offred acaba sendo interrogada pelo estado sobre Ofglen. Lydia como guardiã brutal das Aia’s, acaba torturando Offred após ela responder de forma ríspida os questionamentos sobre sua antiga parceira de compra. Após apanhar, Serena intervêm para proteger Offred, já que ela aparentemente estava grávida. Ao final da trama de Offred nesse episódio, ela descobre que não está grávida quando sua menstruação surge, e após contar para Serena, ela é jogada e trancafiada dentro de um quarto, e foi ameaçada pela mesma, o que comprova a insensatez e estupidez que eu disse a principio.

Agora, partimos para a parte do episódio que mais me chocou e me fez derramar lágrimas… O julgamento de Ofglen. Primeiro, quero fazer uma ressalva para enaltecer o quão brilhante Alexis Bledel foi em suas cenas. Ela não falou nenhuma palavra durante todo o episódio, mas não foi preciso, pois bastou o seu olhar e seus movimentos para ela conseguir entregar uma das atuações mais perfeitas e comoventes que eu já tive a oportunidade de ver. Ela e sua esposa que era uma Martha foram julgadas por serem gay, e esconderem isso do clero governante. A sentença para as duas foi clara, para Ofglen, a redenção, que acaba soando ainda mais assustador quando descobrimos o que isso significaria, e para Martha, misericórdia do estado. É inadmissível imaginar um julgamento sendo feito pela palavra da bíblia, e o que nos corrói é saber que isso um dia na nossa humanidade já foi verdade, e assim como a série propõe, isso pode voltar a acontecer. Diariamente vemos discurso religioso propagando o ódio contra a opção sexual alheia, disseminando preconceito e colocando a tolice e ignorância como obra de Deus. O que foi mostrado aqui é exatamente isso, então é aí que The Handmaid’s Tale consegue nos envolver e dizer “APESAR DE SERMOS UMA SÉRIE, A CRÍTICA SOCIAL AQUI PRESENTE É VÁLIDA, ENTÃO VAMOS ABRIR NOSSOS OLHOS”. Após o julgamento veio a execução, ambas são levadas para outro lugar, sempre amordaçadas, e sentadas em um furgão uma de frente para a outra. As lágrimas já começam a surgir quando vemos que o fim está chegando, elas dão as mãos e após chegarem, vemos Martha ser arrancada dos braços de Ofglen, e brutalmente ela é morta enforcada na frente de sua cônjuge. É difícil pensar nisso, eu estou escrevendo aqui com o coração palpitando só de relembrar a cena, e pensar no quão brutal a nossa sociedade é, e no que ela pode chegar a ser devido ao preconceito em todos os sentidos. Ao final do episódio, descobrimos o que se referia a ‘redenção’ de Ofglen… Ela teve sua genitália dilacerada, e seu clitóris removido, mas ainda assim ela poderia continuar engravidando. É desumano, não há explicação para tais atos, e o pior é colocar tudo isso em nome do ‘senhor’.

Bom, não consigo mais expressar meus sentimentos sobre esse episódio, ele é perturbador, mas excelente em retratar de forma tão veemente os assuntos inseridos. Não é a toa que esse episódio é um dos melhores avaliado pelo público, e a incrível Alexis levou um Emmy por ele. Agora, com todos os fatos ocorridos no episódio, como ficarão Offred e Ofglen? Fiquem ligados nas próximas reviews para saber. Até mais! 

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.


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