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The Handmaid’s Tale – S02E01 – June [SEASON PREMIERE]

“This woman’s world, oh, it’s hard on the man”.

A season finale da 1ª temporada de The Handmaid’s Tale deixou todos na beira de seus acentos e extremamente ansiosos para entender melhor o que a resiliente June teria diante de si nessa 2ª temporada. Havia tanto a ser especulado.

Em um breve resumo, após recusar-se a matar uma amiga apedrejada, e comover outras aias ao mesmo feito, June encara de frente as consequências. Uma van preta vem buscá-la, mas antes que ela siga em frente, Nick a avisa para ir sem medo. Ainda assim, ser capturado nunca parece algo bom. June entra na van, e nos entrega um monólogo emocionado sobre luz e escuridão, sobre incertezas e sobre adentrar o inesperado, mesmo sem saber o que se encontra pela frente. E assim, entramos na season 2.

Antes de começar a discorrer sobre os acontecimentos, eu gostaria de falar mesmo é sobre a fotografia e a trilha musical dessa série! Desde a 1ª temporada, é notável a competência desses dois blocos. Cada enquadramento, cada sequência de “luz e sombra” no caminho incerto que June faz para seu destino, o cuidado nos detalhes e a potência nas músicas escolhidas para dar o tom em cenas tão carregadas. Tudo é tão perfeitamente entrelaçado, é realmente de arrepiar. A história é maravilhosa, atuações são um presente dado, mas essa equipe técnica é maravilhosa demais também e merece nossos aplausos. Portanto, fica aqui meu sincero reconhecimento à estes quesitos.

Começamos a 2ª temporada, exatamente de onde paramos a 1ª. Nossa maior dúvida é saber para onde June está sendo levada. E pouco a pouco vamos experienciando essa jornada. Nossa aia é aparentemente levada para seu castigo e toda essa sequência, brilhantemente construída ao som de “This Woman’s Work”, é de partir os mais gélido dos corações.

Vestindo focinheiras, como verdadeiros animais, as aias rebeldes são levadas para o que parece ser o fim de suas histórias. O que costumava ser um estádio de futebol, hoje em ruínas, assume o lugar de uma espécie de coliseu, onde pessoas são levadas para morrer. Arrastadas para a forca, as aias sofrem um bocado, mas garanto que para muitas ali o fim seria realmente um alívio. Quando os soldados gritam “que seja feita a Sua vontade”, elas entendem que a hora chegou.

Mas ao invés da visão preta, o que elas veem em sequência é, provavelmente, muito mais aterrorizante. Lembram da “Tia” Lydia? Pois bem, eis que ela surge com um microfone dando lição de moral nas rebeldes, um discurso repugnante sobre temer a Deus, sobre viver em Sua misericórdia e negar uma “prova” de seu amor; e como essa pegadinha dos infernos, era apenas uma correção por seus atos “indisciplinados” de antes.

E daí em seguinte, acompanhamos os sofrimentos das outras aias. Acompanhamos todas as torturas, que foram desde permanecer na chuva com o braço estendido segurando uma pedra (bem prova de resistência do BBB), até terem suas mãos queimadas em fogo quente. Que Deus bondoso, não é mesmo?! É gente, o fanatismo é assustador, e assistir isso em tela é simplesmente tão medonho, ainda mais que, em pequenas doses e salve as proporções, vemos esses tipos de discursos/ações todos os dias, em todos os lugares, ao nosso redor.

Além disso, nessa premiere eles nos deram a oportunidade de entender melhor como tudo isso começou. Em vários flashbacks ao longo do episódio, nós vemos como era a vida de June junto a seu marido e filha, pouco antes da tomada de poder acontecer. Tudo foi acontecendo aos poucos, como sabemos, e a população dormente foi apenas “deixando” a situação se estender, até o ponto que tudo se tornou irreversível, e enfim o golpe aconteceu.

Pequenos detalhes eram “levados com a barriga”, e várias vezes eles até custavam a levar a situação a sério, como quando June diz que precisa da assinatura do marido para retirar seu anticoncepcional na farmácia, e ele diz “sério que eles realmente pedem isso”, e ela afirma que sim, até com certa naturalidade, como se este fosse apenas mais um processo burocrático do dia a dia. A situação se torna mais alarmante para June quando sua filha tem febre na escola e ela não atende as chamadas, pois estava trabalhando e o celular distante. Seguindo o “protocolo”, Hannah é levada direto para o hospital, onde June é interrogada quando chega. Onde, claramente, sua posição de mãe que trabalha fora começa a ser vista com maus olhos, como se sua única “função” na sociedade fosse ser mãe em tempo integral. June, claramente, fica incomodada com a situação, mas mais uma vez ela “deixa passar”.

De volta no presente, após assistir a tortura de suas “irmãs”, e ser ameaçada para se comportar por Tia Lydia, June se “reúne” com os Waterford para a primeira consulta sobre o bebê. A moça tem um aparelho introduzido dentro de si para que os “pais” da criança possam “ver” o feto, embora ainda não haja batimentos cardíacos. É uma cena de dar nos nervos, de fato. June tem uma faixa impedindo de vê-la da cintura para baixo, a tela do intra-som não fica a seu alcance e sim ao dos Waterford, e o médico se dirige apenas ao casal, ignorando completamente a presença de June. Como se ela fosse, realmente, apenas um aparato para gerar e parir filhos para os “privilegiados” de Deus.

A essa altura, eu já me perguntava: “mas gente, cadê o Nick, que disse para ela não se preocupar?”, afinal, parecia sim que “Offred” não teria absolutamente nada de alterado em sua rotina de aia. Mas bem em tempo, o faxineiro deixa uma chave na bota de June ao fim de seu exame, e sutilmente a leva a entender o que está acontecendo ao chamá-la de “June” ao sair. Obviamente, ela não perde tempo e vai seguindo as marcas vermelhas que entende que sejam indicações de caminho.

É aflição pura acompanhar June em sua fuga, pois a todo momento ela segue olhando para trás, e nós somos deliberadamente levados a compartilhar o medo de ser pego! Por fim, ela entra em um caminhão que se fecha e sai assim que ela está dentro. Mais uma vez, queremos acreditar que é uma jornada para a liberdade, como no inicio do episódio. Mas sempre ficamos com a sensação de desconfiança, afinal, não é nada comum tudo terminar bem para a mocinha nessa série. Porém, no fim, June realmente é levada para segurança e reencontra-se com Nick.

Engraçado que a primeira coisa que passou pela minha mente nesse reencontro foi “June está a caminho da liberdade e eles se gostam, ela está grávida dele, mas… E o marido dela?”, claro que este é um conflito que ainda será explorado, e talvez, a construção desse episódio, com todos os flashbacks, tenha realmente sido com a intenção de nos levantar esse questionamento, de nos fazer pensar sobre os sentimentos da protagonista.

Por fim, a última cena… Ah, essa última cena. Assistimos June se livrar de seu uniformo de aia, queimá-lo, cortar os cabelos… Mutilar-se. Sim, mutilar-se. Na finale da temporada passada, vemos que ao chegar ao centro vermelho, June teve uma espécie de “chip de identificação” brutalmente acoplado em sua orelha, como um boi sendo marcado. Ela sabia que, para realmente iniciar sua jornada rumo à liberdade, precisaria arrancar isto. E não tinha outra forma. Ou ela cortava um pedaço da própria orelha, ou sua libertação não poderia ser completa.

Ela exita pela dor, mas a força e resiliência de uma mulher obstinada é imensurável, como já demonstrado diversas vezes em todos esses 11 episódios de The Handmaid’s Tale. June termina o que começou, queima o chip. Ela se apresenta para nós, e pela primeira vez em muito, muito tempo, ela sente um leve, porém reconfortante gosto de L-I-B-E-R-D-A-D-E.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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