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Westworld – S01E10 – The Bicameral Mind [Season Finale]

E você, já chegou ao centro do labirinto?

Westworld chega ao fim de sua primeira temporada resolvendo todos seus plots, como prometido pelos produtores Nolan e Joy (em parte, pois, já esperado do show, toda resolução de mistério leva a outro maior). Muitas teorias que ganharam força na internet se confirmaram, sem deixar de surpreender na execução, ou deixar de trazer inesperadas surpresas. Por partes.

– Linhas temporais: Há muito especulado (primeira que surgiu), as cenas de Will e Homem de Preto vieram se mostrar em tempos diferentes, sendo estes a mesma pessoa. A cena que o Homem de Preto conta sua história foi bem feita, e vem como uma bom alívio de Eu sabia! O problema aqui está no seu desenrolar. Achei muito abrupta a virada de Will bonzinho para MIB sague frio. Não houve transição. Poderia ter sido construído melhor. Não se chega aquele nível do dia para noite. Para quem gosta de viradas de plot é ótimo. Para quem gosta de uma maior naturalidade caracterização a la Mad Men, não tanto. Fora que essa revelação poderia ter vindo bem antes. Arrastaram demais os dois personagens (que não fizeram nada de muito útil no meio a não ser rodar) para soltar agora no final. Lá naquele meio parado poderia ter gerado um impacto maior.

Sua história de amor indo atrás da Dolores foi fofinha, mas gostei mais quando ela desce a porrada nele. Mais que esperado também. Aquele cara merecia uma boa surra dela, que vem possuída com um sangue nos olhos ainda não visto antes. Sobre Logan, vá com Deus para nunca mais, só me pergunto, será que algum dia Logan conseguiu sair daquele cavalo? E onde será que ele foi parar? Haha

Maravilhosa a cara de surpresa alegria do Mib ao ser baleado e ver sangue.

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– Maeve: Um pouco menos programada que os de cima vem Maeve e sua revolução. Demorou mas chegou. Logo em suas partes tivemos o gostinho de ver as maquinas contra-atacando os açougueiros. Era isso que todo mundo queria ver. Ela vai fugir sozinha (mulher independente sim) mas dá o presente de sair matando todos os humanos para Santoro e Armistice, que aceitam de bom grado. O pós-credit inclusive foi dela com sangue na cara querendo mais.

Só que Maeve não é tão independente assim. Ela pensava que era. Mas todo seu roteiro de fuga fora programado por algum anônimo (Ford?), o que pode a ter impedido de concluir sua partida no final além do fator filha. Se a fuga era planejada, quais eram os resultados que queriam obter dela com esse experimento? Aparentemente a única escolha que ela tinha para fazer ali era deixar o Lutz viver ou não. E que bom que ela o deixou. Dá para amar os humanos sim! Mesmo Lutz sendo um péssimo humano.

Engraçado na hora que ele descobre do Bernard. Olha para as mãos se questionando e Maeve rainha solta um: “Oh, pelo amor de Deus, você não é um de nós, é um deles.” Oushe, tá pensando o que Lutz? Que é fácil assim entrar para a Formation? Para o Vale? É não.

– Dolores e o Labirinto: Inquestionável, essa final foi de Dolores. A mulher dominou tudo. Tava em todas os arcos, participou de cada um, se envolveu e mostrou diferentes emoções em cada linha do tempo, com vários personagens, Mib, Bernard, Ford. Palmas para Rachel.

Alguns podem ter ficado desapontado que nem o Mib com a simplicidade do labirinto, que nem para ele fora feito. Criado por Arnold, servia como uma forma de analogia para as maquinas se encontrarem. Se elas conseguissem chegar lá, teriam atingido a consciência, sendo passiveis de sofrimento e condenadas por estarem ali. Formada pela memória e improviso para atingir a consciência, Dolores foi a primeira das maquinas a chegar ao centro do labirinto e se descobrir. Como dito por Arnold, quando se desperta a consciência, a partir de suas escolhas você pode chegar as pontas, ou ao centro do labirinto. Linda a cena que a imagem de Arnold dá espaço a outra Dolores para elas poderem conversar entre si. Encontro da consciência e alma.

Não se restringindo a mais esperta, Dolly vai além de donzela e tem seu lado bandida também. Ela e Wyatt são a mesma pessoa, como confirmado no relance na tela de sua programação e toda semana na abertura. A chacina na vila, constantemente repetida na memória de Teddy, revela Dolores como pistoleira impiedosa, sendo orquestrada por Arnold culminando em sua morte. Não viu quem não quis.

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-Ford: Aqui com certeza a maior surpresa. Dado como vilão desprezível, quem imaginaria que na verdade ele estava lutando para libertar os hosts? Que gesto lindo o seu, de continuar lutando pelo que o amigo morto acreditava. Ele ainda estava preparando as crias para o momento, como explicado, era necessário mais tempo e sofrimento. Dois fatores essências para qualquer aprendizado. Quem disse que sofrimento é algo ruim, não sabe o poder que ele tem de nos ensinar.

Desde o quadro de Michelangelo e por toda a temporada tivemos referências a criação. Ford como Deus, que queria seus filhos sem plena consciência e poder escolha, e Arnold como Lucifer, que queria dar a eles liberdade para fazer o que quiserem. E assim Adão foi expulso do Éden.

Que tipo de criador é esse que traz os seus ao mundo, para penitência e eterno sofrimento? Nem se doa cristianismo, essa não foi para você.

A nova narrativa de Ford começa com uma virada emboscada muito sangue e mais uma vez Dolores no meio. A apresentação com Teddy foi um deleite. Uma hora você tá lá, se emocionando com os personagens, comprando seus diálogos, motivações, coração, para no outro a cortina se abrir e mostrar a plateia do conselho rindo de nossa cara. Como se tudo fosse uma brincadeira. De admirando a cena você passa para envergonhado por estar comprando aquilo como real. É a série nos lembrando que tudo aquilo é ensaiado (e realmente, todo o universo fazia parte de algum plano de Ford), assim como todo show de televisão é.

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O que me frustra um pouco é o fato dessa narrativa estar surgindo agora. As luzes estão se apagando e nenhum vislumbre maior do que trata essa narrativa. Só um prologo. Esperar para ver mais do que trata isso. Fato é que essa segunda temporada será dominada pelos robôs, agora que não há mais quase nenhum humano para contar história. Possivelmente o Mib e o Lutz,  e com mais dificuldade a Elsie e o Stubbs. Uma pena pelo Anthony, que estava magnífico. Quem sabe o Arnold não cria um amiguinho?

Aqueles samurais, o que será? O parque é maior que o imaginado, devendo eles fazer parte de outra mundo no Japão Feudal. Podemos contar com uma luta faroeste samurais próxima season? Será que eles vão se juntar na rebelião? E só uma pergunta para Ford. Por que os animais não ajudam também? Eles poderiam ser de bom uso se programados para isso. Magina um Pássaros de Hitchcook acontecendo (sem aplaudir muito o homem, já ele é abusava de suas atrizes, assim como Bertolucci admitiu essa semana, por mais incriveis os feitos, esse não é um tipo de artista a se admirar).

E foi isso. Acho que poderia ter sido menor, uns seis episódios sairiam mais eficientes. Mesmo assim o piloto e esse último são duas obras, que valem todo o trabalho dos produtores em encher horas. A série foi marcante, entre as melhores estreias do ano, digna de alguns Emmys e recomendações para amigos. As expectativas vão altas e ansiosas por 2018 e essa revolução das maquinas. Vem logo! E para não morrer daqui para lá no final deixo uma lista e recomendação sobre o tema no fim. Bjs e até lá.

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– O Westworld é aqui: Dolores sentiu como que acordando de um sonho longo e esquisito. Sonhos são reais enquanto duram, pois você sente em se cérebro como se estivesse vivendo aquilo. E se a vida for isso? Não mais que um sonho do qual acordaremos para outra vida, realidade, sonho. E se a terra for o inferno de outro planeta? Indagava Huxley. Quem sabe? Só indo para o outro lado para saber.

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– Enquanto 2018 não vem:

Para despertar a consciência indico o melhor filme ever para desperta-la, que dá a imagem título acima e se chama Waking Life. Por favor, assistam.

Lista das máquinas que se rebelaram no cinema.

 

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  • Eduardo

    Quando Bernard mata Theresa, havia um robô em produção. Quem sabe não seja madame T. (que eu acho uma atriz foda) com a consciência de Ford (além do prazer de ainda termos Hopkins na série, imaginem a situação…kkkk).
    Elsinha deve voltar tb, não acho que ela morreu, apenas foi tirada de circulação e trancada em algum buraco no parque.
    Mas tenho medo de quem irão escalar como mocinho(s) humano(s) na proxima temporada. Ed Harris sozinho não vai dar conta – náo pelo talento do ator, mas por causa dos outros personagens mais fortes.
    E o mundo samurai deve ser referência ao filme original – que tinha 3 cenários dentro do parque (Roma, Idade Média e Velho Oeste).

    • robson a

      Elsie e Ribbs devem voltar a das as caras, não tiveram desfecho e devem sustentar a ala humana. Não gosto muito do personagem do mib, podiam aprofunda-lo melhor.
      Louco para ver esses outros cenários sendo explorados.
      Obg pela presença Eduardo e até a próxima 😉

  • Heloisa Martins

    Olha, valeu a pena ficar com sono ontem o dia inteiro… Que final! Como eu já disse antes, não tava muito confiante no começo, mas insisti e não me arrependo… Uma pena que não teremos Ford na próxima temporada… E a decepção de Maeve quando se descobriu “programada para matar”… Só uma dúvida: será que a volta pela filha também faz parte da programação??? Mas eu continuo achando o Ford vilão, querendo brincar de deus, e o Arnold querendo impedir. Que venha 2018!

    • robson a

      Olár Heloisa, tudo bem?
      Acho que a volta pela filha foi a parte não programada dela, supondo que o code era fugir. Acho que aquilo que a tornou humana e não meramente condicionada. Mas vai saber neah.
      Os papéis de Ford e Arnold se inverteram um pouco para mim depois desse episódio.
      Obg pelo carinho e até 2018 🙂

Robson Abrantes

Engenheiro civil na semana, escritor wannabe nas horas vagas e sonhador integralmente. Nem de exatas nem de humanas, renascentista. Reinventando-se desde 92. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. Teve seu 1º contato com o mundo das séries nas madrugadas do SBT, vício que não conseguiu largar desde então.


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