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American Gods – S01E07 – A Prayer for Mad Sweeney

Eu honestamente espero que esse episódio tenha sido aquela puxada de ar que a gente dá quando tá prestes a mergulhar e ficar sem respirar por algum tempo.

Eu acredito que muita gente não vá gostar desse episódio. Pra todos os fins, ele acrescenta muito pouco à história de Shadow e Wednesday, que nem aparecem, e gira só ao redor de Mad Sweeney e Laura. O episódio começa com os irmãos Ibis e Jacquel, tratando mais um corpo que chegava em sua empresa. Logo depois, Jacquel vai escrever a história de mais uma vinda de uma divindade para a América. E o escolhido dessa vez é exatamente o nosso ruivo favorito, Mad Sweeney.

“É uma bela ficção os Estados Unidos terem sido por peregrinos buscando liberdade para acreditarem no que queriam, que vieram às Américas, se espalharam, procriaram e ocuparam essas terras.” Indo ao contrário do que todos nós aprendemos na escola, que a colonização dos Estados Unidos se deu por ocupação, no caso com apenas as pessoas que queriam morar lá indo de fato morar no Novo Mundo, não eram os melhores indivíduos que se assentaram aqui. Em muitos casos, era a escória da Europa que era mandada para cá, para servirem como escravos. Ao cometer um crime em Londres, os criminosos tinham a opção de escolher entre morrerem enforcados ou passarem algum tempo na América, tempo esse equivalente ao crime cometido. A essa viagem era dado o nome de Exílio.

 

Novamente, o conceito de que as Américas são lugares ruins para os deuses, por serem um terra de esquecimento, é trazido à tona, mas muito brevemente, pois o foco do episódio é outro e esse conceito não deve ser lembrado por nós tão cedo. Somos, então, introduzidos a pequena Essie Tregowan, uma menina ruiva que desde pequena escuta histórias sobre criaturas mágicas, criaturas que mudam de pele e contos sobre leprechauns. No livro, essa personagem tem grandes olhos castanhos e cabelos castanho-escuros, mas na série ela ser loira tem uma explicação, a qual chegaremos mais adiante. A essa altura do campeonato, já descobrimos que os deuses seguem aqueles que acreditam neles e ganham força por causa do credo em suas figuras, mas o mesmo acontece também com criaturas menores, como semideuses e até mesmo objetos que acabam sendo elevados à patamares imensos – como por exemplo a televisão.  A menina Essie foi crescendo enquanto presenciava as pessoas ao redor dela deixando presentes na floresta, pratos com leite na janela, pedaços de pão em troncos, e foi acreditando e tomando isso como verdade. E quando ela cresceu, ela se tornou uma mulher que atraía diversos olhares por onde passava, inclusive de seus patrões. E nós já conhecemos a versão adulta daquela menina ruiva.

E ela contava as mesmas histórias que ouviu enquanto criança para as crianças da casa, que acreditam em tudo que a mulher contava, porque para Essie tudo que ela falava era verdade. E dentre as pessoas que olhavam para Essie estava Bartholomew, filho do dono daquelas terras. E lembrando das histórias que ouviu quando era pequena, ela ofereceu um presente à alguma das criaturas, um pedaço de pão enrolado em uma trança do cabelo dela e uma moeda de ouro, a única riqueza que ela possuía.

No dia seguinte, quem foi atrás dela? Exatamente, Bartholomew. E depois de uma noite de amor, Essie fala que ele irá esquecer dela, que ele irá conhecer alguma outra moça da cidade grande e que nunca mais irá lembrar da existência dela. Mas ele dá um presente que seu avô deu para sua avó como prova de amor, dizendo que assim que ele voltar para casa, próximo ao Natal, eles irão casar. Mas, o tempo passou e eles não casaram. Bem pelo contrário, na verdade. A mãe dele, ao descobrir que a empregada estava com o colar que era herança da família, acusou Essie de roubo e como o rapaz disse que a joia foi de fato roubada, ela foi demitida e julgada. A sentença inicial era morte na forca, mas como o juiz foi tocado pela idade e pelos belos olhos da garota, ela foi sentenciada a sete anos de exílio. Mas mesmo no navio, com condições terríveis e alimentos escassos, ela ainda lembrava de deixar uma oferenda para os leprechauns.

Prestes a chegar no Novo Mundo, o capitão do navio reparou na garota e após trocar alguns olhares com elas, estabeleceram uma aliança na qual ela voltaria com ele para Londres, onde ninguém a conhecia, e eles se casariam. Mas oito semanas depois, o Neptune iria zarpar e o capitão se afastaria da sua tão adorada esposa. Ele fez juras de amor e prometeu voltar o mais rápido possível. Mas o mundo tratou Essie como uma ladra, e então uma ladra ela se tornou, roubando vários objetos de valor da casa do seu novo marido, fugindo logo em seguida. Mas antes de ir embora, ela deixou na janela um prato de leite, a oferenda para quem havia sempre lhe ajudado.

Em seguida, voltamos para o presente, onde Salim-não-Salim, Mad Sweeney e Laura estão no táxi indo para o lugar onde Wednesday vai organizar sua reunião com os outros deuses. Falando nele, um de seus corvos está atrás do trio, buscando informações para seu chefe. Depois de discutir com Sweeney sobre isso, Laura decide que vai libertar Salim e deixar ele ir, falando que eles são capazes de arranjar outra maneira para seguir em frente. Qual a maneira encontrada? Roubar um carro de sorvete, daqueles que tocam musiquinhas e as crianças adoram correr atrás.

Voltamos para o 1712 e vimos que Essie agora tem roubar como uma profissão, roubando os mais diversos objetos no meio de Londres. E tudo dava certo pra ela, que roubava sem ser pega e atraía a paixão de vários homens. Mas o próprio Jacquel nos lembra que quando a fase é boa, quando a pessoa ganha muitos presentes e quanto mais abundante são bênçãos, mais as pessoas tendem a esquecer de rezar.  E a gente aprendeu lá no começo que os leprechauns não são criaturas tão legais assim. Logo em seguida Essie é presa por roubo. Então são dois crimes: ter voltado antes do exílio e roubo. Na cadeia, ela conversa com alguém que já conhecemos, com uma voz que é bastante familiar. E um rosto bastante familiar também. Machucado como sempre.

 

Quando tudo parecia perdido, um dos guardas se encantou pela garota e foi mais um que cedeu aos desejos dela. A garota então diz que está grávida, mas como muitas mulheres tentam esse artifício, era esperado que fosse mentira. Mas ela estava realmente grávida, então mais uma vez sua sentença de morte foi transformada em exílio, mas dessa vez era para sempre. E ela voltou mais uma vez para a América.

Já com seu filho no colo, ela aportou em Norfork, na Vírgínia, na fazendo de John Richardson, que cultivava tabaco, e que precisava de uma ama de leite e de uma empregada para as mais diversas tarefas domésticas. Enquanto as crianças bebiam de seu leite, elas também bebiam de suas histórias,

Finalmente acontece algo relevante para a história no presente. Ao desviar de um coelho que passou na frente do carro, Laura acaba fazendo o carro capotar e, com o impacto, a moeda de ouro que dava vida ao seu corpo morto saí de onde estava. Sweeney poderia ter ido embora com ela, mas um flashback nos mostra que ele foi o responsável pelo acidente que matou Laura e que tudo foi arquitetado por Wednesday. O remorso toma conta dele e ele recoloca a moeda de volta no corpo dela, que volta a vida. No passado, temos a confirmação de que foi Essie (e algumas outras pessoas) que foi responsável por trazer Mad Sweeney para as Américas.

De certa maneira, esse episódio foi muito bom mas talvez tenha acontecido no momento errado. Se American Gods fosse uma série da Netflix, com todos os episódios saindo ao mesmo tempo, não haveria muito problema em lançar um episódio assim, mais lento. Mas depois do último episódio que termina com Wednesday matando um outro deus, a gente gostaria de saber o que aconteceu com eles naquela cidade cheia de pessoas fortemente armadas. A série tá sendo ousada, de diversas maneiras e de algumas maneiras que a gente nem esperava que fossem acontecer. E esse episódio é mais uma prova disso, de que eles são estão tomando decisões bem ousadas no que se refere à ritmo e velocidade da história. Mas se parar pra pensar que essa temporada vai ter oito episódios, quem sabe isso tenha sido meio… ousado demais.

 

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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